Enem: estudantes são excluídos por celular tocar alarme: 'Estava desligado'

Um barulho no celular foi o motivo para arruinar um ano de estudos para alguns estudantes que prestaram o Enem no último domingo (5). E a culpa, aparentemente, é de um modelo de telefone cujo alarme é acionado, mesmo com o aparelho desligado.

Por volta das 18h15, quando terminava de preencher a folha de respostas, o celular de Davi Matos, 20, que mora em Sergipe, começou a tocar —o alarme tinha sido configurado para lembrá-lo de um dia de jornada noturna como almoxarife em uma destilaria de álcool. A fiscal, então, chamou uma coordenadora que, em seguida, o excluiu do exame.

"Ainda tentei argumentar que o celular estava desligado quando coloquei no porta objetos, mas de nada adiantou", contou ele ao UOL.

Ele tentava uma vaga de Sistema de Informação na Universidade Federal de Sergipe e agora considera o ano perdido.

Fato semelhante ocorreu com o estudante B.D., 17, do Espírito Santo, que preferiu não se identificar. Ele tinha acabado de terminar de responder as perguntas alternativas do Enem e partia para a redação quando às 18h tocou o alarme do celular desligado, que estava lacrado dentro de uma sacola debaixo de sua carteira. Era um lembrete da hora de tomar um remédio.

O ruído foi o suficiente para eliminá-lo da prova.

Ainda que estivesse prestando como treineiro, a sensação foi de frustração, pois não conseguiu se testar completamente por não concluir a prova.

"Minha mãe ficou chateada, mas ela não quer nem contar para o meu avô, que pagou pela prova, e teria uma reação mais chata, de querer brigar", disse.

No Twitter, há vários relatos parecidos: o celular simplesmente tocou durante a prova, e as pessoas foram desclassificadas do exame, mesmo sem mexer no telefone.

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Segundo boletim do Ministério da Educação, divulgado na noite de domingo, 4.293 participantes do Enem foram eliminados durante o exame, por diferentes motivos, como portar equipamento eletrônico, ausentar-se antes do horário permitido e não atender orientações dos fiscais.

Os casos descritos pelos participantes do Enem ouvidos pela reportagem chamam a atenção, pois ambos disseram que desligaram o telefone e, mesmo assim, o alarme tocou.

"Nem sabia que isso acontecia", afirmou B.D.

Em comum, nos dois casos, os participantes tinham um telefone da Xiaomi. Há alguns relatos em fóruns de casos de donos de aparelhos da marca dizendo que, mesmo desligados, os celulares tocam o alarme.

Isso não é comum entre as fabricantes. Celulares da Samsung, Apple e Motorola —para citar as principais marcas do mercado brasileiro— não tocam o alarme quando desligados, segundo testes realizados pela reportagem.

Não custa lembrar que mesmo no modo avião —recurso usado durante voos e que corta a conexão móvel do celular— o alarme toca normalmente.

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Desde 2019, o Inep, que organiza o Enem, tem sido implacável com ruídos emitidos por celulares. O presidente do instituto na época, Camilo Mussi, já dizia que barulhos feitos pelo telefone, mesmo no porta-objeto, já teria caráter eliminatório. A política tem sido mantida desde então.

No site do Inep, é descrito que é proibido o uso de "qualquer objeto eletrônico" durante a prova, e que o participante deve guardar "esses materiais desligados em um porta-objetos antes de entrar na sala".

A Xiaomi foi contatada, mas ainda não respondeu à solicitação da reportagem. Caso haja atualização, o posicionamento da marca será incluído.

De qualquer jeito, caso você tenha um telefone da marca chinesa e vá prestar o segundo dia do Enem, no próximo dia 12 de novembro, vale acessar o ícone do relógio e desativar os alarmes antes de desligar o telefone. Dessa forma, você não corre risco de ser desclassificado.

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