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Ensino superior privado tem queda de 8,9% em matrículas, diz pesquisa

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Imagem: iStock

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

08/06/2021 12h29Atualizada em 08/06/2021 12h29

Durante o primeiro semestre de 2021, o ensino superior da rede privada teve uma queda de 8,9% nas matrículas em cursos presenciais. A rede privada é responsável por 75,8% das matrículas de graduação. Os dados fazem parte do Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgado hoje pelo Instituto Semesp, entidade que reúne mantenedoras de ensino superior no Brasil.

Segundo o estudo, as matrículas presenciais têm registrado queda desde 2016. Enquanto isso, as matrículas em cursos à distância aumentaram 9,8% no primeiro semestre deste ano. Para o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o setor segue uma "tendência apontada nos últimos anos".

Apesar do aumento de matrícula nos cursos de educação à distância, Capelato reforça que o crescimento nessa modalidade não "impulsiona a taxa de escolarização líquida", já que o EAD atrai um público mais velho, de 30 a 44 anos. Já o presencial, atrai, em sua maioria, jovens de até 24 anos.

"Essas mudanças que estamos vivendo possibilitam um novo tipo de curso, com foco no presencial somente para as aulas práticas, investimentos em laboratórios", afirma o diretor-executivo, se referindo a um ensino que mescle o presencial com a distância.

O Plano Nacional de Educação prevê atingir até 2024 33% de taxa de escolarização líquida — ou seja, jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior —, no entanto, hoje essa taxa é de 18,1%, quando usamos o valor bruto é de 35,9%. "Apesar de termos uma média de 2 milhões de concluintes (foi 1,9 milhão em 2019) no ensino médio anualmente, eles não chegam até o ensino superior ou evadem antes do fim do curso", explica o estudo.

Evasão no ensino superior

A pesquisa também trouxe dados de evasão dos alunos que participam de programas de acesso ao ensino superior ou não. Para o estudante que utiliza o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), por exemplo, a taxa de evasão ficou em 6,4%, e para o aluno que tem Prouni, programa que oferece bolsas em universidades privadas, o índice é de 8,8%.

Os estudantes que entram sem programas sociais têm uma taxa de evasão de 26,2%

"O aluno que ingressa com Fies ou Prouni entra mais vocacionado, escolhendo o curso e a instituição que quer cursar, daí a menor evasão. Sem programas de financiamento a evasão é maior porque o estudante escolhe pela facilidade de ingresso e pelo preço do curso, sem levar em consideração a vocação", explica o diretor-executivo.

Capelato também apontou para a importância de políticas públicas de acesso "mais eficientes e que diminuam essa diferença entre o número de vagas ofertadas e preenchidas em programas como o Fies e o ProUni".