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Leia a íntegra da carta de exoneração de Milton Ribeiro

9.jul.2021 - Jair Bolsonaro e Milton Ribeiro na feira do grafeno, em Caxias do Sul (RS) - Catarina Chaves/MEC
9.jul.2021 - Jair Bolsonaro e Milton Ribeiro na feira do grafeno, em Caxias do Sul (RS) Imagem: Catarina Chaves/MEC

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

28/03/2022 17h25

Em carta publicada em suas redes sociais, Milton Ribeiro pediu exoneração hoje de seu cargo no MEC (Ministério da Educação). A saída acontece após a divulgação de uma série de notícias envolvendo a pasta em um suposto esquema de corrupção.

A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial. Em um áudio obtido pela Folha de S.Paulo, o então ministro afirma que o governo federal prioriza prefeituras ligadas a dois pastores.

Sem cargos na gestão pública, os líderes religiosos atuam em um esquema informal de liberação de verbas do MEC. "Foi um pedido especial que o Presidente da República [Jair Bolsonaro] fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar [Santos]", diz Ribeiro no áudio.

Veja a íntegra da carta de Milton Ribeiro

Dirijo-me a todos estudantes, profissionais da educação, servidores e demais cidadãos brasileiros.

Desde o dia 21 de março, minha vida sofreu uma grande transformação. A partir de notícias veiculadas pela mídia, foram levantadas suspeitas acerca da prática de atos irregulares em nome do Ministério da Educação.

Tenho plena convicção de que jamais pratiquei qualquer ato de gestão que não fosse pautado pela legalidade, pela probidade e pelo compromisso com o Erário. As suspeitas de que foram cometidos atos irregulares devem ser investigadas com profundidade.

Eu mesmo, quando tive conhecimento das denúncias, em agosto de 2021, encaminhei, de imediato, expediente à CGU para que apurasse as situações narradas pelas denúncias. Mais recentemente, solicitei também àquela Controladoria que auditasse as liberações de recursos de obras do FNDE, para que não haja dúvida sobre a lisura dos processos conduzidos. Cumpre ressaltar que os procedimentos operacionais relacionados à liberação de recursos pelo FNDE não são de competência direta do Ministro da Educação.

São quatro os pilares que me guiam: Deus, família, honra e meu País. Além disso, tenho todo o respeito e gratidão ao Presidente Bolsonaro, que me deu a oportunidade de ser Ministro da Educação do Brasil num momento transformador para a educação brasileira. Registro que, sob a condução do Presidente da República, tive a oportunidade de conviver com uma equipe de ministros altamente qualificados e comprometidos com a ética e a probidade públicas.

Assim, levando em consideração os aspectos citados, decidi solicitar ao Presidente Bolsonaro a exoneração do cargo de Ministro, a fim de que não paire nenhuma incerteza sobre minha conduta e do Governo Federal. Meu afastamento visa, mais do que tudo, deixar claro que quero uma investigação completa e isenta.

Tomo esta iniciativa com o coração partido. Prezo pela verdade e sei que a verdade requer tempo para ser alcançada. Sei de minha responsabilidade política, que muito se difere da jurídica. Minha decisão decorre exclusivamente de meu senso de responsabilidade política e patriotismo, maior que quaisquer sentimentos pessoais.

Agradeço e despeço-me de todos que me apoiaram nesta empreitada, deixando o compromisso de estar pronto, caso o Presidente entenda necessário, para apoiá-lo em sua vitoriosa caminhada.

Brasil acima de tudo! Deus acima de todos!

Brasília/DF, 28 de março de 2022

Milton Ribeiro