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Ministro da Educação deveria sair da Câmara demitido, diz deputado aliado

7.mai.2019 - Ministro da Educação, Abraham Weintraub foi ao Senado na semana passada - Pedro França/Agência Senado
7.mai.2019 - Ministro da Educação, Abraham Weintraub foi ao Senado na semana passada Imagem: Pedro França/Agência Senado

Ana Carla Bermúdez e Guilherme Mazieiro*

Do UOL, em Brasília

15/05/2019 13h04Atualizada em 15/05/2019 15h41

Líder do Podemos, o deputado federal José Nelto (GO) afirmou hoje esperar que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, saia do plenário da Câmara dos Deputados sem ocupar mais o cargo.

"Haverá um questionamento muito duro com o ministro aqui em plenário. Acho que ele tem que entrar ministro e sair daqui ex-ministro", disse o líder do Podemos. O partido é considerado aliado do governo, apesar de não integrar formalmente a base.

Ontem à noite, em mais uma derrota para o governo de Jair Bolsonaro (PSL), os deputados aprovaram uma convocação para que Weintraub compareça à Casa para dar explicações sobre os bloqueios de verba na área da educação. A sessão deve começar às 15h, ao mesmo tempo em que ocorrem protestos em todo o país. A previsão é de que o ministro fique na sabatina até as 21h.

Em 2015, o então ministro da Educação Cid Gomes foi convocado a comparecer à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre declarações que ele havia dado sobre Eduardo Cunha (MDB-RJ), então presidente da Casa. Após a participação na sessão, Gomes saiu do cargo.

Recado a Bolsonaro

Os líderes da Câmara se reuniram na manhã de hoje para definir como será a reunião com o ministro. O entendimento é de que a vinda de Weintraub servirá para dar mais um recado ao governo, que acumula derrotas na Casa.

"O sentimento na Casa é de que queremos mostrar três coisas. Todos os partidos reclamam que não há plano para Educação no país. O governo não tem base formada. E isso é um recado para o Parlamento ser respeitado. Se o governo e os ministros insistirem em um diálogo ruim, podemos convocar outros ministros para Câmara", disse ao UOL uma liderança que estava na reunião.

Líder do governo no Congresso, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) pregou o diálogo.

"A gente sabe que ninguém funciona aqui na pancada, não tem jeito. O caminho é o diálogo", disse.

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A líder pediu diálogo um dia após uma série de desentendimentos entre deputados aliados e o governo. Na tarde de ontem, líderes próximos ao governo disseram à reportagem que os cortes na Educação seriam revisados e não aconteceriam. Eles relataram uma ligação feita por Bolsonaro ao ministro Weintraub. Ao chegar hoje à Câmara, o ministro confirmou a ligação.

Após a publicação da reportagem, a Casa Civil e o MEC negaram que haveria os cortes. As versões conflitantes incomodaram os deputados de partidos como Novo, Podemos, PSL, Cidadania, que tentam formar uma base para o governo e se sentiram contrariados e expostos como "mentirosos".

O deputado Diego Garcia (Podemos-PR) afirmou que a ida de Weintraub ao plenário da Câmara é uma vitória do Centrão e que o ideal era que o ministro fosse prestar esclarecimentos na Comissão de Educação, por ser um grupo mais técnico, teoricamente.

Garcia também esteve na reunião ontem no Planalto em que o presidente Jair Bolsonaro telefonou para o ministro anunciando que não haveria mais cortes no MEC. "O presidente ligou do próprio celular dele para o ministro. Quem se posicionou falando contra a suspensão dos cortes não participou da reunião", disse.

Como será a sessão com o ministro

Ao início da sessão, Weintraub fará uma exposição de 30 minutos. Em seguida, o deputado que fez o pedido de convocação, Orlando Silva (PCdoB-SP), poderá falar. Os líderes de todos os partidos poderão questionar o ministro e até 30 parlamentares poderão se inscrever para questioná-lo.

Não haverá divisão entre partidos pró e contra governo, porque o entendimento é de que a pauta é comum a todos. Segundo avaliação de dois deputados ouvidos pelo UOL, isso faz com que o ministro fique mais exposto às críticas e ataques.

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), evitou falar sobre os cortes após a reunião.

"Olha só, o ministro da Educação vem agora [à Câmara]. É a oportunidade para os deputados interpelarem o ministro da Educação e tenho certeza que ele vai explicar qualquer dúvida em torno disso", afirmou. (*Colaborou Luciana Amaral, de Brasília)

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