Topo

Esse conteúdo é antigo

Vélez diz que "escorregou" ao dizer que brasileiro viajando é um canibal

DO UOL, em São Paulo

25/06/2020 12h08

O ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez admite que errou ao dizer que o brasileiro viajando lembrava um canibal. Em declaração ao UOL Entrevista hoje, o filósofo e professor disse que "escorregou" ao dar "um exemplo errado na hora errada" quando ainda estava no comando da pasta.

"Se tem uma coisa que não tenho dificuldade de praticar é o arrependimento quando sei que errei. Essa dos canibais foi uma escorregada ruim porque comprometeu uma entrevista que foi positiva em outros aspectos. Citei um exemplo errado na hora errada", disse, em entrevista conduzida pela repórter Ana Carla Bermúdez e pelo colunista Tales Faria.

A declaração polêmica de Vélez foi concedida em fevereiro de 2019, no começo do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Na entrevista à revista Veja, ele utilizou como exemplo adolescentes que viajam para o exterior para defender a educação moral e cívica

"O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assentos salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola", disse, na época.

Apesar do arrependimento com o exemplo, Vélez acredita que a implementação de escolas cívico-militares ainda é um assunto importante no Brasil.

"Quando se estabelece uma escola cívico-militar, o traficante desaparece das imediações. A tranquilidade torna mais fácil o trabalho pedagógico, além de fato de ser mais fácil ser incluído no currículo dessas escolas o ensino da disciplina educação cívica, Nós deveríamos retomar esse ensino não só nessas escolas, mas em todas, a chamada escola para cidadania", disse.

Ainda sobre o assunto, Vélez disse que se arrependeu de propor a filmagem de crianças cantando o Hino brasileiro na escola. "Isso foi ruim, mandei tirar essa parte imediatamente. Os que reclamarem tinham razão, mas queria manter a educação cívica", afirmou.

*Texto de Afonso Ferreira, Fábio Castanho e Wanderley Preite Sobrinho. Produção de Diego Henrique de Carvalho.