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Mensagens internacionais

Lucila Cano

09/12/2016 06h00

Desde 1957, a ONU proclama um tema internacional para que os países associados a ela desenvolvam práticas que melhorem a vida das populações do planeta. Isso ocorre em fim de ano, com vistas ao ano vindouro, e os temas escolhidos são bastante variados. Alguns deles, inclusive, chamam a atenção. Em 1960, por exemplo, tivemos o Ano Internacional dos Refugiados. Pela terrível situação na qual se encontram milhões de pessoas hoje em dia, aí está um assunto que deveria ser retomado.

Alguns temas parecem prosaicos, como o Ano Internacional do Arroz (por duas vezes, em 1966 e em 2004), o da Batata e o da Quinoa, mas não são. De modo geral, a produção de alimentos e o não desperdício mobilizam as ações, porque a fome ainda é ameaça das mais assustadoras em todo o mundo.

Não por acaso, a erradicação da pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, a erradicação da fome, a segurança alimentar, a melhoria da nutrição e a promoção da agricultura sustentável estão no topo da lista dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Esse rol de desafios aos países membros da ONU pode não ser alcançado na íntegra. Erradicar a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares soa utópico em um mundo onde prevalecem as diferenças. De todo modo, é estimulante termos um norte e este é o papel dos ODS até 2030.

O ano das leguminosas

O ano de 2016, que está prestes a terminar, foi declarado pela ONU como o Ano Internacional das Leguminosas. Fora da escola, acredito que poucas pessoas tenham se interessado pelo assunto. Exceto pelo preço do feijão, que esteve entre os alimentos mais caros do ano no Brasil, a importância das leguminosas parece ter passado ao largo do cotidiano do cidadão comum.

Ao eleger não só o feijão, mas a lentilha, a soja, o grão-de-bico, a fava, a ervilha, o amendoim e outros grãos que desconheço a um patamar de relevância internacional, a ONU procurou evidenciar a urgência da segurança alimentar em todo o mundo.

Em muitos países, inclusive os ditos desenvolvidos, as pessoas que vivem em bolsões de pobreza não têm acesso a uma variedade de alimentos que lhes garanta um mínimo de nutrição para a sobrevivência. Determinados alimentos, como as leguminosas, são incentivados para o consumo por suas muitas propriedades nutritivas. Isso sem falar nas condições mais favoráveis de transporte e armazenamento. Os grãos secos podem ser guardados por mais tempo.

As leguminosas também são fonte de proteínas de origem vegetal e contribuem para o equilíbrio alimentar, prevenção e controle de problemas cardiovasculares e doenças crônicas, além de reforçarem a ração dos animais.

Missão de preservar

Segundo a FAO, organismo da ONU voltado para a alimentação e a agricultura, mais de 2 bilhões de pessoas são vítimas de deficiências nutricionais em todo o mundo. Entre elas, cerca de 150 milhões são crianças com menos de cinco anos de idade.

Mais do que uma campanha de reeducação alimentar, o objetivo maior de um Ano Internacional das Leguminosas, assim como alguns dos anos anteriores já mencionados deveria influenciar governos a criarem políticas de cuidado com a terra e plantio responsável. Na prática, não é bem isso o que ocorre. Curiosamente, a FAO divulgou que nas últimas décadas o plantio de leguminosas migrou para regiões mais secas, o que reduziu a produtividade, por exemplo.

Ao mesmo tempo, somos testemunhas dos avanços do desmatamento incontrolável em nosso país e em outras partes do mundo, enquanto acumulamos carências de proteção social, saúde e educação.

De todo modo, a ONU segue cumprindo a tarefa de alertar, orientar e chamar os países associados para a nobre missão de preservar o planeta e dar aos seus habitantes condições mais dignas e salutares de vida. Conseguiremos, algum dia?

Em 2017, teremos o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. Salvem as trilhas!

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.