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Tudo sobre a redação da Unesp

Luiz Cláudio Barbosa/Código19/Estadão Conteúdo
Imagem: Luiz Cláudio Barbosa/Código19/Estadão Conteúdo

Jéssica Maes

Colaboração para o UOL

13/12/2019 09h26

Resumo da notícia

  • Prova de redação da Unesp acontece dia 16
  • O tema desse vestibular envolve a problematização de um assunto atual
  • Redação vale 30% da pontuação total da segunda fase do vestibular da Unesp

Nos próximos dias 15 e 16, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) realiza a segunda fase do seu vestibular, composta por provas de conhecimentos específicos e uma redação. Aplicada no segundo dia de prova, a redação exigida será uma dissertação argumentativa em prosa.

Dos 100 pontos atribuídos na segunda fase, 28 vêm da redação. Ela é responsável, portanto, por quase um terço da nota total. Além disso, quem zerar este item é automaticamente desclassificado. Por isso, vale a pena prestar bastante atenção nas exigências da prova para minimizar os erros e não perder pontos por deslizes.

A dissertação já é velha conhecida dos vestibulandos e sua estrutura básica exige ao menos um parágrafo de introdução, dois ou três de desenvolvimento do tema, e um de conclusão. Ou seja, ao longo do texto o candidato deve defender uma ideia ou tese e esses argumentos precisam ser bem amarrados no final.

"A Unesp valoriza bastante estrutura. E não uma estrutura rígida, mas uma sequência de pensamento. Tudo aquilo que é afirmado precisa ser explicado logo em seguida", diz a coordenadora de redação do curso Poliedro, Gabriela Carvalho.

Assim, se o candidato escreve, por exemplo, que a sociedade contemporânea associa consumo à felicidade, ele precisa, em seguida, deixar claro o que ele quer dizer com isso. "Esse não é um vestibular que aceita muitas digressões ou muitas voltas no raciocínio. O texto precisa ser bastante coeso e tudo precisa fazer sentido. O estudante deve pensar em cada frase que está acrescentando e onde está acrescentando", afirma a professora.

Além da estrutura, em que entram o enquadramento no gênero de texto exigido e a coerência, as redações são avaliadas de acordo com a atenção ao tema proposto e com a maneira como o candidato se expressa, critério que engloba a coesão e domínio da norma-padrão da língua portuguesa. Diferentemente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Unesp não exige que a redação traga uma solução para um problema, nem que traga referências externas.

Coletânea de textos

Uma coletânea de diferentes textos externos acompanha a proposta de redação e servem como um referencial para ampliar os argumentos produzidos pelo próprio candidato.

"É muito importante frisar que o aluno pode usar esses textos. Obviamente, em um dos parágrafos ele pode utilizar [algo da] coletânea e no outro um argumento que seja de base pessoal. Mas os textos de apoio estão lá para serem usados, especialmente se trouxerem algum dado estatístico", garante a professora de redação da plataforma Descomplica Carol Achutti.

"Se eu for carregar alguma coisa da coletânea para o meu texto, preciso reapresentar aquela ideia para o leitor", lembra a docente do Poliedro. Nessa hora, é importante citar diretamente o autor da frase, pensamento ou dado que está sendo tratado e não usar construções como "segundo o texto II desta prova" ou algo semelhante.

Carvalho ressalta, ainda, que caso haja um texto opinativo na coletânea, o aluno não deve usar um ponto de vista apresentado ali como se fosse seu. "Você pode citar, dando os créditos para quem apresentou esse argumento, mas espera-se que o seu texto tenha mais de você e que os textos te motivem a pensar".

Temática

Segundo as professoras ouvidas pelo UOL, o tema da redação da Unesp sempre envolve a problematização de algum tema atual e concreto. "Normalmente são temas muito atuais, que foram muito discutidos", afirma Achutti, destacando a importância do candidato expressar claramente a sua opinião. "É muito importante que o aluno tenha em mente que ele precisa se posicionar. Mesmo que ele tenha alguma ressalva, ele precisa escolher um dos lados. Não pode ficar em cima do muro".

As docentes apostam em temas que são quentes em discussões recentes como os mais prováveis para esta edição da prova: questões de gênero, intolerância, o lugar da população LGBTQI+ na sociedade atual, racismo, desigualdade social, legitimidade de discurso, lugar de fala.

Confira os temas dos últimos cinco vestibulares da Unesp:

2015: "O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil"

2016: "Publicação de imagens trágicas: banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?"

2017: "A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira?"

2018: "O voto deveria ser facultativo no Brasil?"

2019: "Compro, logo existo?"

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