PUBLICIDADE
Topo

Funcionários filmam aluno quebrando escola; especialistas comentam

Marcelle Souza e Karina Yamamoto

Do UOL, em São Paulo

28/10/2015 13h30Atualizada em 28/10/2015 17h17

O vídeo de uma criança quebrando uma sala de uma escola gerou debates nas redes sociais. Nas imagens, gravadas por funcionários da instituição, o menino, que aparenta ter seis ou sete anos, tenta quebrar cadeiras e joga os materiais didáticos no chão. Enquanto isso, os servidores dizem que vão impedi-lo e ameaçam chamar a polícia e os bombeiros. Não é possível identificar no vídeo em que escola e qual foi o contexto em que o fato ocorreu.

Até 13h30 desta quarta-feira (28), o vídeo tinha 4.299.967 visualizações no Facebook.

Para Silvia Colello, professora da psicologia da educação da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), os funcionários da escola agiram errado nas imagens. "Primeiro, eu tentaria impedir esse comportamento inadequado e tentaria acalmá-lo", diz. "Ao apontar o dedo e não impedi-lo, eles estão reforçando um comportamento inadequado. Não há, no vídeo, nenhuma tentativa de dialogar".

Ela afirma que o mais importante seria tentar conversar, saber os motivos da agressividade e responder com calma, para que o menino se sentisse acolhido para falar do seu problema. "Eu acho que a gente teria que se colocar ao lado desse menino. Por que ele está fazendo isso? Por que ele tem o desejo de destruir a escola? Essa atitude me mostra que ele não tem vínculo nenhum com a escola, vínculo nenhum com as professoras", explica Colello. "Eu entendo que muitas vezes os educadores estão despreparados, em crise, mas escola não pode se esquecer do seu papel é educar e dialogar".

A pedagoga e terapeuta familiar Maria Goreti da Silva da Cruz concorda com Colello que a reação dos adultos está equivocada. "Isso não é uma atitude educativa. Para uma criança desse tamanho [que deve ter por volta de seis anos], a mensagem tem que ser clara: 'aqui você não vai fazer isso', 'isso aqui é uma escola e é sua também'", diz a educadora, que já passou por situações semelhantes. Ela explica que ao dizer "isso! tomba!' quando ele jogar as coisas, os adultos estão quase incentivando que ele continue agindo daquela maneira.

"O melhor é chamar a atenção da criança, se abaixar, olhar nos olhos dela e dizer que não pode fazer aquilo", diz Cruz, que é faz doutorado na Escola Paulista de Enfermagem da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Ela chama a atenção para o fato de não termos o contexto completo da situação: nem o que motivou o ataque do menino ou as circunstâncias que originaram a situação. "Eles agem de maneira correta ao não conter a criança fisicamente, porque pode ser interpretado como agressão, mas poderiam pegá-lo pela mão [para chamar para uma conversa]", diz.

A professora da USP ainda afirma que a escola muitas vezes age de forma autoritária e os funcionários esquecem que não é a criança que deve se adaptar à escola, mas sim o contrário. "Esse aluno não é um monstro. Ele é muito pequeno, e o modo de agir das crianças muitas vezes é uma resposta estranha para coisas que eles não sabem verbalizar", diz a pedagoga da USP. Colello diz que é necessário saber qual é o contexto tanto da situação quanto da vida do aluno dentro e fora da escola.

Cruz diz que a escola precisa chamar a família da criança para dialogar e, se necessário orientá-la a buscar serviço de atedimento piscológico -- e não chamar os bombeiros ou a polícia: "se a escola não sabe o que fazer, a polícia vai saber?"