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Brasileiros buscam redes sociais para aprender idiomas online

Andréia Martins

Do UOL, em São Paulo

11/12/2013 05h00

Que os brasileiros são figuras carimbadas em redes sociais não é novidade. Mas nós também estamos em grande número quando o assunto são as redes sociais de ensino de idiomas. São mais de 3,5 milhões de nativos brasileiros cadastrados na rede social Busuu, o maior grupo, e 2 milhões no Livemocha (segundo dados de 2012), também a maioria. Em outra grande rede social de ensino de línguas, a Italki, o Brasil não é maioria, mas soma 75 mil usuários, de um total de 1,5 milhão.

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Segundo essas empresas, o que atrai alunos é a praticidade, flexibilidade e o preço acessível do ensino. Mas, para Vera Menezes, professora titular da UFMG e estudiosa do uso da tecnologia no ensino de línguas, ainda há pouca inovação no conteúdo dessas redes e no ensino online de idiomas em geral.

“As tecnologias nos oferecem possibilidades bastante avançadas, mas infelizmente, a maioria dos cursos online ainda usa metodologia de ensino antiquada e apenas levam para a tela o que temos de ruim no papel”, diz a especialista.

Os exercícios, por exemplo, são geralmente cópias dos formatos encontrados em livros. “Os cursos online que eu conheço fazem uso de material textual muito semelhante ao encontrado em livros. O que muda é a forma de apresentação. Muitas vezes vemos atividades idênticas às de livros impressos com outra ‘embalagem’. Por exemplo, em vez de fazer um X nas alternativas no livro, o aprendiz clica em caixinhas”.

Como funciona

Hoje, Livemocha, Busuu, Italki e Lang-8 são as principais redes sociais de ensino de idiomas. Criadas em meados dos anos 2000, têm funcionamento parecido: um usuário se cadastra gratuitamente no site e pode ensinar seu idioma nativo a outro usuário que deseja aprendê-lo, e assim por diante. Se preferir, pode optar por ter aulas com professor profissional, que custam, em média, entre US$ 5 e US$ 30. O acesso gratuito dá direito a uma quantidade limitada de conteúdo, que inclui material didático, acesso a chats e troca de vídeos e textos com nativos.

Para um conteúdo maior, o usuário deve assinar um pacote pago. No entanto, para quem valoriza certificados, as redes citadas só concede diploma a quem cursar módulos pagos.

No caso dos brasileiros, o cofundador e diretor-executivo do Busuu, Bernhard Niesner credita o sucesso da rede a “uma oferta equilibrada entre aprendizagem de conteúdo, comunidades e recursos, o que usuário brasileiro está procurando”. O acesso fácil a um ensino rápido é outro diferencial, afirma. “Com dois eventos esportivos a caminho, as pessoas sabem que falar bem inglês pode ser um diferencial”, completa Niesner.

Curso em casa exige motivação

Era esse ensino rápido e prático que a paulista Bárbara Fontes, 27, tinha em mente. Recém-formada em hotelaria e turismo, ela queria reforçar o inglês aprendido em uma escola tradicional durante a adolescência.

“Já fazia aulas de conversação em uma escola dedicada a isso, mas daí alguns amigos comentaram do Busuu e do Livemocha. Optei pelo Busuu. A vantagem é claro, é poder fazer de casa, mas, além disso, interagir e ter uma conversação que é natural e te obriga a treinar bem uma linguagem mais do dia a dia”, diz ela.

O administrador curitibano Leonardo Santos, 29, usa a rede Livemocha desde 2011, entre idas e vindas. Começou tentando aprender alemão, idioma do qual já tinha algum conhecimento. Mas as aulas não atenderam às suas expectativas.

“Essas redes trabalham com muita repetição, e isso com o tempo se torna cansativo. Então interrompi o curso quando vi que teria uns 5.000 exercícios de repetição para fazer e pouca teoria gramatical. Fiquei um tempo parado e retomei no início deste ano. Houve uma melhora, mas se não houver motivação e um bom nativo do outro lado te ajudando, é fácil desistir”, diz ele.

Santos avalia que a rede é uma boa opção para quem deseja se aperfeiçoar na conversação. “Quem quer aprender algo mais profundo sobre o idioma deve fazer um curso tradicional e deixar esse lado mais prático para uma etapa posterior”.

O diretor de marketing do Italki, Ross Cranwell, destaca que o ponto alto das redes sociais de idiomas é mesmo a prática da conversação.

“Muitas pessoas que estudaram línguas em uma escola tradicional por anos ainda não conseguem ter uma conversa básica. O problema com o sistema de ensino tradicional é que falta o elemento mais importante da aprendizagem de línguas: as pessoas. Aqui você entra em contato com nativos para avaliar sua língua e pode trocar outras experiências”, avalia.

E não foram apenas os brasileiros que correram para aperfeiçoar outras línguas pegando carona nos eventos esportivos de 2014 e 2016. Cranwell conta que o evento fez aumentar o interesse de estrangeiros em aprender o português no Italki, embora o número de professores nativos ainda seja considerado baixo, apenas 50.

Para iniciantes, intermediários ou para todos?

Como já tinha um conhecimento intermediário da língua inglesa, Bárbara e Santos encontraram nas redes sociais uma forma mais prática de estudar idiomas. Mas e para quem ainda é mero iniciante?

“Poder servir para todos os níveis. Vai depender do design do curso e do suporte que é dado ao aprendiz. Acho importante ressaltar que cabe ao interessado a escolha pela modalidade que lhe agrada mais. O que é bom para um pode não funcionar para outra pessoa”, diz Vera.

No caso do Busuu, Niesner afirma que a rede é “para todos”. “Oferecemos cursos em doze línguas de níveis A1-B2 (básico ao intermediário avançado), de acordo com a CEFR (Common European Framework of Reference)”. O CEFR é um documento que tenta universalizar a descrição de desempenho linguístico de quem está aprendendo inglês, ou seja, funciona como uma referência do que o aluno deve saber após um determinado período de estudo, avaliando se o aprendiz é capaz de se virar bem sozinho.

Para Cranwell, quem tem um pouco mais de conhecimento aproveita melhor a opção das redes. “Para nós, a aprendizagem de línguas sociais é melhor para as pessoas que tenham atingido pelo menos um nível básico ou intermediário. Não é fácil, embora ainda possível, ter uma conversa logo no início da aprendizagem de uma língua”, comenta ele.

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