PUBLICIDADE
Topo

Covas prevê definição para semana que vem sobre volta às aulas em novembro

Prefeito de São Paulo disse que cidade vai esperar resultados de censo realizado com alunos e professores - Adriana Spaca/Framephoto/Estadão Conteúdo
Prefeito de São Paulo disse que cidade vai esperar resultados de censo realizado com alunos e professores Imagem: Adriana Spaca/Framephoto/Estadão Conteúdo

Ana Carla Bermúdez e Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo

13/10/2020 12h25Atualizada em 13/10/2020 13h44

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou hoje que a Prefeitura da capital deve ter na semana que vem uma definição sobre a retomada das aulas regulares na cidade.

Covas afirmou que, no dia 22 de outubro, sairão os primeiros resultados de um censo realizado com alunos e professores da rede municipal de ensino para avaliar a evolução da pandemia do novo coronavírus —dados que serão utilizados para a análise dessa retomada.

A previsão é que, caso o retorno seja autorizado, as atividades letivas presenciais sejam retomadas no dia 3 de novembro nas escolas públicas e particulares localizadas na cidade de São Paulo.

Desde 7 de outubro, colégios públicos e privados da capital paulista podem receber alunos presencialmente, mas apenas para a realização de atividades extracurriculares (como aulas de dança, línguas ou música, por exemplo) e de acolhimento.

Na rede municipal, a adesão a essa reabertura foi baixa: apenas uma das cerca de 4.000 escolas da rede decidiu voltar a receber seus alunos no dia 7 de outubro. O secretário municipal de Educação, Bruno Caetano, disse hoje que outras 14 escolas irão reabrir em 19 de outubro, data oferecida como uma segunda fase para a adesão ao oferecimento de atividades extracurriculares.

Caetano ainda negou que haja uma eventual demora ou atraso na definição sobre a retomada das aulas regulares na capital paulista.

"A Prefeitura tem informado nas últimas coletivas que a decisão da volta às aulas se dá por um contexto de informações: o inquérito sorológico, o censo sorológico e também outros indicadores", disse ele. "O que a Prefeitura informou é que, no mês de outubro, haverá um pronunciamento."

Inquérito sorológico

O anúncio de Covas foi feito junto à divulgação da quarta etapa de um inquérito sorológico realizado com os alunos da capital. Pela segunda vez, foram testados não só alunos da rede municipal, mas também estudantes de colégios particulares e privados da cidade de São Paulo. Ao todo, 6 mil estudantes participaram desta fase do inquérito.

Os dados mostraram um aumento na taxa de infecção dos alunos da rede privada. Na etapa anterior, esse percentual era de 9,7%, passando agora para 12,6%. Entre alunos da rede municipal, a taxa de infecção encontrada foi de 17,6%. Já entre os estudantes da rede estadual, o percentual foi de 15,4%.

Entre os alunos testados e que tiveram a covid-19, 64,9% deles foram assintomáticos. Essa taxa é ainda maior quando se olha apenas para os estudantes da rede municipal: 71,3% dos alunos testados tiveram a doença e não apresentaram sintomas.

Os percentuais são maiores do que o registrado entre adultos, de acordo com os resultados da oitava fase do inquérito sorológico realizado com 5.704 pessoas maiores de 18 anos. Nesta etapa, a taxa de infecção encontrada foi de 13,6%, mas a proporção de assintomáticos variou de 31,1% a 43,7% nas oito fases do inquérito sorológico.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, a análise dos resultados de todas as oito fases indica que há uma maior prevalência (isto é, presença de anticorpos contra o coronavírus) em jovens e adultos até 49 anos, nas classes D e E e em regiões que se encontram em faixas de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo.

Nas classes D e E, por exemplo, o risco de infecção pela covid-19 pode ser duas ou até seis vezes maior do que nas classes A e B. Como fatores considerados protetivos à infecção pelo coronavírus, estão o teletrabalho, o distanciamento social e um maior nível de escolaridade.

Síndrome rara em crianças

Secretária adjunta de Saúde, Edjane Maria Torreão Brito falou sobre a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica. A doença é rara e pode estar associada à infecção pelo coronavírus quando se trata de crianças.

Uma série de sintomas diversos caracterizam a doença, como febre persistente, pressão baixa, conjuntivite, manchas no corpo, diarreia, dor abdominal e até náuseas e vômitos.

"A criança apresenta febre e [o quadro] temporalmente está associado a ter ocorrido ou ter convivido com pessoas que tiveram covid", afirmou a secretária adjunta, ressaltando o alto percentual de crianças que foram infectadas pelo coronavírus e não apresentaram sintomas.

Segundo ela, há 197 casos da síndrome em investigação no Brasil. Outros 20 casos e dois mortes suspeitas de terem ocorrido pela síndrome estão em investigação no município de São Paulo. No estado, são 55 casos e quatro casos em investigação.