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Secretários de educação criticam manutenção de data do Enem

PA Media via BBC
Imagem: PA Media via BBC

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

01/04/2020 15h53Atualizada em 01/04/2020 19h07

Secretários de educação divulgaram, na tarde de hoje, uma nota em que criticam a manutenção de data do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), considerado a principal porta de entrada ao ensino superior no país, mesmo com a paralisação das aulas em todos os estados devido à pandemia do novo coronavírus.

O edital do exame foi divulgado ontem pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que decidiu manter a realização das provas presenciais para os dias 1º e 8 de novembro deste ano.

A nota, divulgada pelo Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), diz que a manutenção do calendário do Enem irá ampliar as desigualdades entre os estudantes do ensino médio em todo o país no acesso às instituições de ensino superior.

"Mesmo considerando as soluções e ferramentas que estão sendo implantadas nas redes privadas e públicas para minimizar as perdas do período de suspensão das aulas presenciais, elas não chegarão para todos os estudantes brasileiros, especialmente os mais carentes", diz o texto.

O Consed afirma, então, ser necessário aguardar o fim do ciclo da pandemia e também da suspensão das aulas para sejam definidas as datas das provas do Enem 2020.

Os secretários pedem, ainda, que o prazo para inscrições para a realização do exame seja ampliado e que seja garantida a isenção da taxa de inscrição para todos os estudantes de escolas públicas do país.

Em nota divulgada na noite de hoje, o Inep disse que a edição anual do Enem é um processo "longo e complexo" e que a publicação dos editais neste momento é "fundamental" para a execução do exame em 2020.

"Para que haja a execução do Enem, é preciso cumprir com as diversas etapas que antecedem a data de aplicação do exame, como a elaboração da prova, os pedidos e a análise de isenção da taxa de inscrição, a efetivação da inscrição, a impressão, a logística e a distribuição, além de todos os subprocessos associados a essas grandes etapas", diz o Inep.

O órgão ainda afirma que não recebeu manifestação formal por parte do Consed, mas que está aberto ao diálogo e que "todas as sugestões e críticas apresentadas são muito importantes para o aprimoramento de suas atividades". "O Inep garante que cada uma delas será avaliada e discutida, sempre buscando o que seja melhor para a educação brasileira", conclui o texto.

Mais cedo, UNE (União Nacional dos Estudantes) e Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) também se manifestaram contra a manutenção do calendário do Enem.

Em nota divulgada hoje, UNE e Ubes dizem que, ao manter o cronograma previsto inicialmente, MEC (Ministério da Educação) e Inep não demonstram "sensibilidade para o momento em que vivemos". As entidades afirmam, ainda, que muitos estudantes brasileiros não têm acesso a aulas a distância para se prepararem para o exame e pedem que as provas sejam adiadas.

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