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Enem 2020 tem 1º dia tradicional e sem polêmicas, mas com questões atuais

Enem 2020; veja fotos

Guilherme Botacini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/01/2021 21h10

O primeiro dia de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi tradicional na avaliação de professores de cursinho ouvidos pelo UOL, embora a temática de algumas questões tenha sido bastante atual.

Seis questões trataram diretamente sobre a desigualdade de gênero, como uma que trouxe a desigualdade salarial entre os jogadores de futebol Neymar e Marta.

Outra questão falou sobre uma música de MC Fióti, "Bum Bum Tam Tam", a partir de uma reportagem feita em 2018.

Temas mais tradicionais também tiveram espaço na prova, como perguntas que trataram da balança comercial entre Brasil e China, da Revolução Francesa e de funções da linguagem.

"Foi uma prova tradicional, com conteúdo dentro do esperado e grau de dificuldade equilibrado. O destaque esteve nas temáticas", afirmou Fernando da Espiritu Santo, gerente de inteligência educacional e avaliações do Poliedro.

Com 45 questões objetivas de ciências humanas e linguagens, além da redação, o primeiro dia de prova começou às 13h30 e terminou às 19h.

Como um balanço geral, houve 51,5% de abstenções, o estado do Amazonas teve o exame suspenso pela Justiça e alunos foram barrados devido ao limite de ocupação de 50% da capacidade máxima de cada sala.

O chamado ensalamento, que define quantos candidatos farão a prova em cada sala e aloca candidatos com necessidades especiais, é de responsabilidade do próprio Inep, apontado pela Defensoria Pública da União de ter mentido sobre as medidas de segurança adotadas.

O tema da redação

"O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira" foi o tema escolhido e não surpreendeu professores de cursinho.

"Foi um tema bem trabalhado em sala de aula e possibilitou que o aluno colocasse em discussão aspectos que estiveram em alta durante o ano passado", diz Maria Catarina Bózio, coordenadora de redação do Poliedro.

Além do agravamento de distúrbios mentais durante a pandemia, o aluno poderia trazer para o texto discussões recentes sobre o papel do Estado e do SUS na saúde mental. Em dezembro do ano passado, o governo federal propôs revogar uma série de portarias que tratam da saúde mental.

Também o preconceito ligado às doenças mentais no mercado de trabalho poderia ser discutido.

"É um ponto relevante, as pessoas perdem empregos ou deixam de ser contratadas porque distúrbios mentais são considerados erradamente menos importantes que distúrbios físicos", diz Thiago Braga, professor do Sistema de Ensino pH.

Ciências humanas

A prova de história teve questões clássicas e perguntou sobre a Revolução Francesa, Grécia, o Código de Hamurabi e a presença da Companhia de Jesus no Brasil, entre outros temas. "A prova seguiu o padrão dos últimos anos. Apareceram temas clássicos e sem não houve questões polêmicas", afirmou Robson Santiago, professor do Objetivo.

O século 20, no entanto, figurinha fácil de vestibulares, pouco apareceu na prova. Temas clássicos como a era Vargas e a ditadura militar não foram exigidos.

As questões de geografias foram bastante diversas, segundo o professor Eduardo Brito, também do Objetivo. Isso porque a prova tratou de problemas típicos do país, como a estrutura fundiária e a infraestrutura logística, mas também de temas recentes, como o toyotismo e a globalização.

Não foi uma prova, no entanto, em que bastava ao aluno interpretar os textos.

Antes, o aluno lia o texto e conseguia depreender a informação dali, sem precisar de uma carga maior de conhecimento. Agora a prova está mais conteudista, exige conhecimento geográfico.
driano Bezerra, professor de geografia do Sistema Farias Brito

As seis questões de filosofia também exigiram do candidato um conhecimento mais robusto sobre escolas filosóficas que não estavam necessariamente nos textos. Apareceram temas como o existencialismo, a fenomenologia, o empirismo e o idealismo.

Linguagens e códigos

As questões de linguagens e códigos também não tiveram grandes surpresas. "Foi uma prova esperada e clássica do Enem, sem polêmicas. Uma prova honesta, bem feita e bem estruturada", afirmou Marcelo Maluf, professor de literatura da Oficina do Estudante.

A prova de linguagens e códigos do Enem também é um momento em que o aluno vai se deparar com formas diversas de linguagem para além do texto, como as artes plásticas e esportes, e pedia compreensão das variantes linguísticas, segundo Serginho Henrique, professor de português do Objetivo.

"Não quer dizer que foi uma prova fácil, porque exigiu muita leitura, interpretação de texto e bastante atenção do aluno", disse.

A prova de inglês tratou de temas atuais sob diversos gêneros diferentes, como poemas, cartazes e literatura. Alguns temas tratados foram a desigualdade de gênero, a imagem da mulher negra e refugiados.

"O nível de vocabulário foi médio. Uma questão, que trazia um poema, tinha palavras mais complexas, mas não comprometeu a compreensão do aluno", diz Raissa Shiraishi, do Objetivo.

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