Para aproveitar intercâmbio no ensino médio, aluna aconselha: "tem que ser cara de pau"

Bruno Rico
Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Da esq. para a dir.: Fernanda M., Gabriel S. e Joana P.: os três fizeram intercâmbio durante o ensino médio

    Da esq. para a dir.: Fernanda M., Gabriel S. e Joana P.: os três fizeram intercâmbio durante o ensino médio

Em geral, eles têm de 14 a 18 anos e voltam bastante empolgados da viagem, com vontade de sair do Brasil novamente. “Valeu a pena” é a expressão mais recorrente entre os adolescentes que passam pela experiência de fazer um semestre ou um ano do ensino médio no exterior, programa conhecido como high school.

Mas, quem aproveita avisa: é preciso superar as diferenças culturais e não ter medo de se misturar aos nativos. A saudade também pode apertar e, por isso, antes mesmo de embarcar pais e intercambistas vão a palestras e já fazem um pacto: os contatos serão semanais.

Fora da bolha

Um risco da viagem é o estudante se acomodar e conviver apenas com outros estrangeiros. Isso porque os moradores locais, principalmente aqueles que já se acostumaram com o vai e vem dos intercambistas, não querem se envolver com turistas que estão passagem por seis meses ou um ano. As trocas culturais ficam menos atrativas e as amizades, mais frágeis.

Joana P., 17, adotou a estratégia de se misturar com os moradores em Kerikeri, na Nova Zelândia, em que morou dez meses. “Tem que ser cara de pau mesmo”, aconselha Joana. "Só tive amigos de lá no final  [da viagem]. Eles são simpáticos com você, são prestativos, só que não vão te convidar para sair. Comecei amiga dos intercambistas", relembra. Ela conta: “Minha lógica era vivenciar a cultura do país. Investi bastante. Fui uma das poucas que conseguiu sair dessa “bolha dos intercambistas”.

Saudades

“Geralmente, a regra é o contato no máximo uma vez por semana”, explica Neila Chammas Santos Costa, diretora da agência ETC. É uma regra tanto para os intercambistas quanto para os pais.

Segundo as agências, poucos são os estudantes que voltam antes de o período contratado terminar. Quando as aulas começam e a vida social se intensifica, a saudade costuma ficar de lado.

“Tinha uma vida lá e várias coisas para me manter ocupado e, no final do intercâmbio, as saudades nem incomodavam mais”, conta Gabriel S., 17, que foi para o Egito. 

Família, família

Na maioria dos países, as famílias que recebem os estudantes estrangeiros (host-families) são voluntárias. Elas recebem apenas uma pequena ajuda de custo e, às vezes, nem isso. O motivo de aceitarem os jovens é cultural. Sem recursos para viajar pelo mundo, elas se interessam por ter contato com pessoas diferentes através do intercâmbio.

A dificuldade pode ser com os hábitos da família – ou suas regras. Alguns pais do Brasil ficam incomodados e querem interferir, relatam os profissionais das agências. Mas não há o que fazer. “A opinião dos pais daqui conta muito pouco. A família de lá é quem manda. Se eles querem que o jovem volte para casa às 10h [da noite], os daqui não podem querer liberar à meia noite”, explica Debora Lorenzo, gerente de produtos de High School da agência CI.

Quando esses problemas de adaptação ficam graves, o intercambista pode (e deve) entrar em contato com um coordenador local que pode ajudá-lo a muda de casa. Todos os programas disponíveis, independentemente do país, prestam esse serviço segundo as agências. 

Batata frita todo dia

A família da neozelandesa de Joana tinha cardápio único: batata frita. “Eu comia batata frita todos os dias. É difícil não gostar, mas engordei seis quilos”, conta. Por problemas financeiros da família que a recebia, Joana trocou de estadia. Na nova casa, tudo mudou. “Era mais natureba”, explica. Além dos também três filhos, o casal cuidava de cinco ovelhas, dois cavalos e cozinhavam bastante. “Cheguei a matar uma ovelha para comer. Ajudei a limpar e preparar também. Confesso que estava uma delícia”, conta. 

Conviver com hábitos e costumes diferentes é justamente o que enriquece a experiência. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Operadores de Viagens Educacionais e Culturais, a previsão é de que 282 mil brasileiros vão embarcar em intercâmbios em 2012. E, entre eles, 22,5% querem fazer high school no exterior.

Os destinos mais procurados, ainda segundo a associação, são Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Inglaterra, Holanda, e França, e África do Sul. 

Escola pública

A maior parte dos alunos opta por estudar em escolas públicas e hospedar-se em casas de família, para a viagem ficar mais barata. Em muitos desses casos, o adolescente não escolhe a cidade, nem a instituição para onde vai.

Para aqueles que estão interessados em fazer esse tipo de experiência , é importante prestar atenção a alguns detalhes da burocracia escolar. O MEC (Ministério da Educação) exige cinco disciplinas para que o estudante possa obter a equivalência do semestre. São elas: um idioma, matemática, ciências exatas, humanas e educação física.

Na volta, o aluno terá que apresentar o histórico escolar do exterior (“transcript”) e pedir a equivalência dos créditos. Embora a validação dos créditos esteja prevista na legislação, vale se precaver. Antes de viajar, é bom conferir com a escola do Brasil se ela costuma aceitar a equivalência. 

E quanto custa?

Os preços giram na faixa entre US$ 7.300 (R$ 14.756) e US$ 8.500 (R$ 17.181) por ano para viver em casa de família nos Estados Unidos. As passagens não estão incluídas no pacote. Na Nova Zelândia, um ano em escola particular sai por NZD 26.299 (R$ 43.185). Na Suíça, fica em CHF 76.000 (R$ 158.133). 



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