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Estado é laico, mas temos direito de dizer o que pensamos, diz Ribeiro

Ministro da Educação, Milton Ribeiro, participa de lançamento do programa Educação e Família - Luis Fortes/MEC
Ministro da Educação, Milton Ribeiro, participa de lançamento do programa Educação e Família Imagem: Luis Fortes/MEC

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

21/09/2021 18h54Atualizada em 21/09/2021 18h54

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse hoje que, apesar de o Estado ser laico, conforme consta na Constituição, tem o "direito de dizer o que pensa". A declaração foi dada durante o lançamento do programa Educação e Família, que visa aumentar a participação da família dos alunos dentro das escolas.

Respeitamos a todos, respeitamos as orientações, inclusive de escolhas e orientações sexuais que todos fazem. Somos um Estado laico, mas também temos direito de pensar e dizer o que nós pensamos. E pensamos que a família é, sim, um valor muito importante.
Milton Ribeiro, que também é pastor evangélico da Igreja Presbiteriana

Desde o seu discurso de posse, o ministro tem afirmado que se compromete a seguir o Estado laico, apesar de suas convicções religiosas. No entanto, um mês após ocupar o cargo, ele disse que gays vêm de "famílias desajustadas".

Na semana passada, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) criticou a fala homofóbica de Ribeiro, que se justificou dizendo que naquela época "estava chegando ao MEC" e os contextos se misturavam.

Quase um ano depois das declarações, a Justiça Federal de São Paulo condenou a União a pagar uma indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos por causa das falas LGBTIfóbicas.

Não foi um caso isolado. O chefe do MEC já disse que a universidade "deveria ser para poucos" e que alunos com deficiência "atrapalham" o aprendizado dos demais.

Na cerimônia de hoje, o ministro reforçou que o programa era importante para colaborar com uma maior participação das famílias nas escolas. "Uma criança que não consegue ou não tem seu pai e sua mãe em casa, a direção para obedecer, não vai respeitar o professor, um soldado, um policial militar ou qualquer outra autoridade", disse.

Neste ano, o MEC vai incluir 5.755 escolas públicas da educação básica no Educação e Família, o que não representa nem 5% de todas as instituições no país. O investimento para 2021 será de R$ 16 milhões. A pasta afirma que deseja ampliar para mais 17 mil escolas em 2022.

Quatro ações estratégicas serão trabalhadas dentro do programa:

  • PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola);
  • Formação continuada;
  • Conselho escolar;
  • Clique escola.

Damares: Se tivesse que entregar o ministério, sairia feliz

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, também participou do lançamento do programa e disse diversas vezes no seu discurso que estava satisfeita.

"Estou muito feliz. Se hoje tivesse que entregar o ministério, sairia daqui feliz. O programa Família na Escola, Família e Escola, Escola em Família era um grande sonho desse governo, e hoje o senhor [ministro da Educação] cumpre uma meta do governo Bolsonaro", afirmou Damares.

Ela começou sua fala fazendo uma descrição de quem participava da mesa e como era a sala onde era o evento. Explicou que fez o detalhamento especialmente para que pessoas com deficiência visual conseguissem entender.

"Não se esqueçam da autodescrição. Esse é um recado do ministério que cuida das pessoas com deficiência e não posso perder uma única oportunidade de falar das nossas pautas, já que a imprensa não fala."

Damares também aproveitou o evento para reforçar que o "fortalecimento de vínculos familiares" é uma das pautas do governo Bolsonaro.