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SP investiga 39 mortes de profissionais da Educação e alunos por covid-19

12.abr.2021 - Poucos alunos apareceram nas primeiras horas da aula presencial na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza, no Lajeado, em São Paulo - Ana Paula Bimbati/UOL
12.abr.2021 - Poucos alunos apareceram nas primeiras horas da aula presencial na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza, no Lajeado, em São Paulo Imagem: Ana Paula Bimbati/UOL

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

07/05/2021 16h55

O governo estadual de São Paulo investiga 39 mortes por covid-19 entre profissionais da Educação e alunos da rede. As informações fazem parte do 2º Boletim Epidemiológico com dados do coronavírus nas escolas, divulgado hoje pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, e pelo coordenador da Comissão Médica da Educação de São Paulo, Wanderson Oliveira.

As secretarias da Saúde e da Educação querem saber se essas pessoas que morreram em decorrência da covid-19 frequentaram ambiente escolar presencial. "Nós fizemos uma análise preliminar e verificamos que tem erro de preenchimento. Tem pessoas que não fazem parte da escola e estão registradas", disse Oliveira. "Pode estar acontecendo em outros registros, por isso pedimos que a avaliação desses casos seja feita muito detalhadamente e isso já está sendo providenciado."

Das mais de 5 mil escolas da rede estadual, Rossieli afirmou que apenas uma, no interior, está fechada por uma semana por causa de casos do coronavírus.

Durante a coletiva de imprensa, o coordenador da comissão médica informou também sobre as novas classificações dos casos de coronavírus feitas dentro do Simed, sistema criado pela Secretaria da Educação para o controle das infecções na rede.

Diferente da classificações padrões, divulgadas pelo governo estadual toda semana, no sistema da Educação há 5 tipos de casos:

  • confirmado,
  • provável,
  • inconclusivo,
  • descartado e
  • em investigação.

Foram mais de 28 mil casos registrados do dia 3 de janeiro a 1º de maio. Hoje, a pasta não divulgou casos confirmados.

Questionado sobre a classificação ser diferente, Oliveira afirmou que cabe à pasta da Saúde confirmar a situação de cada caso.

"A pessoa que registra na escola essas informações é leiga, ela não é da área da saúde. Quem tem que classificar esses casos, concluir é a Saúde", argumentou Oliveira. "Por isso, a comissão orientou que se estabeleça esse procedimento. Essa é uma definição operacional [uso do caso provável], a resposta final é da Saúde."

Dos 28 mil casos, a pasta informou que 5.621 são prováveis, ou seja, que tiveram o resultado positivo do exame RT-PCR ou do antígeno. No estado de São Paulo, no mesmo período, foram registrados mais de 1,4 milhão de casos.

Segundo Oliveira, a incidência no estado entre professores é de 1.229 mil para cada 100 mil. Na população total do estados, a taxa é de 3.132 casos para cada 100 mil habitantes. A gestão de João Doria (PSDB) vê "similaridade", quando o índice é comparado com a população total do estado.

Proporcionalmente, nós temos uma paridade, há uma similaridade. [...] A escola vai ter padrões similares àqueles observados na comunidade, ela não está isenta, vai continuar tendo casos, eventualmente ela vai ter casos, mas espera-se que estas proporções não distam tanto daquilo que é observado na comunidade. O que estamos observando é que realmente está mantendo um padrão similar àquilo que foi observado na comunidade.
Wanderson Oliveira

    Para que um caso seja registrado como válido no sistema da Educação, é necessário que o contaminado seja professor, aluno ou servidor da rede. Além disso, ele precisa ter apresentado dois ou mais sintomas (febre, calafrio, dor de garanta ou cabeça, tosse, coriza, perda do olfato ou paladar, por exemplo). A última condição é que o contaminado tenha ido à escola dentro do período de 14 dias.

    Mesmo com essa série de informações, a comissão médica percebeu erros no preenchimento dos dados e, por isso, orientou a pasta da Educação e da Saúde a garantir que o CPF de uma pessoa seja consultado na base de dados das duas secretarias. Prevalece sempre a informação da Secretaria da Saúde.

    No caso de pessoas com menos de dois sintomas, a rede faz um procedimento chamado de "rastreamento de contato". Se o profissional ou aluno teve contato com alguém da comunidade escolar, espera-se o resultado do RT-PCR, sendo positivo, ele também entra no registro da Simed.

    Mudanças nas regras para atendimento dos alunos no presencial

    O secretário Rossieli afirmou que a pasta tem estudado mudar a regra de capacidade de atendimento. Hoje, as escolas estão autorizadas a receber até 35% dos alunos matriculados.

    Segundo o chefe da Educação do estado, a ideia é mudar para capacidade de estrutura. "Hoje atendemos pela capacidade de matrícula. Mas às vezes a escola tem capacidade para mil e tem 200 alunos, logo poderia atender todos os estudantes", exemplificou. "Estamos estudando esse tipo de mudança."