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A menos de um mês do Enem, dois coordenadores da prova pedem exoneração

Prova do Enem está pronta, mas processos que acontecem durante e após aplicação podem ser prejudicados - ADAILTON DAMASCENO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Prova do Enem está pronta, mas processos que acontecem durante e após aplicação podem ser prejudicados Imagem: ADAILTON DAMASCENO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

05/11/2021 13h57Atualizada em 05/11/2021 18h57

Dois coordenadores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) que trabalham em áreas ligadas ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pediram exoneração de seus cargos na última semana.

Eduardo Carvalho Sousa, coordenador de Exames para Certificação, protocolou seu pedido de demissão no dia 1º, e Hélio Júnio Rocha Morais, coordenador da Logística de Aplicação, oficializou a decisão no dia 5.

Segundo servidores ouvidos pelo UOL na condição de anonimato, os pedidos acontecem por discordância das decisões do atual presidente do Inep, Danilo Dupas, que não são consideradas de caráter técnico, e por supostos casos de assédio moral. A reportagem entrou em contato com o Inep e aguarda posicionamento.

Além do Enem, os coordenadores eram responsáveis pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultas).

O Enem acontece em 21 e 28 de novembro. Ainda de acordo com os servidores, a prova está pronta, mas processos feitos durante e após a aplicação do exame podem ser prejudicados com as demissões. A divulgação das notas, por exemplo, é um deles.

O cronograma para a edição de 2022 também deveria começar a ser feito nas próximas semanas.

Os desligamentos não foram publicados no Diário Oficial, mas confirmadas por fontes para a reportagem. O UOL teve acesso aos pedidos de exoneração.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público disse ser "lamentável a ausência de governabilidade" no órgão. "Hoje, o Inep passa por uma crise por conta do assédio institucional. Essa é a tônica do atual governo, onde coloca os servidores públicos e a ciência como vilões do país, enquanto degrada serviços básicos como a educação e a saúde", afirma a frente.

Diretoria responsável por Enem Digital está sem chefe

A Diretoria de Tecnologia da Informação do Inep, que tem entre suas responsabilidades o Enem digital, está sem um chefe oficial. No fim de setembro, Daniel Miranda Pontes Rogério, que era diretor da área, pediu demissão.

Menos de um mês depois, o coordenador-geral de sistemas de informação, Humberto Mattos Carvalho, que havia sido anunciado como substituto de Rogério, também pediu exoneração.

Em carta divulgada pela Assinep (Associação dos Servidores do Inep), funcionários afirmam que a área está "sob o comando do servidor que ocupava uma coordenação na diretoria, o qual atualmente exerce não apenas as atribuições desse cargo comissionado, como, cumulativamente, a de coordenador-geral e de diretor".

Servidores denunciam assédio moral e falta de decisões técnicas

Em assembleia organizada pela Assinep ontem, os servidores denunciaram assédio moral e reclamaram da má gestão.

Dupas é o quarto presidente a assumir o órgão desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, e tem sido um dos mais criticados.

"A presidência do Inep não ouve sequer os ocupantes de cargos comissionados. Tampouco reconhece o trabalho realizado em cada unidade, apesar de servidores e colaboradores atuarem com zelo e responsabilidade", diz o texto divulgado pela entidade. "O medo é a tônica. Trabalhadores e chefias estão adoecendo mentalmente, em virtude da sobrecarga de trabalho e do clima desfavorável à realização segura das atividades altamente complexas do Inep."

O UOL também aguarda a resposta do Inep sobre estas declarações.

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