PUBLICIDADE
Topo

Enem

1º dia de prova da Unicamp tem mais ausentes e questões que falam de covid

Biblioteca da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), interior de São Paulo - Reprodução/Facebook
Biblioteca da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), interior de São Paulo Imagem: Reprodução/Facebook

Guilherme Botacini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/01/2021 20h47Atualizada em 21/01/2021 18h25

O primeiro dia do vestibular da Unicamp teve uma prova com referências à pandemia do novo coronavírus em todas as áreas do conhecimento, além de um índice alto de participantes ausentes.

O gabarito oficial só sai na sexta-feira, segundo estimativa da organização. O UOL faz a correção comentada da prova em parceria com o Objetivo. É a primeira vez que a primeira fase acontece em dois dias.

Professores de cursinhos ouvidos pela reportagem elogiaram a contextualização atualizada da prova, mantidas as características conhecidas da Unicamp de bastante leitura e interpretação de textos.

"A Unicamp conseguiu abordar diferentes temas nessa contextualização, com enfoque maior na covid-19", afirmou Luís Gustavo Megiolaro, diretor-adjunto de unidades do Poliedro.

"Foi uma prova que manteve características de anos anteriores, com uma abordagem contextualizada que dialoga com o cotidiano. A Comvest merece elogios", disse Daniel Perry, diretor do Curso Anglo, mencionando a entidade organizadora do exame.

Além da pandemia, outros temas atuais marcaram presença, como direitos humanos, feminismo e questões de gênero, racismo e desmatamento.

"Temas contemporâneos foram tratados sob diferentes perspectivas, algumas que pareciam tangenciar os temas, mas que também eram formas de compreender a dimensão do que estamos vivendo", disse Márcia Mendonça, coordenadora acadêmica da Comvest.

O índice de abstenção neste primeiro dia foi de 15,54%: dos 34.024 inscritos, 5.285 não fizeram a prova. A proporção final de abstenção na primeira fase, no entanto, deve diminuir amanhã, segundo o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto.

Ele sugere que a alta abstenção pode estar relacionada à presença maior de treineiros nos cursos de tecnologia, parte do primeiro dia de prova, que podem ter desistido da experiência por conta da pandemia.

Apesar do alto índice, o diretor afirmou que a abstenção está abaixo do esperado no contexto da doença.

Segundo o diretor, não houve ocorrências médicas em nenhum local de prova e nenhum aluno foi desclassificado por desrespeitar protocolos sanitários ou por quebrar regras da prova.

Na abertura dos portões, alguns locais de prova tiveram aglomerações e, por isso, os portões serão abertos mais cedo amanhã, às 11h45.

O segundo dia é para os candidatos aos cursos da área de ciências biológicas/saúde, incluindo os concorridos cursos de medicina. A redação é parte da segunda fase.

Novamente são 72 questões objetivas, em vez das 90 de anos anteriores, e não haverá questões interdisciplinares. O tempo máximo da prova foi reduzido de cinco para quatro horas.

Humanas

Diferentemente de quase todas as outras disciplinas, a prova de história não trouxe referências à pandemia da covid-19.

A prova, por outro lado, trouxe assuntos bastante atuais e discutidos ao longo do ano, como a reconstrução da memória a partir dos movimentos de derrubada de estátuas pelo mundo e as características do racismo no Brasil.

A desigualdade de gênero também foi cobrada em uma questão que conectou o feminismo à Revolução Francesa.

"Foi uma prova sem surpresas, honesta, que pedia que o aluno estivesse bem preparado", diz Robson Santiago, professor de história dos Colégio e Curso Objetivo.

As questões de geografias trouxeram gráficos, mapas e definições de conceitos. "Foi geografia pura", diz Eduardo Brito, também professor do Objetivo.

A prova abordou urbanização, produção agrícola, distribuição de chuvas no Nordeste brasileiro e trouxe mapas de incidência e casos de Covid. Segundo Brito, a prova tratou a covid de forma leve e objetiva, pedindo interpretação, mas também noção conceitual.

A única questão de sociologia abordou a questão do isolamento como um gancho para falar sobre classes sociais.

Exatas

A prova de física foi considerada fácil por professores ouvidos pela reportagem. Cinco das oito questões foram sobre mecânica, matéria do primeiro ano do ensino médio.

Uma das questões, no entanto, sobre ondulatória, não dava o valor da velocidade da luz no vácuo, necessário para a resolução da questão. "É um valor bem conhecido, mas seria interessante que a Unicamp fornecesse", aponta Rodrigo Araújo, professor de física do pré-vestibular Oficina do Estudante.

A prova de matemática, que pode parecer mais hermética à primeira vista, foi equilibrada entre questões de matemática pura e outras contextualizadas. Duas usavam como base um texto sobre áreas desmatadas e uma, tradicional, sobre volume, usou um recipiente de álcool em gel como exemplo.

Linguagens

A prova de língua portuguesa foi bem objetiva e mais fácil que a do ano anterior, segundo Serginho Henrique, professor de português do Objetivo.

"As alternativas estavam bem mais claras e os textos propostos não exigiam grande repertório vocabular", afirma Henrique.

Apenas um dos livros pedidos não apareceu na prova, "O Ateneu", de Raul Pompéia. O livro ainda pode aparecer no segundo dia de prova, amanhã (7).

Como esperado, a prova não teve questões de gramática pura e exigiu interpretação de texto, inclusive outros gêneros textuais, como letras de música.

A prova de inglês trouxe uma dupla dificuldade para o candidato, de acordo com o Aleksander Brunhara, professor de inglês do Objetivo.

"Geralmente as alternativas são meras traduções, mas nesse ano as respostas não eram tão óbvias com relação aos textos de apoio", afirma.

Biológicas

As provas de biologia e química foram bastante diversificadas. Uma das questões, por exemplo, usou como contexto o caso de contaminação na cervejaria Backer, em Belo Horizonte, numa questão sobre propriedades coligativas.

"A prova não teve conceitos muito difíceis, mas foi trabalhosa", diz Sérgio Teixeira, professor de química do Objetivo.

Próximas datas

  • Divulgação aprovados para a segunda fase, locais de prova e notas de corte - 29 de janeiro
  • Segunda fase - 8 e 9 de fevereiro
  • Provas de habilidades específicas, exceto música - 11 e 12 de fevereiro
  • Divulgação da lista de convocados da 1ª chamada - 10 de março, às 15h.

Enem