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Decotelli chama nota da FGV de fake, mas diz ser inviável continuar no MEC

Jair Bolsonaro e Carlos Alberto Decotelli, que deixou o Ministério da Educação                      -                                 REPRODUçãO
Jair Bolsonaro e Carlos Alberto Decotelli, que deixou o Ministério da Educação Imagem: REPRODUçãO

Do UOL, em São Paulo

30/06/2020 18h11

Agora ex-ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli confirmou a sua saída do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após "inconsistências" apresentadas em seu currículo, e chamou a nota da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de "fake".

Na nota, divulgada ontem à noite, a FGV diz que Decotelli não foi pesquisador ou professor da instituição, diferentemente do que constava em seu currículo. Após repercussão, Bolsonaro chamou Decotelli para uma conversa no Palácio do Planalto, em Brasília, mas decidiu pela demissão do ministro.

"Eu sou um profissional de gestão, de integração, de diálogo, eu sou de ambiente de sala de aula. Por esse aspecto, eu então aceitei a proposta do presidente Bolsonaro. Agradeci a sua confiança e comecei a desenhar então um projeto para implementar no MEC. Esse projeto, porém, foi questionado pelo fato da minha inconsistência curricular. Inconsistências, essa, que no mundo acadêmico são explicáveis", minimizou Decotelli em entrevista à CNN Brasil.

"Mas a estrutura pela qual a destruição da continuidade veio pelo fato da construção fake da FGV divulgar que eu nunca fui professor da Fundação... O presidente me chamou e disse: 'Se até a FGV, onde o senhor trabalha há 40 anos, está negando que o senhor é professor, então aí é impossível o governo continuar sendo questionado pelas inconsistências de seu currículo'", narrou, em seguida, em relação ao encontro com Bolsonaro.

"Eu queria que perguntassem a Getúlio Vargas por que ela fez essa carta de destruição e inverdadeira... Eu pediria aos meus alunos da Getúlio Vargas dissessem que têm o meu nome no certificado. Eu queria que os meus colegas da Fundação Getúlio Vargas dissessem também 'Decotelli é, sim, professor da Getúlio Vargas'", completou, em seguida.

O UOL enviou pedido de comentários à instituição de ensino e aguarda o seu posicionamento.

À CNN, a assessoria disse em nota. "A FGV reitera as informações divulgadas anteriormente referentes à dissertação do professor Decotelli. Conforme praxe do meio acadêmico, a FGV vai criar então uma comissão específica para apurar os fatos."

Acusações em vida acadêmica

Nos últimos dias, Carlos Decotelli virou alvo de uma série de acusações envolvendo indícios de plágio e fraude em sua vida acadêmica.

Ontem, o presidente chamou Decotelli para uma primeira conversa e postou nas redes sociais que o economista estava sendo vítima de críticas para desmoralizá-lo.

Mas deu um recado: "O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco". E não indicou que haveria a posse no cargo, anteriormente marcada para esta terça. Decotelli saiu da reunião dizendo que era o ministro da Educação.

Segundo fontes ouvidas pelo Estadão, no entanto, o fato de Decotelli ser contestado agora por uma instituição do País o fragilizou.

Na semana passada, ele já havia sido questionado por Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, que disse que Decotelli não conclui o doutorado.

Ontem, a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, também afirmou que ele não fez pós-doutorado na instituição. Decotelli mudou seu currículo na plataforma Lattes depois dos questionamentos.

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