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Familiares traçam planos para os candidatos que fazem o Enem no Rio de Janeiro

9.nov.2014 - Familiares aguardam enquanto candidatos fazem o Enem neste domingo - Marcos Pinto/UOL
9.nov.2014 - Familiares aguardam enquanto candidatos fazem o Enem neste domingo Imagem: Marcos Pinto/UOL

Glauber Gonçalves

Do UOL, no Rio de Janeiro

09/11/2014 17h20

Enquanto esperam os candidatos que fazem o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), familiares traçam planos para o futuro e manifestam confiança em um resultado positivo. A maranhense Maria Amélia, 49, que é cozinheira mas diz fazer "de tudo um pouco", espera uma vida profissional mais estável para a filha de 20 anos, que faz a prova na universidade da zona sul da capital fluminense.

"Ela se preparou bastante. Quero beber muita cerveja em comemoração a este Enem", brincou Maria Amélia, que quer ver a filha se formar em enfermagem. "Ela chegou a ganhar desconto de 50%  em uma universidade particular, mas mesmo assim é muito caro. A ideia agora é conseguir uma bolsa [com a nota do Enem]", explicou.

Enquanto fazia croché para se distrair em frente à PUC-Rio, disposta a aguardar durante as cinco horas de prova, a doméstica Fátima Clementino, 49, disse acreditar que a filha conseguirá se sair bem no exame e se tornará a primeira da família a cursar e concluir um curso superior. "Ela quer estudar [medicina] veterinária. O que ela escolher eu vou apoiar", declarou a moradora de Rio das Pedras, na zona oeste da cidade.

Motivos para fazer o Enem

Antonio Ribeiro Sales, 32, planeja deixar o balcão da lavanderia em que trabalha para se tornar um profissional de educação física. Ele avaliou que a prova de hoje estava mais difícil que a de ontem. "Como não estava muito por dentro do tema da redação, achei meio complicado escrever. Não imaginei que seria sobre publicidade infantil", declarou.

Muitos candidatos que fazem a prova visualizam no Enem uma alternativa para fazer faculdade diante da dificuldade de arcar com os custos de uma instituição privada. É o caso de Carlos Diogo, 23, que fez a prova para atender um pré-requisito para obter um financiamento estudantil. "Não estou preocupado com o resultado da prova. Eu só tinha que fazer o Enem para cumprir a exigência", explicou o candidato, que saiu da sala pouco depois do prazo mínimo estabelecido. "Se eu quisesse, poderia ter entregue a prova em branco."

Ao sair do local de prova, Daniel Moscovich, 30, foi encontrar a mulher, Karina Meza, 33, que aproveitara o tempo para estudar inglês enquanto o esperava. "Não pedi para ela vir, mas como somos muito ligados um ao outro estamos sempre juntos", brincou. Ele pretende retomar a faculdade e cursar marketing, mas agora com bolsa de estudo ou em uma universidade federal. "Achei a prova bem complicada", resumiu Daniel.

Com o orçamento mais apertado depois do nascimento da filha de um mês, a estudante de direito Eneida Pereira, 34, também pretende disputar uma bolsa para conseguir levar a faculdade adiante. "Os gastos aumentam muito com um filho", justificou a candidata, que reencontrou o bebê, cuidado pela tia, após o fim da prova. Ela gostou do tema da redação, mas disse ter enfrentado dificuldade nas questões de matemática. "Este ano, exigiram muito cálculo. Foi bem difícil.  Mas o tema da redação era bem atual, de fácil dissertação", declarou.

Cristiane  Martins, 33, saiu da sala confiante de que ela e a irmã, que também fez o Enem, serão as primeiras da família a ir para a universidade. Ela quer trocar a cozinha do hospital em que trabalha em Ipanema, na zona sul do Rio, pela vida de enfermeira. "Ter só o ensino médio hoje não garante mais nada no mercado de trabalho. Daqui a pouco ter faculdade também não vai significar muito. Então é o mínimo que tem que se fazer. Acho o Enem uma boa forma de conseguir isso", declarou a moradora de Chácara do Céu.

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