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É necessário debater se nome de presidente da ditadura permanece

Lucas Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

15/04/2014 12h18

No ano em que o golpe militar completa 50 anos, setores da sociedade pedem que nomes ligados ao regime deixem de figurar em ruas, pontes e escolas.

Uma escola pública da Bahia trocou o presidente Emílio Garrastazu Médici pelo fundador da ALN (Aliança Libertadora Nacional) Carlos Marighella, um dos opositores da ditadura. Durante o processo, houve votação para a escolha do novo nome: Marighella e o geógrafo Milton Santos. Ganhou o primeiro.

Albene Klemi, professora de história do Brasil República da UnB (Universidade de Brasília), avalia positivamente o processo de troca que ocorreu no colégio de Salvador. Ela acredita que a comunidade escolar deve ser ouvida para saber se a homenagem está incomodando.

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"Temos que analisar quando essas homenagens foram feitas. Durante o período da ditadura? Certamente eram pessoas que ainda estavam vivas. Muitas ainda na presidência", analisa. "É necessário ver por que houve essas homenagens e se elas se justificam".

Para o professor de política da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Bauru, Jefferson Oliveira Goulart, os 50 anos do golpe colocam o período em revisão e é natural que haja expectativa de certa parcela da sociedade por atitudes simbólicas – como a mudança do nome.

"Esse debate coloca um dedo na ferida em relação aos termos em que nós promovemos nossa transição para a democracia, empurrando para debaixo do tapete muito da sujeira da ditadura militar", opina.

Sem demonizar

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Independentemente do nome da unidade escolar, é natural que os alunos fiquem curiosos em saber um pouco mais sobre a história do personagem histórico homenageado. Tratando-se de figuras polêmicas, o importante é oferecer um panorama crítico com interpretações que permitam não se restringir a heróis e vilões, acredita Goulart.

"Desse ponto de vista, não significa simplesmente demonizar os personagens. É preciso ter um esclarecimento sobre o que eles deixaram e construíram historicamente, seu legado", afirma.

Para Klemi, da UnB, as escolas devem ensinar o período dentro de um debate da historiografia: "O que foi esse período? Foi uma ditadura? Se foi, por que foi? Teve pontos positivos, pontos negativos? Mesmo se tratando da ditadura, tem que se fazer toda essa problematização com base em fontes e informações."

Levantamento

O UOL fez um levantamento, com base nos dados do Censo Escolar 2012, que mostrou que 717 escolas ativas com ensino regular possuem o nome de um dos cinco presidentes da ditadura militar.

Do total, 697 colégios são públicos e apenas 20 particulares. O marechal Humberto de Alencar Castello Branco (1964-1967) é o militar que conta com o maior número de homenagens: 347 instituições de ensino básico têm o seu nome.

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