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Relação pessoal com Ribeiro segura Dupas após demissão em massa no Inep

Danilo Dupas, presidente do INEP - Divulgação/MEC
Danilo Dupas, presidente do INEP Imagem: Divulgação/MEC

Ana Paula Bimbati e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

08/11/2021 15h22Atualizada em 08/11/2021 19h59

A relação pessoal com o ministro da Educação, Milton Ribeiro, é o que ainda segura Danilo Dupas na presidência do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) após a demissão em massa de servidores, na última semana.

Na manhã de hoje (8), 33 servidores do instituto —incluindo 29 que trabalham em áreas ligadas ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)— pediram exoneração coletiva para pressionar a saída de Dupas. Procurado, o MEC informou que o cronograma do Enem está mantido e que "não será afetado" pelas solicitações de demissão (leia mais abaixo).

Na carta coletiva enviada ao ministério, os servidores justificaram a entrega dos cargos citando a "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do Inep". O alto escalão do MEC já concorda que, em meio à crise, o melhor caminho é a saída de Dupas, mas o ministro segue resistente.

Dupas assumiu o Inep no início de março, após indicação de Ribeiro no fim de fevereiro. Antes dele, Alexandre Lopes ocupava o cargo, desde maio de 2019. À época, a saída de Lopes causou surpresa entre servidores.

"Mais de 20 anos de experiência", diz o governo

Segundo seu currículo, Dupas se formou em Ciências Econômicas pelo Mackenzie em 2005 e fez mestrado em Finanças na Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) em 2014.

Quando tomou posse da presidência do Inep, o governo federal informou que ele tinha "mais de 20 anos de experiência no setor educacional, já trabalhou como professor nas áreas de gestão, planejamento e inovação, e atuou como gerente administrativo no Fundo MackPesquisa, do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM)".

Dupas também trabalhou na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo, e foi membro do Conselho de Economia da Associação Comercial de São Paulo.

Estava no MEC desde 2020, quando tornou-se secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior.

Segundo o UOL apurou entre fontes ligadas a Dupas e ao MEC, foram os laços criados quando deu aula na iniciativa privada que seguram o docente no cargo. Dupas e o ministro da Educação se conheceram no Mackenzie, onde Ribeiro foi vice-reitor e mantém contatos até hoje.

Os servidores disseram à reportagem que as demissões se deram porque as decisões de Dupas não são consideradas de caráter técnico e reclamaram de supostos casos de assédio moral. Outras exonerações devem acontecer nos próximos dias.

"Não se trata de posição ideológica ou de cunho sindical. A despeito das dificuldades relatadas, reafirmo o compromisso com a sociedade de manter empenho com as atividades técnicas relacionadas às metas institucionais estabelecidas em 2021", conclui o texto, escrito no singular, mas assinado por "servidores públicos federais".

35 demissões em uma semana

Na semana passada o UOL noticiou o pedido de demissão de Eduardo Carvalho Sousa, coordenador de Exames para Certificação, e Hélio Júnior Rocha Morais, coordenador da Logística de Aplicação.

O Enem será aplicado em 21 e 28 de novembro. A prova está pronta, mas as mudanças podem atrapalhar os processos que acontecem após aplicação do exame e o cronograma para a edição de 2022, que deveria começar a ser feito nas próximas semanas.

Cronograma está mantido, diz MEC

No início da noite desta segunda, o MEC divulgou nota afirmando que o cronograma está mantido e "não será afetado" pelos pedidos de exoneração.

O ministério e o Inep não falaram sobre a atuação do presidente do Inep, Danilo Dupas, nem de sua amizade com Ribeiro.

"Cabe esclarecer que os servidores colocaram à disposição os cargos em comissão ou funções comissionadas das quais são titulares, mas que continuam à disposição para exercer as atribuições dos cargos até o momento da publicação do ato no Diário Oficial da União", diz o texto.

A nota foi replicada pelo ministro no Twitter. Nas redes sociais, ele não fez comentários complementares sobre a crise no Inep.