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Em meio a polêmicas e pandemia, inscrições para o Enem 2020 são abertas

Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo
Imagem: Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

11/05/2020 04h01Atualizada em 22/05/2020 18h06

As inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2020 foram abertas em meio a polêmicas sobre o cronograma do exame devido à pandemia do novo coronavírus no Brasil. O prazo para as inscrições foi aberto por volta das 10h08, com cerca de 8 minutos de atraso. O cadastro seria encerrado no dia 22 de maio, mas foi prorrogado até as 23h59 do dia 27 do mesmo mês. A inscrição pode ser feita na página oficial do Enem.

A abertura das inscrições se dá apesar de, há cerca de dois meses, as aulas presenciais terem sido suspensas em todo o país por decretos estaduais e municipais, em uma tentativa de conter a disseminação do vírus.

Logo após a abertura do prazo, candidatos chegaram a receber uma mensagem com a data errada para o fim do prazo na página do Enem. O sistema informava que o dia 17 de maio de 2019 —data em que foram encerradas as inscrições para o Enem no ano passado— seria o último dia para fazer o cadastro no Enem deste ano. Por volta das 11h, o Inep informou ao UOL que o erro foi corrigido. O mesmo erro foi verificado pela reportagem na página do participante após a conclusão da inscrição. A falha foi corrigida por volta das 14h.

Página do Enem mostra data errada para o fim das inscrições em 2020 - Reprodução
Página do Enem mostra data errada para o fim das inscrições em 2020
Imagem: Reprodução

Entidades estudantis, secretários de educação e reitores de instituições de ensino defendem o adiamento do exame sob a justificativa de que nem todos os estudantes têm condições de manter os estudos durante a pandemia ou nem sequer têm acesso às ferramentas necessárias para o ensino a distância, como celular e computadores com acesso à internet.

Mas, apesar crise sanitária e da suspensão das aulas, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) defende a realização do Enem em novembro. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, chegou a acusar "a esquerda" de agir para que o exame não aconteça. Em reunião com senadores na semana passada, o ministro disse que o Enem não foi feito para corrigir injustiças.

A pasta passou a veicular propagandas em rádios e TVs defendendo a manutenção do exame sob o mote de "O Brasil não pode parar".

No dia 20 de maio, em meio à pressão da sociedade civil e do Congresso, o MEC anunciou o adiamento do Enem por um período de 30 a 60 dias —ainda não há data definida para as provas.

Críticas à manutenção do exame

As principais críticas à manutenção do cronograma do Enem dizem respeito à desigualdade no acesso à educação durante o período da pandemia e a suspensão das aulas presenciais.

A reitoria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) assinou um documento junto a outras 10 instituições de ensino do estado do Rio de Janeiro para pedir que o MEC (Ministério da Educação) adie o calendário do Enem. Maior universidade federal do país, a UFRJ usa os resultados do Enem como principal porta de entrada para 9.500 vagas ofertadas anualmente.

No documento, os reitores afirmam que "milhões" dos estudantes brasileiros "não têm acesso à tecnologia ou à internet, o que impede ações pedagógicas similares ao cotidiano escolar com aulas presenciais".

O texto diz ainda que países como China, Estados Unidos, França e Inglaterra adiaram seus exames nacionais para acesso ao ensino superior por "acreditarem ser a decisão mais legítima e democrática a ser tomada neste momento pandêmico".

Responsáveis pelas redes estaduais de ensino, secretários de educação defendem ser necessário aguardar o fim do ciclo da pandemia e também da suspensão das aulas para que sejam definidas as datas do Enem 2020.

"Mesmo considerando as soluções e ferramentas que estão sendo implantadas nas redes privadas e públicas para minimizar as perdas do período de suspensão das aulas presenciais, elas não chegarão para todos os estudantes brasileiros, especialmente os mais carentes", diz uma nota publicada pelo Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

Em entrevista concedida ao UOL em abril, o presidente do Inep, Alexandre Lopes, defendeu a manutenção do calendário do exame e afirmou que "o maior prejuízo para a sociedade é não ter essa política pública que é o Enem".

Segundo ele, caso regras sanitárias sejam decretadas pelo Ministério da Saúde para a realização do exame, elas serão acatadas.

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