Topo

Enem 2014: 1 em cada 5 questões de português foi sobre literatura

Do UOL, em São Paulo

09/11/2014 18h57

O segundo dia de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) não teve surpresa apenas na escolha do tema da redação. Os textos curtos e muitas questões de literatura na prova de português e de cálculos na prova de matemática foram os diferenciais do exame deste domingo (8), que contou ainda com a redação. 

“Este ano a prova de português teve textos mais curtos do que no ano passado, e mesmo assim os candidatos acharam o exame cansativo. A grande surpresa na prova foi cobrança da literatura específica, o que não ocorreu em 2013. 20% da prova de português foi direcionada a literatura”, comenta a coordenadora.

Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, também considerou uma diferença a presença de grandes autores da literatura nacional como Guimarães, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gregório de Matos, Vinicius de Moraes, "o que não é uma característica do Enem, que sempre valorizou autores regionais e menos conhecidos". Ainda segundo o professor, os enunciados estavam muito longos. 

Na avaliação dos professores,  as questões mostram que a tônica da prova ainda é a capacidade de interpretação, mas que "isso deve estar associado ao conteúdo que cada candidato tem”, diz Vera. A coordenadora cita uma questão da prova de inglês que trazia um trecho de uma canção de 1963 de Bob Dylan. "Nessa questão, apenas traduzir o texto não levaria o candidato à resposta. Ele precisaria entender e contextualizar a música", finaliza. 

Quanto à prova de matemática, Vera avalia que "foi mais difícil, com muita geometria, probabilidade e muito cálculo", este último,  não muito comum no Enem. "Isso mostra que a prova está mais elaborada". Tasinafo julgou que a prova não teve grandes novidades e cobrou temas clássicos, com uma ou outra questão que trazia números quebrados e poderia dar mais trabalho ao candidato.

Para Luiz Ricardo Arruda, diretor de ensino do Anglo, a prova deste ano mostrou que o Enem está cada vez mais com o perfil de "vestibular". "A prova cobra o que o aluno precisa saber". Segundo ele, a única matéria que apresentou um diferencial em relação ao conteúdo cobrado no ano passado foi a de português, "que estava mais sofisticada".
 
Ademar Celedônio, diretor de ensino do Sistema Ari de Sá, julgou a prova de português eclética e mais conteudista, citando a aparição, pela terceira vez, do painel Guernica, de Picasso, em uma das questões da prova. Sobre matemática, ele classificou a prova como mais bem elaborada, com o assunto porcentagem dominando as questões.