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Cronograma do Enem 2019 está mantido, diz Inep após falência de gráfica

Participantes conferem caderno de questões no dia das provas de exatas do Enem, em Brasília - Luis Fortes/MEC
Participantes conferem caderno de questões no dia das provas de exatas do Enem, em Brasília Imagem: Luis Fortes/MEC

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

02/04/2019 10h18

O anúncio de falência da gráfica RR Donnelley, que imprime as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), não vai atrasar o cronograma de aplicação das provas deste ano, garantiu o Inep em nota divulgada na manhã de hoje. A autarquia responsável pela aplicação do exame, marcado para os dias 3 e 10 de novembro, informou que "as etapas para a aplicação do Enem 2019 transcorrem normalmente e que o cronograma está mantido".

"Em relação à falência da gráfica contratada para a diagramação e impressão dos cadernos de prova da edição deste ano do Enem, existem alternativas seguras sendo avaliadas", diz a nota sem entrar em detalhes.

O UOL enviou uma série de questionamentos ao Inep sobre quais gráficas estão sendo contatadas para executar o serviço, se a autarquia fará uma contratação emergencial (sem licitação) e se a RR Donnelley já havia iniciado a impressão dos cadernos, mas ainda não obteve resposta.

O MEC (Ministério da Educação) vive uma crise causada por disputas internas, que resultou em ao menos 15 exonerações. O próprio Inep está sem presidente desde a semana passada, quando Marcus Vinicius Rodrigues foi exonerado do cargo, um dia depois de cancelar a avaliação federal de alfabetização.

Logística complexa dificulta substituição de gráfica

A logística das provas do Enem é um trabalho complexo. No ano passado, a RR Donnelley imprimiu 11 milhões de cadernos de questões para aplicação do exame, além de 50 itens de material administrativo necessários para a aplicação das provas.

As provas são impressas durante dois meses e demandam um volume de 50 toneladas de papel por dia. O trabalho é executado por mais de 600 funcionários, contratados em um formato diferenciado de seleção, devido a segurança requerida na produção do material.

Em outras palavras, não é qualquer gráfica que está apta a produzir um exame do tamanho do Enem, que no ano passado recebeu 6,8 milhões de inscrições, sendo o segundo maior do mundo de acesso ao ensino superior.

Segundo a Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), a RR Donnelley não é a única empresa capaz de atender às demandas do Inep, mas o número de companhias aptas não passam de cinco no Brasil.

Na edição do ano passado, os cadernos e material de aplicação estavam prontos para começarem a ser distribuídos para os estados no dia 29 de setembro. O trabalho é realizado desde 2009 pelos Correios, que possuem 8.000 rotas de transporte para distribuição das provas do Enem, com escolta das Forças Armadas.

Antes da aplicação do exame, todas as provas ficam em um local seguro de armazenamento.

Falência

O pedido de falência da RR Donnelley foi protocolado no domingo (31) na 1ª Vara Cível de Osasco. Em comunicado, a empresa afirma que "entre os fatores que levaram o grupo a tomar esta medida estão as atuais condições de mercado na indústria gráfica e editorial tradicional, que estão difíceis em toda parte, mas especialmente no Brasil".

A gráfica é uma subsidiária (um tipo de subdivisão dentro da empresa, encarregada de tarefas específicas em seu ramo de atividade) de uma companhia norte-americana de grande porte, centenária, que registrou faturamento de quase US$ 7 bilhões no ano passado.

No Brasil, a decretação da falência acontece para não "contaminar" os negócios da matriz, segundo reportagem do Estado de S. Paulo.

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