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Unesp rompe com divisão entre disciplinas em prova vista como inovadora

IGOR DO VALE/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: IGOR DO VALE/ESTADÃO CONTEÚDO

Giorgia Cavicchioli

Colaboração para o UOL

15/11/2019 21h02

A Unesp (Universidade Estadual Paulista) realizou hoje seu vestibular e, segundo especialistas em educação, se destacou por investir em questões que envolviam várias disciplinas na mesma pergunta, valorizando o aluno que entendeu conceitos. O UOL faz a correção com o Objetivo.

De acordo com a professora Vera Lúcia Antunes, coordenadora pedagógica do colégio e curso Objetivo, a prova valorizou quem estava bem preparado. "Quando você tem esse tipo de questão, não dá para responder no 'chutômetro'. Você tem que relacionar o seu conhecimento. A prova valorizou quem estuda e isso é muito bom para o nosso Brasil", afirmou.

Segundo ela, a prova requisitou uma formação ampla do aluno. Isso fez com que ele tivesse que dominar textos, imagens e conceitos. Para ela, isso mostra que a prova está cada vez mais inovadora. Com ela, Vera Lúcia acredita que o aluno sente que valeu a pena estudar.

"Se o estudante dominou o conceito, ele percebeu que as alternativas não geraram dúvidas. É um modelo de prova inteligente, de altíssimo padrão. É evidente que, quando você tem esse tipo de questão, não é fácil. Tem que juntar habilidades mesmo, tem que ter o domínio dos conteúdos. Você sabe ou não sabe", diz.

Apresentar um mesmo texto para várias questões também foi outro fato que chamou a atenção de Vera Lúcia. "Sobra mais tempo para o aluno e facilita. Assim, ele tem condição de fazer uma boa leitura e avaliar tudo a partir daquele texto", explicou.

O professor Edmilson Motta, coordenador geral do grupo Etapa, concorda que a prova deste ano exigiu uma visão global do candidato. "Essa é uma prova em que o mais valioso é a visão geral. A Unesp já tinha rompido um pouco com a divisão de disciplinas no ano passado. Mas a prova deste ano realmente tirou os candidatos da zona de conforto", disse.

O professor Daniel Perry, diretor do curso Anglo, considerou que a forma como as questões interdisciplinares entraram na prova mostrou que ela foi muito bem construída. "Foi uma prova muito bem feita. A banca está de parabéns. Foi uma prova contextualizada, com fontes ricas e diversificadas, textos, gráficos e muitas imagens", afirmou.

De acordo com Perry, um exemplo estava na pergunta de número 14 da prova. "Era uma questão interdisciplinar de literatura e geografia. Nela, havia dois climogramas [gráfico do clima] e o candidato tinha que analisar esses climogramas e relacioná-los com obras literárias. Foi uma questão muito inteligente", disse.

A coordenadora do Objetivo diz que a dificuldade da prova pode ser considerada de média para difícil. Porém, ela argumenta que isso faz com que a Unesp selecione as pessoas que estão bem preparadas.

O diretor do Anglo concorda. "Possivelmente, o nível de dificuldade foi um pouco maior, mas a prova não era impossível. A Unesp manteve sua tradição de uma prova muito bem elaborada, que vai selecionar os candidatos de uma maneira bastante inteligente", concluiu.

Motta disse que foi uma prova exigente. "A ideia é muito boa e deve representar uma tendência nova nos vestibulares. Nunca houve uma prova com essa profundidade. Mas foi uma prova puxada", constatou.

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