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Na pandemia, desempenho em matemática é o mesmo de 14 anos atrás no 5º ano

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Imagem: iStock

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

27/04/2021 12h11

Pesquisa feita pelo governo de São Paulo com mais de 20 mil alunos da rede estadual apontou que o desempenho em matemática dos estudantes no 5º ano do Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio despencou com a pandemia. Os dados foram divulgados hoje pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares.

O resultado do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) de 2019 em matemática, nos anos iniciais, foi de 243 pontos e a projeção para o fim de 2021, quando é a previsão de aplicação da prova, era de 250. No entanto, a pesquisa do estado registrou 196 pontos, mesmo número registrado há 14 anos na rede. "O papel do professor, da escola, para aprendizagem de matemática é ainda maior do que comparado a língua portuguesa, que já é gigante", disse Rossieli.

Segundo os dados do estudo, que foi realizado no início deste ano, o desempenho em matemática dos alunos do 5º ano caiu 46 pontos. O número foi comparado com os resultados do Saeb 2019, em que os alunos que hoje estão no 5º ano estavam concluindo o 3º. No Ensino Médio, a diferença de proficiência foi de menos 18 pontos.

Nossa defasagem era de 0.13 nos anos iniciais e agora vai saltar para mais de um, dois anos. Esse processo vai fazer com que a criança tenha dificuldade em matemática até o Ensino Médio. Ou priorizamos [o retorno presencial], ou vamos ter um prejuízo, uma catástrofe.
Rossieli Soares, secretário estadual da Educação

A estimativa do governo é que, para chegar ao aprendizado de 2019, será preciso crescer 11 vezes mais em matemática do que normalmente os alunos aprendem em um ano. "Historicamente, a matemática sempre foi preocupante", disse a coordenadora do Caed (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação), Lina Kátia Oliveira. "O efeito escola fica visível com os resultados alcançados."

Em língua portuguesa, o desempenho também foi baixo, na comparação com os dados do Saeb de 2019. No 5º ano, a diferença de proficiência foi de menos 29 pontos. Nos anos finais, caiu 12 pontos e no Ensino Médio 11. Enquanto comentava os dados, Rossieli reafirmou a importância do retorno presencial das aulas para melhoria de aprendizagem dos alunos.

O governo também comparou os dados da pesquisa deste ano com o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) 2019. A análise mostrou que, após 15 meses, os mesmos estudantes —que em 2019 estavam no 3º e agora estão no 5º ano— estão em um nível de proficiência levemente superior em língua portuguesa, mas 16 pontos menor em matemática.

"Além do aluno não aprender, ele não consolidou o que tinha aprendido no 3º ano. Durante uma parte do 4º ano o estudante consolida a aprendizagem do ano anterior e acrescenta novos conteúdos", explicou Rossieli.

Mais de um milhão de alunos foram às aulas presenciais após fase emergencial

Segundo Rossieli, cerca de 1,1 milhão de alunos participaram das aulas presenciais nas escolas estaduais após a fase emergencial. Desde o dia 14 de abril, as escolas estão autorizadas a receber os alunos com limite de 35% dos matriculados.

Esse é o segundo retorno presencial das aulas no estado em 2021. Em março, com a fase emergencial do Plano São Paulo, as escolas ficaram abertas apenas para oferecer merenda aos estudantes. A orientação do governo estadual para o retorno gradual é atender prioritariamente alunos com defasagem de aprendizagem severa, necessidade de alimentação escolar, dificuldade de acesso à tecnologia, entre outros.

Ensino remoto tem mais acesso com retomada presencial, diz governo

A gestão de João Doria (PSDB) afirma que o acesso no Centro de Mídias de SP, plataforma do estado que oferece aulas online, aumentou 50% com a retomada presencial das atividades escolares. "Ter atividade presencial fará ter uma diferença de resultados no ensino à distância", disse Rossieli.

A secretaria também diz que oferece chips de internet para os alunos. De acordo com a rede, houve aumento de 18% nas manifestações de interesse de alunos do público-alvo (aqueles em situação de baixa ou extrema pobreza) após o retorno presencial das aulas e de 50% dos alunos retirando o material.