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Por coronavírus, UNE e Ubes pedem adiamento do Enem

Getty Images
Imagem: Getty Images

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

01/04/2020 14h20Atualizada em 01/04/2020 19h10

Entidades estudantis pedem que o cronograma das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), uma das principais portas de entrada ao ensino superior no país, seja adiado devido à pandemia do novo coronavírus.

O edital do exame foi divulgado ontem pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que decidiu manter a realização das provas presenciais para os dias 1º e 8 de novembro deste ano. Este também será o primeiro ano em que o Enem será realizado em formato digital, nos dias 11 e 18 de outubro. Mas, mesmo na prova digital, os candidatos terão que comparecer ao local de realização do exame, já que não será permitido o uso de computador próprio.

Em nota divulgada hoje, UNE (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) dizem que, ao manter o cronograma previsto inicialmente, MEC (Ministério da Educação) e Inep não demonstram "sensibilidade para o momento em que vivemos". As entidades pedem a suspensão do edital divulgado ontem.

"Diferente do que diz o Ministro [da Educação, Abraham Weintraub], é absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições nessa situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas", diz o texto.

"Muitos desses jovens sequer têm acesso às ferramentas necessárias para atividades virtuais, e mesmo que tivessem sabemos que o aproveitamento do ensino-aprendizagem fica fortemente em defasagem em relação às atividades presenciais", continua a nota.

Em um vídeo publicado ontem nas redes sociais, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que "vai ter Enem" e que o novo coronavírus "atrapalha um pouco, mas a todos". "Como é uma competição, é justo", afirmou.

Outro lado

Em nota divulgada na noite de hoje, o Inep disse que a edição anual do Enem é um processo "longo e complexo" e que a publicação dos editais neste momento é "fundamental" para a execução do exame em 2020.

"Para que haja a execução do Enem, é preciso cumprir com as diversas etapas que antecedem a data de aplicação do exame, como a elaboração da prova, os pedidos e a análise de isenção da taxa de inscrição, a efetivação da inscrição, a impressão, a logística e a distribuição, além de todos os subprocessos associados a essas grandes etapas", diz o Inep.

Mais tarde, os secretários de educação, por meio de nota divulgada pelo Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), também criticaram a manutenção do calendário do Enem.

O Inep disse não ter recebido manifestação formal por parte do Consed, mas disse que está aberto ao diálogo e que "todas as sugestões e críticas apresentadas são muito importantes para o aprimoramento de suas atividades". "O Inep garante que cada uma delas será avaliada e discutida, sempre buscando o que seja melhor para a educação brasileira", conclui o texto.

Veja a íntegra da nota divulgada pela UNE e pela Ubes:

ADIA ENEM
Para que nenhum estudante tenha seu ingresso na universidade prejudicado pela crise da Covid-19 e pelo MEC.

O Ministro da Educação e o presidente do INEP anunciaram no dia 31/03 (Terça-feira) a data do ENEM 2020 e, sem nenhuma sensibilidade para o momento que vivemos, optaram por manter o mesmo cronograma de realização das provas, para os dias 1 e 8 de novembro. Sabemos que todas as escolas e universidades estão com atividades presenciais paralisadas por recomendação dos órgãos e especialistas em saúde para preservar aquilo que é o mais importante, as vidas das pessoas.

Diferente do que diz o Ministro, é absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições nessa situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas. Muitos desses jovens sequer têm acesso às ferramentas necessárias para atividades virtuais, e mesmo que tivessem sabemos que o aproveitamento do ensino-aprendizagem fica fortemente em defasagem em relação às atividades presenciais.

Portanto, entendemos que esse não é o momento para divulgar o edital mantendo as datas pensadas anteriormente para o cronograma do ENEM. É momento de pensar soluções para preservar vida da nossa população no enfrentamento à pandemia, mas também para que os estudantes não sejam prejudicados no futuro.

Defendemos a suspensão do edital, e um novo debate sobre o cronograma do ENEM propondo o adiamento da aplicação das provas e buscando soluções para ajuste dos calendários em conjunto com a rede de ensino básico e de ensino superior brasileiras.

União Nacional dos Estudantes
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

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