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Biologia

Camaleões - Sáurios que mudam de cor

Mariana Aprile

(Atualizado em 30/07/2013, às 12h18)

Famosos pela capacidade de mudar a cor de sua pele, os camaleões são os lagartos arborícolas mais adaptados, dentre todos os répteis escamados da subordem dos sáurios, que somam 4.000 espécies.

A família dos camaleões, a Chamaeleonide, conta com seis gêneros e 150 espécies conhecidas. Espalhadas pelo mundo, elas são originárias de regiões tão distantes entre si como África continental, ilha de Madagascar, sul da Espanha, Sri Lanka, Índia e península Arábica.

No continente americano, o Chamaeleo chamaeleon é popular como animal de estimação. É uma espécie que se adapta bem ao cativeiro, ao contrário de do camaleão-de-três-chifres, ou Chamaeleo pardalis, que morre em alguns meses se estiver preso. Independentemente da espécie, os camaleões são sáurios magníficos.

Anatomia dos camaleões

Camaleontídeos podem andar de um galho para o outro, sem cair. As quatro patas dos camaleões são zigodáctilas. Cada uma tem quatro dedos: dois são voltados para frente e dois, para trás. Isso permite ao animal agarrar-se com segurança nos galhos das árvores.

Além disso, a natureza o equipou com uma cauda preênsil - capaz de envolver ramos de árvores e arbustos - que ajuda o animal a se equilibrar. Ao caminhar, esses répteis demonstram um comportamento curioso, que a biologia ainda não explica: eles movimentam-se para frente e para trás.

Visão dos camaleões

Sempre que olhamos para algum objeto, os olhos miram na mesma direção, focalizam um mesmo ponto. Mas camaleões podem olhar para cima e para baixo, simultaneamente: seus olhos realizam movimentos independentes de 180 graus.

O cérebro desses sáurios é capaz de interpretar duas visões ao mesmo tempo. Tal capacidade é importante para encontrar comida, como insetos e frutos, e para fugir de serpentes e aves, seus predadores. Assim, os lagartos ficam alerta tanto para o perigo que pode vir de cima, como o que pode estar abaixo.

A língua mais rápida

Entre a base da língua e a laringe, existe um osso em forma de ferradura chamado hióide. Junto com diversos músculos, ele forma o aparelho hióideo. Os seres humanos e outros animais também o possuem.

Esse aparelho serve para sustentar a língua e para auxiliá-la em seus movimentos. Nos Chamaeleonidae, o aparelho hióideo é tão desenvolvido, que esses répteis podem lançar suas línguas - de extremidade pegajosa - em direção a um inseto.

A velocidade de lançamento da língua do camaleão atinge cinco metros por segundo e leva menos de um centésimo de segundo para atingir a sua presa. Mais: sua visão aguçada lhe permite calcular a distância e a direção precisas até um inseto, para capturá-lo com a língua. Esta tem o comprimento de seu corpo - por vezes, é até um pouco maior.

Homocromia

Os camaleões, apesar de serem ágeis ao caminhar sobre os galhos das árvores, não são velozes. Mas a evolução natural equipou-os com células especiais, que possibilitam a mudança de cor em sua pele. Eles usam essa habilidade para se camuflar, caçar, e também para se comunicar.

Ao suspeitar da presença de um predador, os camaleões imitam as cores do ambiente em que se encontram, disfarçando-se. Essa mesma técnica, chamada homocromia, é utilizada por eles para caçar.

Camuflagem e humor do camaleão

Esse "poder colorido" também reflete o estado de humor do camaleão. Se ele está irritado, por exemplo, torna-se preto. As cores desses répteis também mudam conforme a luz e a temperatura do ambiente.

Abaixo do revestimento externo da pele dos camaleões, há três camadas celulares. A primeira, mais profunda, é composta por células pigmentares cheias de melanina, de cor preta, os melanóforos. Acima desses, outra camada de células - as guanóforas - reflete a cor azul. Sobre essas, encontram-se as células cromatóforas, que refletem o amarelo e o vermelho.

Essas cores, nas artes plásticas são conhecidas como cores primárias, porque a partir delas, consegue-se todas as outras cores. Assim, os camaleões conseguem reproduzir diversas colorações em sua pele.


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