Cultura Brasileira

Boto: Golfinho namorador

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

(Atualizado em 15/08/2013, às 14h03)

O animal que dá origem ao personagem do folclore brasileiro é um golfinho fluvial, o boto vermelho ou boto cor-de-rosa, cujo nome científico é Inia geoffrensis, e também é conhecido pelos nomes indígenas de piraia-guará e pira-iauara. Este animal encontra-se na bacia do rio Amazonas e na do Orinoco e nos seus principais afluentes no Brasil, na Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Segundo a lenda, o boto se transforma em gente - em geral, num rapaz branco - e vai aos bailes das populações ribeirinhas, tira as moças solteiras para dançar e as seduz. De madrugada, depois de namorar bastante, volta a ser boto e desaparece nas águas do rio. Em geral, o rapaz usa um chapéu para esconder o orifício que os botos têm no alto da cabeça.

São comuns os "causos" em que os botos figuram como personagem. Conta-se, por exemplo, de um baile em que apareceram dois moços que dançaram com todas as garotas presentes e beberam muito. A uma certa altura da noite, os dois desapareceram. No dia seguinte, foram pescados dois botos que exalavam cheiro de cachaça, quando foram abertos pelos pescadores.

Outro caso interessante é o de um rapaz que apareceu num baile promovido por pescadores. Por manter-se o tempo todo de chapéu, chamou a atenção dos homens que suspeitaram tratar-se de um boto e resolveram tirar a questão a limpo. O rapaz se recusou a tirar o chapéu, fugiu e foi perseguido.

Quando chegava à beira do rio, os pescadores o acertaram com três arpões, mas ele mergulhou na água. Na manhã seguinte, encontraram flutuando na água um boto morto em cuja carcaça havia três arpões.

O folclorista Luís da Câmara Cascudo demonstra que o personagem é uma criação dos europeus e não aparece na mitologia indígena, na qual, porém, há alguns personagens semelhantes: 1) o Ipupiara, um homem-peixe, que, no entanto, não se transforma, mantendo sempre a forma híbrida; 2) o Uaiará, uma divindade de certas tribos amazônicas, que vinha acasalar-se com as índias.

O acasalamento é um ponto essencial da lenda: o boto seduz e engravida as donzelas. Nesse sentido, ele serve de explicação para toda gravidez em que o pai é desconhecido e a expressão "filho de boto" é usada para denominar filhos de mães solteiras no Amazonas e no Pará.

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