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Avaliar docentes é uma forma de medir a eficácia da escola, diz mexicano

Presidente do Inee (Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación), do México - Divulgação/Bett Latin America
Presidente do Inee (Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación), do México Imagem: Divulgação/Bett Latin America

Marcelle Souza

Do UOL, no Rio de Janeiro

05/12/2014 16h13

Tema delicado em qualquer sistema educativo, o México implementará em 2015 e 2016 um grande sistema de avaliação de professores. Para Luis Castillo Montes, diretor de Planejamento, Coordenação e Comunicação Social do INEE (Instituto Nacional para a Avaliação da Educação), do México, o mecanismo só funciona se tiver a ampla participação dos professores na construção dos instrumentos de avaliação e se os resultados de fato forem usados para implantar políticas pedagógicas.

Confira abaixo a entrevista ao UOL concedida durante o Bett Latin America, que aconteceu na segunda quinzena de novembro.

UOL Educação - Por que avaliar os professores? E como fazer isso?

Luis Castillo Montes - É importante avaliar os professores, porque é um dos mecanismos para verificar a eficiência e a eficácia de um sistema educativo e de uma escola. Mas não é condição suficiente, é preciso avaliar mais componentes. É importante avaliar os professores, porque dá certeza aos pais de que as crianças estão sendo atendidas por profissionais. É uma mensagem que dá certeza social em sistemas complexos, como o brasileiro e o mexicano.

O pior que se pode fazer é um sistema de avaliação distante da credibilidade magisterial, porque, com todo o respeito, a verdade é que [os professores] não querem ser avaliados. Então, temos que dar certeza para o docente nesse sentido e informá-lo sobre os mecanismos da avaliação e fazê-lo participar dos instrumentos. É algo novo, mas temos que tentar.

Avaliação de professor

  • Divulgação/Bett Latin America

    O pior que se pode fazer é um sistema de avaliação distante da credibilidade magisterial, porque, com todo o respeito, a verdade é que [os professores] não querem ser avaliados

    Luis Castillo Montes

UOL - E depois, o que é feito com essa avaliação?

Montes - No México, temos a tradição de avaliar muito, mas melhorar pouco. As avaliações não serviam mais do que para informar um pai: ‘Toninho está igual, melhorou aqui ou lá’. Conscientes disso, nós estamos procurando fazer com que os resultados das avaliações sirvam para que os docentes possam tomar decisões sobre a sua prática, sirva para que o diretor possa tomar decisões e melhorar a gestão do seu colégio, sirva a um supervisor e toda a cadeia, que sirva a um responsável por políticas para reformular ou tomar as melhores decisões a respeito de políticas e programas. Isso soa muito fácil, muito rápido, mas é muito complexo.

UOL - No México, existe relação entre boas avaliações e melhores salários para os professores?

Montes - Nossos sistemas de avaliação estavam alinhados com a possibilidade de ganhar mais dinheiro e isso foi pervertido. Efetivamente o professor mexicano aspira ganhar mais dinheiro, e ganhará, mas não necessariamente será vinculado a resultados de avaliação.

Já vivemos isso e se perverte. O professor fica o tempo todo pensando em ir a um curso, a uma conferência, para que receba um certificado e ganhe mais dinheiro. Não foi um mecanismo eficaz no caso mexicano.

UOL - Como garantir que os professores da cidade sejam os mesmos que os das zonas rurais?

Montes - Esse é um tema que não podemos resolver por enquanto. Não vamos poder ser considerados sistemas educativos eficazes até que não tenhamos a mesma qualidade de docentes na escola mais distante e na escola que está no centro da capital. É um tema forte. Devemos que garantir que os melhores estejam nas zonas mais marginalizadas, mais distantes e com maiores necessidades educativas. E isso é tarefa de gerações, não é só de um governo.