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1 mês

Google faz homenagem em comemoração ao centenário de Paulo Freire

Colaboração para o UOL

19/09/2021 11h44

O Doodle do Google amanheceu diferente para comemorar o centenário de Paulo Freire, neste domingo (19). Ao clicar na animação, o usuário é redirecionado para uma página com informações sobre o educador.

Freire completaria cem anos hoje. Inspiração para gerações de professores e pesquisadores, o pedagogo recifense desenvolveu programas de alfabetização em diversos territórios, incluindo países da África, como Moçambique e Guiné-Bissau, e da América Latina, dentre os quais Chile e Nicarágua.

Antes de ter seu método de alfabetização reconhecido no mundo todo, ele implantou um modelo de extensão universitária considerado revolucionário, que usava a comunicação (escrita e falada) para levar o conhecimento da academia para o povo. O método consiste em um diálogo entre professor e estudante, em que a educação é feita levando em conta o contexto e os conhecimentos que o aluno já tem.

Paulo Freire é considerado Patrono da Educação Brasileira e é o brasileiro mais laureado com títulos de doutor honoris causa no mundo, com homenagens de ao menos 35 universidades, de diversos países.

Ele chegou a lecionar como professor visitante na Universidade de Harvard. Entre 1989 e 1991, foi secretário da Educação de São Paulo, na gestão da então prefeita Luiza Erundina. Dessa forma, ele teve a chance de concretizar políticas públicas, entre elas o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), até hoje referência nacional.

Paulo Freire, nesse e em outros contextos, destacava a educação como um ato político: "Professores e alunos devem estar cientes das 'políticas' que cercam a educação. A forma como os alunos são ensinados e o que lhes é ensinado serve a uma agenda política".

Ataques de bolsonaristas

Apesar de sua importância, o educador é alvo de constantes ataques de bolsonaristas. Hoje mesmo, o filho "03" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), fez uma publicação no Instagram criticando o Doodle.

Segundo ele, há "atores ideológicos envolvidos, cientes ou não que servem a uma ideologia" e "ainda temos para reverter todo esse lixo ideológico que atrasa o Brasil. E não estranhe se o próximo Google for com cara do Lula".

Ontem, o deputado também usou as redes sociais para atacar a memória do educador. "Educação do país de péssima qualidade e não se pode nem criticar o patrono desta bagunça? Isso não é justiça, é militância doentia", afirmou Eduardo.

As postagens do deputado dizem respeito à decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro que proibiu o governo de "praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire".

A liminar concedida pela juíza Geraldine Vital atendia a um pedido do MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos), que argumentou que Freire tem recebido "ofensivas e injustificadas críticas".

Entre os apontamentos da entidade, está o fato de, em 2019, o governo federal ter retirado uma homenagem a Paulo Freire de uma plataforma da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior).

Outro ponto levantado pelo movimento diz respeito ao plano de governo apresentado pelo hoje presidente Jair Bolsonaro em 2018, quando ainda era candidato. No plano, ao falar sobre políticas educacionais e a necessidade de modernizar a gestão das escolas, Bolsonaro falou em expurgar "a ideologia de Paulo Freire" da educação.