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Enem 2021: Qual o impacto na prova das demissões em massa de servidores?

Danilo Dupas, presidente do Inep, órgão responsável pela aplicação do Enem - Divulgação/MEC
Danilo Dupas, presidente do Inep, órgão responsável pela aplicação do Enem Imagem: Divulgação/MEC

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

08/11/2021 16h03Atualizada em 08/11/2021 19h57

Servidores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) pediram exoneração de seus cargos hoje (8). Dos 33 que saíram, 29 trabalham em áreas diretamente ligadas ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e 22 são coordenadores.

A prova acontece em 21 e 28 de novembro e já está pronta, por isso as datas não devem ser alteradas. O MEC (Ministério da Educação) divulgou nota no início da noite afirmando que o cronograma do Enem "não será afetado" pelos pedidos de demissão, mas não deu detalhes sobre como a crise será resolvida (leia mais abaixo).

Servidores ouvidos pelo UOL, no entanto, dizem que as mudanças no organograma em funções estratégicas podem atrapalhar os processos que acontecem após aplicação do exame, como a correção e a divulgação das notas.

Parte dos funcionários que pediram desligamento do cargo serviam como uma espécie de "radar", monitorando possíveis problemas e apontando soluções no dia do exame. Na edição de 2020, houve alguns incidentes que precisaram ser contornados, como salas superlotadas, o que impediu diversos alunos de fazerem o Enem.

Além disso, a operação de aplicação do exame é bastante complexa, com toda uma logística para manter o sigilo das provas. As empresas envolvidas temem inclusive uma falta de interlocução com o instituto após a saída desses profissionais mais experientes.

Também pode haver impacto no cronograma para a edição de 2022, que deveria começar a ser feito nas próximas semanas.

O UOL apurou que um dos exonerados, por exemplo, tinha a tarefa de acompanhar a empresa terceirizada para a aplicação da prova, para fiscalizar se seriam cumpridos os requisitos e termos acordados em contrato.

Outros servidores faziam parte do envio em tempo real de informações sobre o exame para o Inep, além de estarem envolvidos com a análise das perguntas.

Vestibulares tradicionais contabilizam apenas o número de erros e acertos, atribuindo um valor fixo às questões, mas o Enem funciona diferente. Usa uma metodologia especial, chamada Teoria de Resposta ao Item (TRI).

Neste modelo estatístico, o valor de cada uma das questões varia de acordo com o percentual de acertos e erros dos estudantes naquele item. Os itens que os estudantes acertarem mais serão considerados fáceis e, por essa razão, valerão mais pontos na composição da nota final. Já os itens com menor número de acertos por parte dos estudantes serão considerados difíceis e, por essa lógica, valerão menos pontos. É por isso que é muito comum dois participantes acertarem o mesmo número de itens, mas terem médias finais diferentes no Enem.

Caso o participante erre uma questão fácil e acerte uma difícil, o TRI leva em consideração chutou a pergunta mais difícil e, por isso, ela valerá menos.

Como essa comparação é volumosa e sensível, leva alguns meses para ser feita —normalmente as notas são divulgadas em março do ano seguinte. Ainda não se sabe como essas vagas serão preenchidas ou como esse problema com o know-how desse sistema será resolvido.

Ao todo, o Inep tem 383 servidores. O grupo que entregou os cargos deixa suas funções, mas não a carreira de servidor no órgão.

35 demissões em uma semana

Os pedidos de demissão acontecem de forma coletiva e, segundo o UOL apurou, como uma medida para pressionar pela saída do atual presidente do órgão, Danilo Dupas, que se mantém no cargo pela relação pessoal com o ministro Milton Ribeiro.

Inicialmente, foram confirmadas 13 demissões nesta segunda. Depois, o número aumentou.

Na semana passada o UOL já havia noticiado o pedido de demissão de Eduardo Carvalho Sousa, coordenador de Exames para Certificação, e Hélio Júnio Rocha Morais, coordenador da Logística de Aplicação.

"Cronograma está mantido", diz MEC

Em nota, o MEC afirma que o cronograma está mantido e que "não será afetado" pelos pedidos de exoneração.

"Cabe esclarecer que os servidores colocaram à disposição os cargos em comissão ou funções comissionadas das quais são titulares, mas que continuam à disposição para exercer as atribuições dos cargos até o momento da publicação do ato no Diário Oficial da União", diz o texto.

A nota foi replicada pelo ministro Milton Ribeiro, no Twitter. Ele não fez comentários complementares sobre a crise no Inep.

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