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São Paulo perseguiu cristãos e virou símbolo da igreja; saiba a história

São Paulo: conheça a história do santo e veja a oração - Paolo Gaetano/Getty Images
São Paulo: conheça a história do santo e veja a oração Imagem: Paolo Gaetano/Getty Images

Marheus Adami

Colaboração para UOL

29/06/2021 04h00

São Paulo é tão grande que uma festa só não é suficiente. O santo que dá nome à maior cidade do Brasil tem uma das festas litúrgicas no dia 25 de janeiro — não à toa, data do aniversário da cidade - e outra neste 29 de junho, comemorada junto de São Pedro e parte das festas juninas.

O dia 29 de junho encerra o ciclo junino iniciado no dia 13, com Santo Antônio e que contou também com a festa de São João, no dia 24. Por que, então, Paulo tem duas festas?

A primeira delas, em 25 de janeiro, celebra a conversão do futuro São Paulo, episódio de grande importância para os cristãos. Já o dia 29 de junho seria a data da morte do santo, que, de acordo com a tradição, teria ocorrido no ano 67 d.C., embora não exista confirmação do dia e ano exatos.

Paulo perseguia cristãos

Paulo, também conhecido como Saulo, teria nascido em Tarso, região do Império Romano que hoje pertence à Turquia. Assim como Jesus Cristo, ele era judeu — mas as semelhanças param por aí. O futuro São Paulo pertencia a um grupo judaico conhecido como fariseus e isso gerou problemas para os primeiros seguidores de Jesus.

"Jesus pregava uma espécie de reforma no judaísmo, digamos assim. Era uma religião muito presa a normatismos, moralismos e Jesus via que isso não libertava o homem, mas sim o aprisionava. E o judeu mais convicto, como Paulo, não aceita isso", analisa Fábio Enrique de Souto, padre e professor da Universidade Católica de Brasília.

"Paulo perseguia cristãos porque não entendia, ainda, a messianidade de Jesus, que Jesus era o Messias esperado por Israel", completa Felipe Cosme Damião Sobrinho, padre e professor na faculdade de teologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Um fato foi fundamental para Paulo deixar a perseguição de lado. Em uma data entre os anos 33 e 36, Paulo viajava de Jerusalém a Damasco, atual capital da Síria, com o objetivo de prender cristãos.

Chegando ao destino, o futuro santo teria tido uma visão de uma luz tão brilhante que ficou cego por três dias. Paulo, então, ouviu Jesus lhe perguntando o motivo da perseguição e lhe instruindo a entrar na cidade. Um homem chamado Ananias se encontrou com Paulo, em Damasco e o fez voltar a ver.

"A partir da experiência de Damasco e a conversão dele, vemos em Paulo a transformação da mentalidade, fazendo dele um corajoso pregador, fundamental para o estabelecimento do cristianismo primitivo", acrescenta Sobrinho.

São Paulo divulgou Jesus fora da Palestina

A conversão de Paulo fez com que ele iniciasse uma série de pregações sobre Jesus. E o futuro santo era itinerante. Ele viajou muito, dentro e fora da região da Palestina.

"Paulo é um grande missionário e leva a palavra às colônias romanas na Ásia Menor. É Paulo que se torna anunciador de Cristo para os não judeus, que eram chamados de pagãos. É ele que dilata o cristianismo para fora do judaísmo", afirmou Sobrinho.

Isso não passou despercebido às autoridades, Paulo, antes da conversão, perseguia as pessoas que faziam exatamente a função que ele, agora, exercia. Na época, a religião era permitida desde que não interferisse na vida do Estado.

"A perseguição era pelo anúncio explícito de Deus e do Reino de Deus. Eles entendiam isso como uma estrutura política, acima de César. Uma incompreensão, talvez, como algo acima do Império Romano", aponta Sobrinho.

O cenário só iria se tornar a favor dos cristãos séculos mais tarde. Em 325, por meio do imperador Constantino, foi concedida liberdade de culto aos cristãos. Por fim, em 380, o imperador Teodósio fez do cristianismo a religião oficial do Império Romano.

Paulo não viveu tanto. Ele teria sido morto em Roma por volta do ano 67, decapitado durante o reinado do imperador Nero.

São Paulo: comunicador e escritor de cartas

Uma olhada atenta ao Novo Testamento da Bíblia constata que a influência de Paulo ficou registrada para a posteridade. O santo é o autor de diversas cartas — chamadas de epístolas.

"Paulo tem uma história muito peculiar. Ele não foi escolhido entre os 12, ele nem chegou a encontrar o Jesus histórico. Ele era um perseguidor. E tudo indica que ele era um homem muito culto, tido como um intelectual. Ele não é padroeiro de nada oficialmente. O que temos de Paulo é ele ser padroeiro das comunicações, por ele ter escrito muitas cartas", explica de Souto.

Santo e a cidade de São Paulo

As viagens de Paulo e o papel do apóstolo como grande divulgador do cristianismo inspirariam, anos depois, os padres jesuítas que colonizaram o Brasil a partir de 1500. Não é por acaso que a cidade de São Paulo tem este nome, já que foi fundada em 25 de janeiro, data atribuída à conversão do santo.

"A escolha foi por causa do significado teológico. Hoje, para nós, a separação entre vida civil e religiosa é muito clara, mas naquela época as coisas se fundiam", diz Valéria Rocha Torres, doutora em ciências da religião pela PUC-SP, mestre em história pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e professora da Unipinhal (Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal).

"E os jesuítas montaram no Pátio do Colégio uma estrutura para catequizar os índios. E Paulo fez exatamente isso. Paulo foi o símbolo do processo catequético dos gentios", concluiu.

Oração de São Paulo

Conheça uma oração a São Paulo feita pelos católicos:

"Ó glorioso São Paulo Apóstolo, que de perseguidor dos cristãos vos tornastes grande apóstolo, fazei que vivamos na fé e nos salvemos pela caridade que praticamos.

Que possamos por vossa intercessão conhecer, amar a Deus e assim seguir melhor Jesus Cristo. Suscitai muitos Santos Apóstolos, concedei-nos por vossa ajuda a graça da conversão diária e a sermos defendidos de toda a cilada do inimigo. Concedei-nos especialmente (faça seu pedido), graça de que tanto precisamos. Amém!"