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Esse conteúdo é antigo

Bolsonaro critica livro didático, mas MEC diz que não será muito diferente

Antonio Paulo Vogel (esq) ao lado de Abraham Weintraub  - Pedro Ladeira/Folhapress
Antonio Paulo Vogel (esq) ao lado de Abraham Weintraub Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

09/01/2020 12h43

Após as declarações de Jair Bolsonaro (sem partido) de que os atuais livros didáticos são "um lixo" e que vai "suavizar o conteúdo" em 2021, o secretário Executivo do MEC (Ministério da Educação), Antonio Paulo Vogel, disse que o material "não deve ser muito diferente".

O secretário não deu detalhes do que poderá ou não ser modificado em relação ao material que já é distribuído nas escolas. Ele foi questionado quatro vezes para detalhar o tema, disse que não falaria mais do assunto e terminou entrevista.

"Os editais vão sair, os livros serão entregues normalmente. Não vai ter nada, enfim, de muito diferente. O edital vai falar no que diz respeito a determinada parte. Não temos mais o que falar", disse.

A entrevista de Vogel aconteceu no MEC, em evento da pasta para prestar contas do trabalho desenvolvido em 2019. Weintraub fez a exposição e respondeu perguntas de jornalistas antes de sair para um compromisso. Ele atribuiu 100% ao PT o mau desempenho dos estudantes brasileiros no Pisa (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes).

Durante a entrevista, ao ser questionado por um repórter sobre o que seria a suavização do conteúdo, proposta por Bolsonaro, o secretário pediu para que ele explicasse o termo.

"Já que você que criou essa palavra 'suavizado', você pode explicar, porque eu não entendi", disse Vogel ao jornalista. O repórter explicou que o termo foi dito pelo presidente Bolsonaro.

"Livro didático é um livro e ensino. Acabou, simples. As matérias estão todas lá tudo perfeito. Não há nenhuma grande novidade nessa história. Simples assim, vamos deixar acontecer e os senhores vão ver na medida em que for acontecendo", respondeu Vogel na sequência.

Um edital para seleção de parte do novo conteúdo dos livros didáticos deverá ser lançado este ano e ser entregue nas escolas a partir de 2021.

"São processos que vão fazer aos poucos. Não dá ficar antecipando coisas que vamos fazer ao longo desse ano. Porque tudo isso faz parte de um processo de amadurecimento e processo burocrático. O PLND [Programa Nacional do Livro e do Material Didático] é um programa bastante antigo, 80 anos, praticamente, e tem fluxo definido e atua em determinados momentos que esse fluxo permite. É claro que o momento agora é um momento que esse fluxo permite, que vai ser feito os editais, licitações e tal", afirmou Vogel.

Questionado sobre quais livros possuem conteúdo com ideologização e são entregues em escolas públicas, o secretário não respondeu.