Artes

Barroco na Europa: Alguns países e seus pintores

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O surgimento da arte denominada "barroca" ocorreu no século 17, na Itália, provocado por uma série de mudanças econômicas, sociais e, principalmente, religiosas.

Um importante pintor barroco italiano foi Michelangelo Caravaggio (1571-1610). Em suas pinturas podemos perceber as características marcantes do barroco, que, na Itália, foi impulsionado pela reestruturação da Igreja Católica.

Da Itália, o barroco se difundiu pela Europa, manifestando-se de maneiras diferentes em cada país, mas preservando suas características básicas: a teatralidade da obra, o contraste claro-escuro, o realismo, o conflito, o forte apelo emocional, os temas míticos ou religiosos e as cenas cotidianas.



Espanha


Na Espanha, o barroco se desenvolveu principalmente na arquitetura, nos entalhes e nas decorações requintadas das construções, fossem religiosas ou não. Na pintura, teve forte influência do barroco italiano, com predomínio do realismo. O principal pintor barroco espanhol foi Diego Velázquez (1599-1660).




Reprodução
Diego Velázquez, Velha fritando ovos, 1618, óleo s/ tela

Observe no quadro Velha fritando ovos como o pintor consegue realçar as expressões faciais e a teatralidade da cena, ainda que se trate de um acontecimento banal do cotidiano. Neste caso, a expressividade é alcançada por meio de um grande domínio da representação da luz e da sombra, técnica imprescindível na pintura barroca.

Velázquez é muito conhecido por seu quadro As meninas e por pinturas retratando a realeza, pois ele era um dos pintores da corte do rei Felipe 4º, mas nunca deixou de retratar pessoas humildes.



Holanda


Durante o século 17, a Holanda passava por um grande período de desenvolvimento econômico.

Diferente da Itália e da Espanha, que eram países católicos, o protestantismo holandês trouxe algumas dificuldades para os artistas no que se refere à representação de cenas religiosas, mas não as impediu. Tais dificuldades, no entanto, acabaram por gerar belíssimos retratos, paisagens e naturezas-mortas.

Descritivo e realista, o artista holandês não se preocupava com padrões de beleza clássicos, preferindo retratar cenas do cotidiano. Dois importantes pintores do barroco holandês (também chamado barroco flamengo) foram Peter Paul Rubens (1577-1640) e Rembrandt van Rijn (1606-1669).




Reprodução
Rembrandt, A Sagrada Família, 1635, óleo s/ tela

Observe no quadro A Sagrada Família a luminosidade que é dirigida para as figuras de Maria e do Menino Jesus. Rembrandt conseguiu reproduzir em suas telas uma gradação de claridade nunca vista até então.



França


No período barroco, o poder monárquico era extremamente centralizador na França. O Absolutismo francês exerceu forte influência na arte, que deveria ser feita para o rei e os nobres, desprezando tudo que lembrasse pessoas comuns, simples ou humildes. Nicolas Poussin (1594-1665), Georges La Tour (1593-1652) e Claude le Lorrain (1605-1682) são exemplos de pintores desse período.



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  • Valéria Peixoto de Alencar*
    Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades, (Editora Expressão e Arte).

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