PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
1 mês

Mesmo com obrigação, escola em SP recebe 20% dos alunos esperados

Poucos alunos apareceram na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza, na capital paulista - Ana Paula Bimbati/UOL
Poucos alunos apareceram na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza, na capital paulista Imagem: Ana Paula Bimbati/UOL

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

18/10/2021 09h38Atualizada em 18/10/2021 14h13

Apesar da presença obrigatória passar a valer hoje, poucos alunos apareceram na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza, no Lajeado, extremo leste da capital paulista. A unidade tem espaço para receber todos os estudantes com o distanciamento de 1 metro.

"Nós esperávamos que estivesse bombando de alunos, mas a chuva traz essa defasagem", justificou a diretora em exercício, Edna Soares de Souza Lima. Hoje a escola recebeu cerca de 115 estudantes do Ensino Médio — ao todo são mais de 600.

Desde agosto, segundo Edna, a unidade tem recebido uma média de 280 alunos no período da manhã. No mês em questão, o governo estadual passou a autorizar as escolas a receberem 100% dos alunos, de forma opcional e com o distanciamento de 1 metro.

A escola Eliza Raquel faz parte das 1.251 (25%) unidades estaduais que têm condições de receber todos os alunos e ainda respeitar o distanciamento entre eles. As escolas que não tem espaço suficiente estão liberadas a fazer rodízios das turmas até dia 3 de novembro.

A data marca o fim do distanciamento e a partir disso as escolas particulares vinculadas ao conselho estadual também deverão exigir a obrigatoriedade.

18.out.2021 - Funcionária afere temperatura de estudante em escola de São Paulo - Ana Paula Bimbati/UOL - Ana Paula Bimbati/UOL
Funcionária da escola afere temperatura de estudante
Imagem: Ana Paula Bimbati/UOL

Segundo o subsecretário de articulação da secretaria estadual de Educação, Patrick Tranjan, o espaço suficiente não é o único motivo para as escolas realizarem rodízios que o dia 3. "Alguma escolas têm professores no remoto ou de licença médica", exemplificou.

Para os estudantes, o primeiro dia de presença obrigatória também não foi como esperado. "A sala ainda não está cheia, mas acho que a chuva atrapalhou", conta Juliana Simplício, 17 anos. Ela participa das aulas presenciais desde setembro do ano passando, quando as atividades eram extracurriculares.

O estudante Jonathan dos Anjos, 18, está participando das aulas presenciais desde agosto. "Conversei com a minha mãe e vimos que era seguro vir, mas nem todos meus amigos voltaram", disse.

18.out.2021 - Sala de aula vazia na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza - Ana Paula Bimbati/UOL - Ana Paula Bimbati/UOL
Sala de aula com poucos alunos na Escola Estadual Eliza Raquel Macedo de Souza
Imagem: Ana Paula Bimbati/UOL

A reportagem esteve no local e viu salas com quatro alunos. Segundo o subsecretário de articulação, a preocupação das próximas semanas será com a evasão dos alunos.

"A aprendizagem é a nossa principal preocupação, mas para ela acontecer precisamos que os alunos venham às escolas", explica. Nos próximos 15 dias, segundo Tranjan, será possível entender o número de alunos que abandonaram a escola.

Para a GloboNews, o secretário de Educação, Rossieli Soares, disse que estimativa deve ser de 35% dos alunos evadidos. "O que estamos vivendo é uma tragédia na educação e vamos ter uma ideia melhor dessa evasão agora com a volta [de 100% dos alunos]", explicou.

No período da tarde, a escola Eliza recebe alunos de 11 a 15 anos, do Fundamental 2. São mais de 800 estudantes e a expectativa é que a presença seja maior.