História geral

Guerras Púnicas - Antecedentes: Roma e Cartago disputam o controle do Mediterrâneo

Érica Turci

(Atualizado em 25/06/2014, às 16h30)

Entre os séculos 3 e 2 a.C., Roma e Cartago, grandes potências da época, se enfrentaram na região do mar Mediterrâneo. Tais conflitos, divididos em três períodos, ficaram conhecidos como Guerras Púnicas, pois os romanos chamavam os cartagineses de Poeni, quer dizer, "fenícios".

Os motivos de tais conflitos foram diferentes para as duas civilizações. Cartago lutou para manter seu controle comercial sobre o mar Mediterrâneo, enquanto Roma lutou para expandir seus domínios políticos e militares sobre os povos da Península Itálica e, depois, por todo o litoral do Mediterrâneo.

Expansionismo romano

A partir do século 4 a.C., a civilização romana deu início a uma política de conquista dos povos da Península Itálica, que passaram a formar o que os historiadores chamam de Confederação Itálica, cabendo a liderança a Roma.

O estado de guerra passou a ser constante para Roma e seus aliados. O exército romano, considerado o mais bem preparado de sua época, era formado por cidadãos que iam à guerra por honra política e social, e tinha uma característica muito peculiar: sua ferocidade. Foram inúmeras as batalhas em que Roma aniquilou cidades inteiras, matando inclusive animais.

Em 281 a.C., Tarento, uma cidade da Magna Grécia (região do sul da Itália, formada por colônias gregas), atacou Roma a fim de lutar por sua autonomia. Com o auxílio de Pirro, rei do Épiro (região grega, formada por várias cidades), Tarento conseguiu manter sua liberdade até 272 a.C., quando não pôde mais resistir ao assédio militar romano.

Nesse contexto expansionista, os romanos, pela primeira vez, passaram a chamar a atenção de outros povos. Por esse motivo, algumas civilizações procuraram firmar amizade com Roma, como, por exemplo, o Egito.

Cartago e o comércio marítimo

Pouco se conhece sobre a história de Cartago, pois todos os seus documentos, incluindo sua literatura, perderam-se em 146 a.C., quando Roma incendiou a cidade, no final das Guerras Púnicas.

Inicialmente, Cartago era um entreposto comercial fundado pelos fenícios no século 9 a.C., no litoral norte da África, onde hoje fica a Tunísia. O nome Cartago vem de Cart Hadacht, que significa "cidade nova".

Os cartagineses dominaram centros comerciais importantes e fundaram inúmeras colônias no oeste da Sicília, nas ilhas Baleares, na Península Ibérica e na Sardenha, bem como no litoral africano. Assim, detinham o controle de grande parte do comércio mediterrânico, negociando ouro, prata, estanho, marfim, escravos, tecidos púrpura, bijuterias, armas, cerâmicas, cereais e azeite.

Os maiores concorrentes comerciais de Cartago eram as cidades da Magna Grécia, contra as quais Cartago lutava, inclusive, pelo controle da Sicília, região produtora de vinho, azeite e cereais. Palermo, atual capital da Sicília, foi fundada pelos cartagineses.

Início das rivalidades

Com a vitória romana sobre Pirro, a Magna Grécia passou para o controle de Roma, o que deixou Cartago numa situação difícil: as mais ricas cidades de mercadores, Tarento e Nápoles, passaram a fazer parte dos domínios romanos, o que significava que sua antiga rivalidade comercial com os gregos agora passava a ser interesse de Roma, grande potência militar. Um conflito, portanto, era iminente.

Em termos militares, Cartago não tinha o que temer, pois também possuía inúmeros aliados, obrigados a contribuir com tropas, no caso de uma guerra. A cavalaria cartaginesa era superior à romana. Além disso, os cartagineses possuíam uma arma desconhecida pelos romanos: os elefantes, que atuavam como os tanques de guerra modernos.

Cartago, contudo, tinha um sério problema: sua infantaria era composta quase que totalmente por mercenários (soldados que lutam apenas por dinheiro ou algo que represente vantagens materiais), e eles não estavam preocupados com as questões políticas cartaginesas.

Mas somadas as diferenças entre Cartago e Roma, considerando-se uma guerra entre duas civilizações separadas pelo mar Mediterrâneo, a grande vantagem, em princípio, era de Cartago, pois sua marinha de guerra era muito superior.

Nesse equilíbrio de forças, quando questões sobre o domínio da Sicília vieram à tona, os romanos passaram a rivalizar com os cartagineses.

Érica Turci é historiadora e professora de história formada pela USP.

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