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Os assuntos que mais caíram na 2ª fase da Fuvest e o que esperar da prova

Quase metade da prova de Língua Portuguesa da Fuvest aborda as obras literárias obrigatórias - Murilo Idú/UOL
Quase metade da prova de Língua Portuguesa da Fuvest aborda as obras literárias obrigatórias Imagem: Murilo Idú/UOL

Carolina Cunha

Especial para o UOL

26/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • As provas da segunda fase da Fuvest acontecem nos próximos dias 5 e 6 de janeiro
  • Os exames são dissertativos e a prova de redação será aplicada no primeiro dia de prova
  • A primeira chamada será divulgada no 24 de janeiro no site da Fuvest

A segunda fase da Fuvest 2020, vestibular que seleciona para a Universidade de São Paulo (USP), acontece nos próximos dias 5 e 6 de janeiro. A prova é no formato discursivo, ou seja, perguntas e respostas escritas. No primeiro dia, são 10 questões de Português e a Redação. No segundo dia, a prova traz 12 questões específicas, de acordo com a carreira escolhida, variando entre duas a quatro disciplinas.

Na reta final, ao invés de tentar aprender novos conceitos, os professores recomendam a revisão de conteúdos. A principal dica é resolver provas anteriores para entender o formato e testar o que já caiu no vestibular. Um outro jeito é entender os assuntos que compõem o "perfil" da prova.

O Sistema de Ensino Poliedro fez um levantamento que traz os assuntos cobrados, por matéria, nesta prova nos últimos cinco anos. Dessa forma, o estudante pode ter uma visão rápida e global sobre o que costuma ser cobrado na prova. A primeira chamada será divulgada no 24 de janeiro no site da Fuvest.

Veja os assuntos que mais caíram na segunda fase da Fuvest e os comentários de professores sobre o que esperar da prova.

Língua Portuguesa

A prova da Fuvest apresenta mais questões que privilegiam a interpretação de texto (45% das questões nos últimos cinco anos). Depois, aparecem as questões sobre literatura (39%), que cobram as obras de leitura obrigatória. Questões de gramática quase não caíram nos últimos cinco anos, com 15% das questões. "É difícil aparecer uma questão de gramática pura ou de apenas análise sintática", avalia César Cename, professor de Português do Curso Poliedro.

Quase metade da prova aborda as obras literárias obrigatórias. O maior conteúdo é referente à Interpretação de Texto. Segundo o professor, a prova tem como característica trabalhar todo tipo de gêneros textuais, que estão sempre subordinados a uma interpretação.

O tipo de questão mais frequente é o enunciado verbo-visual, no qual o aluno aponta uma imagem que ilustra o texto e avalia o seu sentido. Por exemplo, interpretar uma tirinha ou charge.

Outra questão comum é a do tipo paráfrase. "Você tem lá uma questão com texto argumentativo e a questão pede para você reler o texto, reafirmando com suas próprias palavras, a tese ou o argumento do autor", exemplifica o professor.

Questões de coesão textual, em que o candidato precisa reconhecer as relações coesivas ou de encadeamento de sentido, também são frequentes, assim como perguntas que envolvem os dispositivos da ambiguidade textual - por exemplo, a imprecisão de pronomes, de qualificadores, polissemias e homonímias.

A avaliação de tipos de discurso - discurso direto, indireto e indireto livre também costuma cair. "É muito comum a Fuvest identificar para o candidato um trechinho em discurso direto e pedir para que esse trecho seja convertido para discurso indireto. Às vezes acontece ao contrário. Já o indireto livre é bem mais raro de ser pedido", diz Cename.

Matemática

A prova de Matemática mantém a característica de ser um exame tradicional, com questões clássicas que abordam conteúdos de todo o ensino médio. "Entretanto, por ser uma prova dissertativa, é comum que alguns assuntos sejam cobrados simultaneamente em uma mesma questão. Nesse sentido, é esperado que o estudante domine um amplo espectro de habilidades matemáticas para resolver as questões", avalia Fernando da Espiritu Santo, professor de matemática e gerente de Inteligência Educacional e Avaliações do Sistema Poliedro.

Nas provas anteriores da Fuvest, percebe-se um equilíbrio nas incidências de questões que abordam Álgebra (Equações, Inequações e Funções), Geometria (Plana, Espacial e Analítica) e Tratamento da Informação (Estatística, Combinatória e Probabilidade). Além desses temas, também são cobrados com relativa frequência os assuntos de Matemática Financeira, Sequências Numéricas e Sistemas de equações.

Para Espiritu Santo, o candidato deve ficar atento ao que caiu na primeira fase desse ano. "Ao analisar a primeira prova, nota-se a ausência de questões específicas de dois tópicos costumeiros: Trigonometria e Combinatória, dois assuntos que são a minha aposta para cair agora".

Segundo o professor, é importante que o estudante aproveite essa reta final para revisar as principais características das funções trigonométricas (seno, cosseno e tangente), bem como treinar a identificação das aplicações das ferramentas de combinatória (contagem, permutação, arranjo e combinação).

Sobre as estratégias para a prova de Matemática, o estudante precisa estar ciente de que cada questão apresenta dois ou três itens. "Em geral, o primeiro item de cada questão é o mais fácil e serve de pré-requisito para o desenvolvimento dos demais", orienta Espiritu Santo. A dica para ganhar tempo é garantir pontos resolvendo as partes mais fáceis e deixar os itens mais complexos para o final.

Ciências Humanas - Geografia e História

A parte de Ciências Humanas, como um todo, foca em habilidades de explicação e descrição. Por isso, existe espaço para que o aluno desenvolva análises. Porém, é necessário ter precisão e foco em atender ao que está sendo pedido.

A prova de História aborda principalmente a História Brasileira (54%), abrangendo seus três períodos: Colônia, Império e República. Esses assuntos correspondem a mais da metade da prova. "Além do contexto brasileiro, o exame também aborda temáticas gerais relacionadas às Histórias Moderna e Contemporânea, com ênfase em assuntos como Iluminismo, Imperialismo, conflitos do século 20 e descolonização afro-asiática", diz Jessika Anastácio, coordenadora de Avaliações do Sistema de Ensino Poliedro.

Na prova de História, uma abordagem recorrente é a utilização de textos literários como motivadores das questões. São utilizados poemas e crônicas para mobilizar perguntas sobre contextos históricos e caracterização de períodos. O uso de pinturas de artistas consagrados também é comum. "Essas questões, assim como as relacionadas à Literatura, requerem que o aluno avalie a obra e consiga estabelecer uma relação com um determinado contexto histórico. Dessa maneira, é indispensável que o aluno faça uma análise bem consistente da obra, pois é a partir dela que ele conseguirá formular sua resposta", diz a professora.

A prova de Geografia também aborda amplamente questões mais voltadas para o contexto brasileiro, principalmente nos temas urbanização e a atividades econômicas, como a agricultura, a mineração ou a industrialização. Esses assuntos representando 35,9% das questões dos últimos anos. "Sobre geografia física, a prova busca analisar os impactos que as atividades econômicas desenvolvidas no Brasil causam no solo e no relevo. Em nível de mundo, a prova costuma tratar temáticas mais relacionadas aos fluxos migratórios, à geopolítica, além de fluxo de comércio e exportação", avalia Jéssika. A Geografia Física foi responsável por 25,6% das questões, o segundo tópico mais cobrado.

Em Geografia, é importante que os estudantes tenham um bom repertório de atualidades, pois a prova costuma trazer algumas questões relacionadas a contextos de situações ou acontecimentos recentes - pelo menos dois anos anteriores. Esses fatos podem ser utilizados para mobilizar questões que tratam de geopolítica, urbanização e geografia física, solicitando análises de causas e consequências.

Física

O assunto que mais se destaca na prova de Física é Mecânica, que corresponde a 50% das questões da Fuvest. Mas quais são os assuntos que o candidato precisa se preocupar em Mecânica?

"Bloquinhos, ou seja, as leis de Newton, cinemática (dá uma olhada nas equações, principalmente nas de movimento circular que são aquelas que a gente acaba mais esquecendo), conservação da energia e conservação da quantidade de movimento", conta Vitor Ricci, professor de Física e coordenador do Poliedro Campinas.

Outros assuntos muito cobrados são ondulatória e eletrodinâmica. "Sei que os vestibulandos não têm tanta afinidade com esses temas. Por isso que é importante reservar um tempo, pegar a teoria, revisar os dispositivos, geradores, receptores, resistores e capacitores e colocar na prática a resolução de circuitos elétricos", indica o professor.

Ele lembra que a Fuvest gosta de cobrar circuitos mais complicados, a partir das Leis de Kirchhoff. "Existe uma interdisciplinaridade desse assunto com matemática, já que implica na resolução de sistemas lineares. Por isso dá uma revisada nesse tópico".

Química

A prova de química possui maior incidência de três assuntos: Química Geral, Físico-Química e Química Orgânica.

O bloco com maior conteúdo costuma ser o de Química Geral. "Eu destaco muito a parte de ligações químicas, principalmente polaridade e forças intermoleculares. Destaco também o cálculo estequiométrico, um assunto que tem caído bastante nas últimas provas da segunda fase", diz Guilherme Bastos, professor de Química do Curso Poliedro. Ainda em Química Geral, O professor destaca as reações por oxirredução, que costumam cair como um tema secundário, dentro de alguns itens.

O segundo assunto mais cobrado é Química Orgânica. "Sempre aparece na segunda fase. Em geral, a Fuvest traz uma reação orgânica no enunciado e pede que o aluno faça uma coisa similar com outro composto químico"", diz Bastos. Com incidência menor do que reações orgânicas, os assuntos polímeros e bioquímica também são cobrados.

Já em Físico-Química, o vestibular traz questões bem distribuídas. "O assunto mais cobrado é eletroquímica, que seria o fundamental para estudar. Depois, nós temos uma distribuição mais ou menos igual entre termoquímica, cinética química e o capítulo de equilíbrios químicos", avalia o professor.

Biologia

A prova de biologia da segunda fase pode ser caracterizada como uma prova conteudista, que exige maior repertório teórico do candidato. "No entanto, ela traz conceitos simples, aplicados ao cotidiano. A maior dificuldade vem na hora de escrever, de justificar os motivos que estão sendo trabalhados. Alguns candidatos esquecem de desenvolver um raciocínio", avalia Talita Cristina Dellariva, professora de Biologia do Curso Poliedro Campinas.

A Genética costuma ser o assunto mais cobrado da prova. "São questões que trabalham conceitos rotineiros de um exercício de genética, por exemplo, o tipo de herança, a partir da leitura de um heredograma. É bom que o candidato esteja atento também à segunda parte da questão. Para justificar o porquê das escolhas feitas. Por exemplo, se é herança dominante, recessiva, é ligada ao sexo, autossômica", orienta Talita Cristina.

O assunto Citologia aparece geralmente associado a questões de genética que envolvam ácidos nucléicos, como parte da síntese proteica. Segundo Talita Cristina, a Fuvest trás questões que exigem uma atenção muito grande para a leitura da tabela de códons. "A tabela pode ser dada na íntegra ou então de uma forma desconstruída e descaracterizada, restringindo ao candidato as informações que ele precisa ter acesso".

Outro assunto bastante cobrado é Ecologia. Desses conteúdos, os impactos ambientais e o envolvimento com ciclos biogeoquímicos, as cadeias e as teias alimentares são recorrentes. Recentemente as questões sobre pirâmides ecológicas também apareceram. Em Botânica, a dica é entender características da anatomia do vegetal.

Sobre Fisiologia, o candidato deve ficar atento à comparação do funcionamento do corpo dos seres vivos. "Poucos alunos fazem uma correlação ou mostram a fisiologia do ponto de vista comparativo. Podem pedir para comparar a fisiologia com relação aos sistemas", diz a professora. Segundo ela, os sistemas que mais caem são os digestório, circulatório e o nervoso.

Outro tipo de questão muito comum é relacionar Fisiologia e Zoologia. Para a professora, o candidato precisa estar atento às novidades evolutivas dos grupos. "Qual é a importância do surgimento de tal característica ou o que está atrelado a isso? Não somente saber qual filo ela surge e em qual filo que ela muda de vez", avalia Talita Cristina.

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