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Sem acordo, alunos de universidade no RJ ocupam reitoria há 15 dias

Reprodução/Facebook Camed - Gama Filho
Imagem: Reprodução/Facebook Camed - Gama Filho

Felipe Martins

Do UOL, no Rio de Janeiro

30/07/2013 22h06Atualizada em 31/07/2013 09h24

Cerca de 150 alunos da Universidade Gama Filho ocupam há 15 dias o gabinete da reitoria de uma das instituições mais tradicionais do Estado. Eles pedem a intervenção do Ministério da Educação na instituição em razão do que consideram má gestão da mantenedora da universidade. Eles protestam contra a falta de infraestrutura e as altas mensalidades e pedem também a regularização do pagamento dos professores.

Em uma reunião que durou mais de três horas, encerrada no começo da noite desta terça-feira (30), os estudantes debateram, na mesma reitoria, os problemas da Gama Filho com um representante do Ministério da Educação, o coordenador-geral do Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior), Pedro Carvalho Leitão.

De acordo com o presidente do centro acadêmico de medicina da Gama Filho, Edvaldo Guimarães, os alunos estão sofrendo com a falta de aulas práticas.  “Não é só medicina, os estudantes de Geografia, por exemplo, tiveram que pagar do próprio bolso para fazer uma atividade em campo, mesmo assim, o proprietário dos ônibus não queria aceitar o pagamento porque associou os alunos à mantenedora”, disse.

Ainda segundo o aluno do oitavo período, as atividades do internato acontecem de maneira irregular. "As aulas práticas são substituídas pelas teóricas. Alguns módulos do internato não estão acontecendo. No módulo de emergência, as aulas em vez de serem no hospital todos os dias, estão acontecendo duas ou três vezes por semana e na faculdade", contou.

A mantenedora da instituição, a Galileo Educacional, foi alvo da CPI das Universidades Privadas, realizada na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A Gama Filho, assim como a UniverCidade, são controladas pela Galileo. As duas organizações de ensino têm juntas cerca de 34 mil alunos.

Em depoimento na CPI, em fevereiro, o presidente da Galileo, Alex Klyemann, admitiu que as dívidas de Gama Filho e UniverCidade somadas giram em torno de R$ 900 milhões.

Confira como foi a ocupação da reitoria da Gama Filho

Em reunião nesta sexta-feira (25) na sede do Ministério da Educação, em Brasília, ficou decidido que o MEC  vai propor a Galileo Educacional, em 15 dias, uma proposta de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para a regularização das atividades acadêmicas da Gama Filho e da UniverCidade. Participaram da reunião representantes da Galileo Educacional, alunos e professores das duas instituições.

No entanto, na reunião de hoje, os alunos insistiram na intervenção do MEC na universidade e a revogação da transferência da mantença da família Gama Filho para a Galileo. Como resposta, ouviram do representante do MEC que estes temas devem ser tratados em novas reuniões com a presença de todas as partes envolvidas.

O coordenador geral da Seres prometeu levar em consideração a adoção de um prazo curto para o cumprimento do TAC pela Galileo.

Ele ainda garantiu aos alunos que eles conseguirão terminar a graduação com a garantia de qualidade de ensino. "Eu não tenho controle sobre todas as variáveis, mas posso afirmar que isso vai acontecer sim", disse.

Medidas judiciais

Em ofício enviado na última quarta-feira aos estudantes que ocupam a reitoria, a Galileo Educacional deu o prazo de 48 horas para a desocupação do local. Em caso de não cumprimento, tomaria as medidas judiciais necessárias para a reintegração do espaço.

A reportagem do UOL procurou a Galileo. Em nota, ainda na segunda-feira (29), a mantenedora informou que entrou em acordo com os alunos para a desocupação da universidade. "Continuamos enfrentando as dificuldades herdadas das outras gestões, mas, com a colaboração de todos, temos a certeza de que alcançaremos o objetivo maior, que é o de restabelecer o ensino de excelência que construiu a tradição desta instituição", afirmou Alex Klyemann, presidente do Grupo Galileo.

No entanto, o diretor do centro acadêmico negou o compromisso. "É mentira. Não houve acordo. O que a Galileo quer é tomar a decisão de desocupar a reitoria partindo do pressuposto que houve uma quebra de acordo que nunca aconteceu", disse o aluno.

A reportagem do UOL procurou novamente a Galileo Educacional nesta terça-feira, mas não obteve resposta aos contatos.

Crise se agravou em 2012

A crise na Universidade Gama Filho e na UniverCidade se agravou em 2012. Cerca de 600 professores foram demitidos, segundo informações do sindicato. O grupo Galileo confirma 410 profissionais de educação mandados embora. Muitos dos professores demitidos ainda não receberam o dinheiro referente à rescisão de contrato.

Em abril, professores da Gama Filho e UniverCidade cruzaram os braços em uma greve que durou cerca de um mês.  Em maio, foi a vez dos alunos protestarem. Cerca de mil estudantes fizeram manifestação no campus da Gama Filho na Piedade, bairro da zona norte do Rio, contra a falta de infraestrutura da unidade e a demissão de professores e aumento das mensalidades.

O Grupo Adenor Gonçalves adquiriu o controle da Galileo Educacional em outubro de 2012. No início de 2013, mais 70 professores foram demitidos.  No início do ano letivo os alunos da Gama Filho enfrentaram uma greve que se arrastou por cerca de 30 dias, provocando mais um atraso no calendário letivo.