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Universidades brasileiras sobem de 6 para 7 em top 10 da América Latina

Prédio da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) no campus Cidade Universitária, no Butantã - Marcos Santos/USP Imagens
Prédio da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) no campus Cidade Universitária, no Butantã Imagem: Marcos Santos/USP Imagens

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

07/07/2020 12h00

O Brasil tem sete universidades entre as 10 melhores da América Latina, segundo a avaliação de um dos principais rankings do mundo, o THE (Times Higher Education). No ranking anterior, eram seis.

A edição 2020 do ranking das universidades latino-americanas foi divulgada hoje. Apesar de o Brasil ter o maior número de instituições no top 10, a liderança é da PUC-Chile (Pontifícia Universidade Católica do Chile).

A instituição chilena repete a posição que obteve no ano passado, quando ultrapassou de uma vez só USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade de Campinas). As universidades paulistas também permanecem nas mesmas posições na comparação com o ranking anterior: enquanto a USP aparece no segundo lugar, a Unicamp fica com o terceiro.

Também aparecem na listagem a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que dividem a quinta colocação; a PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), que caiu do quarto para o sétimo posto neste ano; a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que subiu do décimo segundo para o nono lugar; e a Unesp (Universidade Estadual Paulista), que se mantém na décima colocação.

Entre as sete universidades brasileiras mais bem colocadas, seis são do Sudeste —a UFSC é a única da região Sul.

O ranking é elaborado com base em cinco indicadores principais: ensino, pesquisa, citações, visão internacional e transferência de conhecimento para a indústria. As instituições recebem uma pontuação para cada um desses critérios, que têm pesos diferentes para a nota final.

Essas notas, no entanto, não foram divulgadas até o momento. Assim, não é possível mensurar se as flutuações entre as posições no ranking são resultado de piora nas avaliações das instituições ou se houve um acirramento na concorrência entre elas.

Phil Baty, diretor do conhecimento do THE, avalia que o desempenho do Brasil no ranking mostra "os pontos fortes de suas instituições de ensino superior, que continuam a prosperar nesses rankings, com muitas melhorando ou mantendo a performance obtida em 2019".

"Acredito que se as universidades brasileiras continuarem a mostrar essa diligência e se conseguirem apoio suficiente do governo e da população durante tempos extremamente difíceis, elas começarão a desafiar algumas das melhores do mundo, tanto no ranking regional como no ranking mundial", diz.

No ranking mundial, cuja edição mais recente foi divulgada em setembro do ano passado, a instituição brasileira mais bem colocada é a USP, que aparece na faixa 251-300 (a classificação é feita em grupos a partir da posição 200). Já a liderança é da Universidade de Oxford, do Reino Unido.

Baty diz ainda que as universidades possuem um papel fundamental no enfrentamento ao novo coronavírus. "A crise, talvez mais do que nunca, destaca o papel vital que as universidades desempenham na sociedade —não apenas na maneira como se uniram para enfrentar a pandemia em várias disciplinas e fronteiras, mas na maneira como elas serão essenciais no trabalho que precisamos fazer para mitigar os efeitos sísmicos e de longo prazo da crise", afirma.

O diretor do THE diz esperar que a divulgação do ranking "ajude a demonstrar a força das universidades da região e justifique a necessidade de apoio popular e investimento público [nessas instituições] para ajudar o continente a se recuperar da devastação do coronavírus".

Cortes na pesquisa

A presença do Brasil entre as melhores colocações da América Latina acontece apesar dos cortes realizados nas bolsas de pesquisa pela gestão Jair Bolsonaro (sem partido). No ano passado, foram canceladas mais de 7.000 bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao MEC (Ministério da Educação) que oferece bolsas de estudo para mestrado e doutorado.

Também no ano passado, universidades federais passaram por um período de restrições financeiras após o governo congelar 30% do orçamento discricionário (que envolve despesas como luz e água, mas não salários) dessas instituições.

O contingenciamento, realizado no fim de abril, só foi revertido em meados de outubro —e a partir de uma manobra orçamentária que retirou verba de áreas como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), a Capes e o ensino médio em tempo integral.

Além de ter a maior parte das dez primeiras posições, o Brasil é o país com maior número de universidades no ranking completo da América Latina: são 61 instituições brasileiras na listagem, que neste ano inclui 166 universidades de 12 países.

O segundo país mais representado é o Chile, com 30 universidades. A Colômbia aparece em seguida, com 23 instituições —sua universidade mais bem colocada é a Universidade dos Andes, que fica na 11ª posição.