PUBLICIDADE
Topo

Com 6 crianças, escola infantil é a única municipal a reabrir em São Paulo

CEI Penha Bom Jesus, na zona leste, reabriu hoje, depois de mais de seis meses fechada - Wanderley Preite Sobrinho/UOL
CEI Penha Bom Jesus, na zona leste, reabriu hoje, depois de mais de seis meses fechada Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL

Wanderley Preite Sobrinho e Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

07/10/2020 14h42

Apenas uma escola municipal de São Paulo abriu os portões hoje, no primeiro dia de atividades autorizadas nas unidades de ensino da rede pública na capital. As escolas ficaram fechadas por mais de seis meses por causa da pandemia do novo coronavírus.

A CEI Penha Bom Jesus, na Penha, zona leste, abriu os portões às 12h45 para receber seus alunos para atividades extracurriculares das 13h às 15h. Embora a escola tenha 121 alunos, apenas 16 se inscreveram para voltar à unidade e só seis compareceram até as 13h40.

A creche —que é mantida por uma organização social em convênio com Prefeitura de São Paulo— retomou parte das atividades nesta quarta-feira, data do retorno oficial, mas pretende abrir suas salas de aula apenas às terças e quintas.

Mais cedo, o UOL acompanhou a volta das atividades em uma unidade estadual, também na zona leste. Na Escola Estadual Thomaz Rodrigues Alckmin, no Itaim Paulista, apenas 12 alunos compareceram.

Receio e otimismo na porta da escola

Por volta das 13h, a aposentada Márcia Katakura Berenguel, 56, chegou com "receio" de deixar o neto Yuri, 3, que entrou na creche correndo, sem nem olhar para trás. "Tenho medo, receio, mas ele precisava socializar. Estava ansioso para brincar de novo", diz. "O que me deixa mais tranquila é que são poucos alunos."

A administradora Beatriz Garcia levou a filha para a escola infantil  - Wanderley Preite Sobrinho - Wanderley Preite Sobrinho
CEI Penha Bom Jesus, na Penha, zona leste, foi a única escola municipal a reabrir na capital paulista
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho

Mais confiante, a administradora Beatriz Garcia, 27, estava "contente" por levar a filha Gabriela, 3, para brincar com outras crianças por duas horas. "É sinal de que as coisas estão voltando ao normal", disse ela, que afirma que agora terá mais tempo para se dedicar ao trabalho.

Ela conta que a decisão de reabrir a escola foi tomada pela creche e pelos pais dos alunos, que discutiram o assunto em um grupo de WhatsApp. "Alguns votaram sim, outros não. Mas eu confio na escola e preferi aderir", afirmou.

Ao chegarem, as crianças tiveram a temperatura medida por funcionários. Cada criança também recebeu um kit com caneca, máscara e sabonete "para não haver compartilhamento", contou o secretário municipal de Educação, Bruno Caetano.

O secretário, que acompanhou a reabertura da unidade, disse esperar que mais escolas retomem as atividades na próxima fase da "abertura progressiva", marcada para o dia 19 de outubro. "Por enquanto, a volta é opcional, mas a retomada obrigatória das aulas pode acontecer em novembro", afirmou.

Regras no município de São Paulo

Nessa primeira fase de retomada, além da limitação de duas horas semanais e frequência máxima de duas vezes na semana, as escolas municipais só poderão receber 20% dos estudantes por turno. A regra vale para todos os níveis de ensino, da educação infantil ao ensino médio.

Por enquanto, as escolas podem desenvolver atividades extracurriculares, como cursos de idiomas, atividades esportivas, musicalização, reforço escolar e acolhimento.

Uma instrução normativa publicada pela Prefeitura recomenda que "nenhuma atividade formal pode ser retomada antes de 3 de novembro".

As atividades desenvolvidas em outubro não serão contabilizadas nas 800 horas ou 200 dias letivos exigidos pela legislação. O prefeito Bruno Covas (PSDB) ainda não definiu quando aulas regulares serão autorizadas presencialmente.

As atividades extracurriculares só podem ser oferecidas da seguinte forma: quem estuda de manhã, só frequentará a escola à tarde, e vice-versa.

As escolas também têm de oferecer EPIs (equipamentos de proteção individual) e as condições para o distanciamento social.