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Santo Antônio: santo casamenteiro detém até recorde na igreja; conheça

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Imagem: iStock

Matheus Adami

Colaboração para o UOL

13/06/2021 04h00Atualizada em 14/06/2021 12h57

Mesmo quem não é católico já ouviu falar de Santo Antônio. Afinal, além de ser o santo que abre as comemorações das festas juninas —a data do Dia de Santo Antônio é neste domingo, 13 de junho—, ele carrega a fama de ser o "santo casamenteiro".

Mas Santo Antônio é muito mais do que isso. Conhecido como Doutor da Igreja e teólogo renomado, o religioso é "disputado" por duas cidades de países diferentes. Mais: até os dias atuais, detém o recorde de santo com a canonização mais rápida da história da Igreja Católica.

Além disso, lança as chamadas festas juninas, tradição portuguesa que está estabelecida no Brasil há gerações. A festa do santo é comemorada em 13 de junho. Seguem-se as festas de São João (em 24 de junho), São Pedro e São Paulo (ambas em 29 de junho).

Santo Antônio de Lisboa x Santo Antônio de Pádua

A data de nascimento de Santo Antônio é incerta. Tradicionalmente, costuma-se dizer que o religioso veio ao mundo em 15 de agosto de 1195. O local de nascimento, contudo, é certeiro: Lisboa, em Portugal. Santo Antônio, curiosamente, não se chamava "Antônio". O nome de batismo do lusitano era Fernando de Bulhões.

A troca de nome aconteceria apenas mais tarde, quando Fernando ingressou na Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho. Ali, ele adotou o nome de Antônio, pelo qual seria conhecido até o fim da vida.

Santo Antônio de Lisboa também é "disputado" pela cidade de Pádua, na Itália. Isso porque, próximo ao fim da vida, o religioso foi para a Itália, onde morreu em 13 de junho de 1231.

Os restos mortais de Santo Antônio estão desde 1263 em uma basílica de Pádua, daí ser também conhecido como Santo Antônio de Pádua.

Canonização recorde

Se a morte de Santo Antônio aconteceu em 1231, a canonização foi logo no ano seguinte, em 30 de maio de 1232, pelo papa Gregório 9º. Os 11 meses passados entre a morte e a canonização do santo são, até hoje, recorde na Igreja Católica.

"Existem relatos de que já em vida ele teria realizado algum milagre, mas o que fez com que ele fosse canonizado em tempo recorde foi a fama de santidade. Era um místico por excelência, uma pessoa com experiência radical de Deus e a pregação dele chamava muito a atenção das pessoas,", explica Dayvid da Silva, professor e coordenador do curso de teologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Santo Antônio compartilha algo em comum com Santa Rita de Cássia: o corpo incorrupto, isto é, que sobrevive praticamente intacto à decomposição pós-morte. Enquanto a santa teve todo o corpo imune às ações do tempo, o santo português teve a língua conservada.

"Após a morte, quando exumaram o corpo para canonização, descobriram que a língua se encontrava incorrupta. São Boaventura, que estava presente no ato de exumação, disse que o milagre era prova de que a pregação de Santo Antônio era inspirada por Deus", aponta Silva.

Santo Antônio, o doutor

A fama de Santo Antônio como pregador transcende a vida do religioso português.

"Ele foi reconhecido por São Francisco de Assis. Os dois têm uma carta trocada, entre 1223 e 1224, em que São Francisco pede para Santo Antônio para que ele fosse professor da ordem, na formação de novos religiosos. Santo Antônio era teólogo, tinha formação avançada em teologia", diz o historiador Leandro Faria de Souza, doutor em ciência da religião pela PUC-SP.

Vale lembrar, aqui, que São Francisco de Assis é reconhecido como um dos grandes teólogos da história da Igreja Católica e fundador da Ordem dos Franciscanos. A ordem, inclusive, acolheu Santo Antônio.

A fama era tamanha que Santo Antônio recebeu o título de Doutor da Igreja em 1946, pelo papa Pio 12.

Santo Antônio: por que casamenteiro?

Se Santo Antônio era um pregador e teólogo renomado, de onde, então, vem a fama de casamenteiro do religioso? A resposta está em alguns fragmentos de fatos com ares de lenda.

"Dizem que um dos primeiros milagres dele foi na vida de uma jovem que estava sem dinheiro para se casar. E a jovem rezou para Santo Antônio e uma estátua dele teria dado à mulher um bilhete. No bilhete, estava escrito que era para levar o recado ao comerciante da cidade e era para o comerciante dar a ela, em moedas de prata, o peso do papel", conta Souza.

"O comerciante, então, pesou o papel e teve de colocar 400 moedas para equilibrar. Ele se lembrou de que havia feito uma promessa para Santo Antônio dessas 400 moedas e não tinha pago. Então, segundo a tradição, Santo Antônio cobrou", completa.

Também se fala que Santo Antônio, em vida, gostava de "juntar pessoas" que ele sentia que tinham algo em comum. E, também, que ele ajudava pessoas sem dinheiro a conseguir recursos para o casamento.

"Isso é muito forte no Brasil, mas em outros lugares ele é padroeiro de outras coisas: de idosos, marinheiros, grávidas", cita Silva.

Nas festas juninas, é comum ter um "bolo de Santo Antônio". A lenda popular diz que comer um pedaço do bolo aumenta as chances de a pessoa achar alguém para se relacionar no restante do ano. Em alguns lugares, é colocada uma medalhinha de Santo Antônio no bolo e quem encontrar a medalhinha arranjará um "par".

Oração de Santo Antônio

Confira uma oração a Santo Antônio praticada pelos católicos:

"Ó Santo Antônio, o mais gentil dos santos, teu amor a Deus e tua caridade com suas criaturas, fizeram com que foste digno de possuir poderes miraculosos. Motivada(o) por este pensamento, peço-te que? (formular o pedido).

Ó gentil e amoroso Santo Antônio, cujo coração estava sempre cheio de simpatia humana, sussurra minha súplica aos ouvidos do doce Menino Jesus, que adorava estar em teus braços. A gratidão do meu coração será sempre tua. Amém".