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Servidor da Casa Civil é o novo presidente do Inep, responsável pelo Enem

Alexandre Ribeiro Pereira Lopes, novo presidente do Inep - Divulgação/Arquivo Pessoal/MEC
Alexandre Ribeiro Pereira Lopes, novo presidente do Inep Imagem: Divulgação/Arquivo Pessoal/MEC

Ana Carla Bermúdez e Nathan Lopes

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

17/05/2019 09h07Atualizada em 17/05/2019 10h58

O novo presidente do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais) na gestão de Jair Bolsonaro (PSL) será Alexandre Ribeiro Pereira Lopes. Anunciado pelo MEC (Ministério da Educação), Lopes substituirá Elmer Vicenzi, que foi demitido ontem após atritos com a procuradora-chefe. Essa é a terceira troca feita pelo governo Bolsonaro no comando do instituto em cinco meses.

Lopes era, desde janeiro, diretor legislativo na secretaria executiva da Casa Civil. Na pasta, ele tinha a função de acompanhar a sanção e o veto de projetos de lei enviados pelo Congresso Nacional, além de acompanhar proposições de interesse da Casa Civil, como medidas provisórias e projetos de iniciativa do governo.

Segundo informações do MEC, ele é servidor público da carreira de Analista de Comércio Exterior desde 1999, formado em engenharia química pela UFRJ e em direito pela UnB.

O novo presidente do Inep. órgão responsável pela realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). já ocupou outros cargos na administração pública. Ele foi secretário de Gestão Administrativa e Desburocratização e subsecretário de Políticas Públicas do governo do Distrito Federal.

Ele é engenheiro químico formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1996. Ele também é bacharel em Direito pela UnB (Universidade de Brasília).

Vicenzi ficou menos de um mês na presidência do Inep

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Saída após atritos

Uma disputa de poder no Inep levou à demissão ontem do presidente da autarquia, Elmer Vicenzi. A assessoria do MEC (Ministério da Educação) oficialmente diz que Vicenzi pediu demissão, sem detalhar a motivação.

O motivo da exoneração, entretanto, teria sido uma disputa com a procuradora-chefe do Inep, Carolina Scherer Bicca, segundo relataram ao UOL servidores do órgão. A demissão pegou muitos funcionários do Inep de surpresa.

O conflito aconteceu em torno de uma divergência sobre a transparência de dados do Inep sobre os estudantes do ensino básico e superior. Segundo o UOL apurou, Vicenzi era favorável ao uso dessas informações para a formulação de políticas públicas. Já a procuradora é contra.

Discordando de pareceres, decidiu retirar a função comissionada de um procurador. A decisão não teria sido respaldada por Carolina, que levou o assunto até o secretário-executivo do Ministério da Educação, Antonio Paulo Vogel. Em meio à disputa, os servidores relatam que Carolina teria dito que não aceitaria a mudança e que só ficaria no posto se Vicenzi deixasse o cargo. Vogel então optou por Carolina e o Ministério da Educação chancelou a demissão.

Esta foi a primeira baixa no alto escalão da gestão de Abraham Weintraub no comando do MEC. Ele assumiu a pasta em abril, no lugar do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, demitido após uma crise entre as alas ligadas aos militares e ao escritor Olavo de Carvalho.

Terceiro escolhido por Bolsonaro em 5 meses

Antes de Vicenzi, o presidente do Inep era Marcus Vinicius Rodrigues, que foi demitido por Ricardo Vélez Rodríguez, ex-ministro da Educação, após cancelar a avaliação federal de alfabetização de crianças.

No início do governo Bolsonaro, a presidência era ocupada por Maria Inês Fini, que foi exonerada no dia 14 de janeiro, mas ela havia sido nomeada pela gestão Michel Temer (MDB).

A primeira mudança no comando do órgão veio depois de Bolsonaro ter criticado o Enem do ano passado por ter trazido uma pergunta que citava o "dialeto secreto" de gays e travestis. Segundo o presidente, a questão não media "conhecimento nenhum".

O Enem 2018 trazia um texto sobre o "pajubá, o dialeto secreto dos gays e travestis" e questionava o candidato quanto aos motivos que faziam a linguagem se caracterizar como "elemento de patrimônio linguístico". Na época da prova, em novembro, o Inep não quis comentar as críticas de Bolsonaro.

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