Conteúdo publicado há 7 meses

Universidade não pode parar, diz manifesto assinado por diretores da USP

Em meio à greve de estudantes, diretores da USP publicaram uma carta para declarar sua unidade em defesa da Universidade de São Paulo nesta sexta-feira (29).

O que aconteceu:

No manifesto, o grupo se posiciona "em defesa da Universidade e dos padrões pacíficos de convivência", e diz que "a universidade não para e não pode parar".

A carta reconhece a importância das pautas defendidas pelos estudantes, como a contratação de novos professores e apoio a estudantes em vulnerabilidade social. Entretanto, diz que algumas manifestações "não condizem com o ambiente acadêmico" e cita "interdições físicas" que causaram "constrangimentos a professores".

No texto, os professores ressaltaram que a USP "retomou a contratação de servidores técnicos e administrativos, com 597 novas vagas para contratações".

Estudantes pedem contratações de professores

A greve estudantil na Universidade de São Paulo (USP), que começou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) na semana passada, tem avançado por outras unidades ao longo desta semana.

Os alunos da Faculdade de Medicina votaram a favor da paralisação das aulas na quarta-feira (27). Na terça (26), foram os estudantes da Faculdade de Ciências Farmacêuticas que deram sinal verde à greve.

Estudantes da Faculdade de Direito e da Escola Politécnica, menos frequentes nas paralisações, também já entraram no movimento. Com isso, parte das unidades teve aulas suspensas nesta semana, houve barricadas e alguns professores relatam terem sido impedidos de entrar nos prédios para dar aulas.

O principal motivo da paralisação é o déficit de docentes na instituição, que perdeu cerca de 800 professores na última década. A reitoria tem afirmado que já aprovou o plano de reposição das vagas e aponta dificuldade de acelerar as contratações.

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Leia a carta na íntegra:

Diretoras e diretores da Universidade de São Paulo vêm a público declarar sua unidade na defesa da USP, manifestando-se sobre aquilo que lhes cabe gerir em seu cotidiano, sua realidade.
A USP é um patrimônio paulista e brasileiro. Ao longo de seus quase 90 anos de existência, vem formando milhares de profissionais em todas as áreas do conhecimento, em graduação e pós-graduação, produzindo pesquisas que têm impactado no desenvolvimento da sociedade, sendo referência nacional e internacional.
Como um todo, a USP é responsável por um quinto de toda a Ciência que se faz no Brasil. Não é por acaso que está entre as 100 melhores do mundo, ocupando a 85a posição no ranking mundial (2023).
Uma parte significativa desse processo é nosso alunado. Nos orgulhamos de formar cidadãos críticos e participativos.
Respeitamos a autonomia do movimento estudantil em nossa instituição, pois esse respeito é parte do nosso compromisso democrático.
Este mesmo espírito uniu toda a comunidade uspiana tantas vezes ao longo de sua história, para lutar por direitos e pela democracia.
Na última semana, a USP foi palco de diversas manifestações estudantis que afetam cerca da metade das escolas, faculdades, institutos e museus da Universidade.
Embora boa parte delas esteja ocorrendo de forma pacífica, algumas têm recorrido a expedientes que não condizem com o ambiente acadêmico, envolvendo interdições físicas que bloqueiam o acesso aos espaços da Universidade, em alguns casos acompanhadas por constrangimentos a professores, servidores técnico-administrativos e alunos.
As manifestações têm duas demandas principais: a contratação de docentes e a ampliação das políticas de apoio à inclusão de estudantes com vulnerabilidade socioeconômica. São demandas importantes e que inquietam a comunidade uspiana há anos.
De 2014 a 2022, a USP não conseguiu repor completamente o seu quadro de docentes e funcionários, e entre 2019 a 2022, os concursos para docentes foram interrompidos devido à pandemia ocasionada pela Covid-19.
A despeito disso, os servidores docentes e técnicos e administrativos se mantiveram firmes no propósito de garantir uma Universidade de classe mundial.
Por outro lado, as políticas de cotas nos exames vestibulares implantadas ao longo dos últimos anos aumentaram a proporção de alunos vindos de escolas públicas e de alunos pretos, pardos e indígenas, e é importante que este grupo tenha plenas condições de permanecer na Universidade com dignidade.
A direção da Universidade, seus diretores e a Reitoria, estiveram atentos a essas questões. Há vários anos a Universidade vem investindo na política de ingresso e permanência estudantil.
Mais recentemente, foi criada a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), com as respectivas Comissões de Inclusão e Pertencimento (CIP) nas Unidades.
No último vestibular, 54% dos alunos aprovados são provenientes de escolas públicas, com 27% de alunos pretos, pardos e indígenas, demonstrando a efetividade das políticas de inclusão no ingresso.
Para dar plenas condições aos estudantes em vulnerabilidade socioeconômica, a Universidade ampliou em 60% o investimento em bolsas e com reajuste de valores que não têm paralelo na história da Universidade.
Do mesmo modo, no último ano a atual gestão Reitoral implementou um programa ambicioso de renovação do quadro docente da Universidade, apoiado pelos Diretores de todas as Unidades, Institutos, Museus e membros do Conselho Universitário, com a distribuição de 879 novos cargos de docentes.
Apesar da longa tramitação dos concursos públicos para contratação de docentes, que duram cerca de 8 meses para serem concluídos, as contratações estão em franco progresso, com 240 novos docentes já contratados, que trarão grande renovação à Universidade, inclusive em novas áreas do conhecimento.
Além disso, a USP retomou a contratação de servidores técnicos e administrativos, com 597 novas vagas para contratações.
A Universidade é dinâmica. Não para e não pode parar.
A comunidade USP - dirigentes, docentes, servidores técnicos e administrativos, estudantes e demais colaboradores - está trabalhando intensamente para continuar construindo uma Universidade pública forte, formando gerações de cidadãos conscientes, profissionais competentes e pesquisadores dedicados, produzindo e disseminando conhecimento para termos uma sociedade cada vez melhor.

Estudantes respondem

Ao UOL, o Diretório Central dos Estudantes da USP, enviou uma nota, respondendo às afirmações dos professores:

A greve estudantil na USP não é subordinada aos ideais da burocracia universitária, mas sim às demandas dos alunos que entraram dentro da universidade e precisam das condições mínimas para se formar. Estamos na luta pela contratação de mais docentes e de funcionários e de mais permanência estudantil justamente porque defendemos a educação pública e para o povo, contra qualquer projeto de desmonte da universidade pública. Seguiremos exercendo o nosso direito de nos mobilizarmos e nos associarmos para exigirmos da reitoria e das diretorias aquilo que precisamos para permanecermos na USP. A greve geral só cresce, por todos os cursos e campi. Esse fato é a expressão dos problemas crônicos e estruturais da nossa universidade.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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