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Maia: Congresso quer adiamento do Enem; 'Melhor se partisse do presidente'

11.mar.2020 - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após reunião para discutir a crise do coronavírus - Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
11.mar.2020 - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após reunião para discutir a crise do coronavírus Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

19/05/2020 14h55Atualizada em 19/05/2020 15h49

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou hoje que o ambiente na Câmara e no Senado é pelo adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Ele declarou que o ideal era que o adiamento partisse do próprio governo federal, mas, até o momento, nem o Planalto nem o Ministério da Educação tomaram uma atitude concreta nesse sentido.

O Senado vota hoje em plenário um projeto que prorroga de forma automática exames e atividades para o acesso ao ensino superior em caso de calamidade pública ou comprometimento das instituições de ensino.

Na prática, o projeto já adiaria o Enem de 2020, marcado para novembro, porque o Brasil está em estado de calamidade pública até 31 de dezembro deste ano devido à pandemia do coronavírus.

"O melhor era que pudesse vir do presidente uma decisão antes que o Senado e a Câmara tomassem a decisão de votar para não parecer que é uma coisa contra o governo. Essa demanda de adiamento do Enem vem de todo o Brasil", disse.

Maia disse ter discutido o adiamento com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na quinta-feira (19) quando foi ao Palácio do Planalto e este teria ficado "sensível" à causa. Ontem, conversou com o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, sobre o assunto, mas não recebeu um posicionamento formal do governo até o momento, afirmou.

Na semana passada, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, se reuniu com deputados federais que lhe pediram o adiamento do exame. Segundo relatos à reportagem, ele afirmou que manteria o Enem em novembro e só cogitaria um possível adiamento mais para frente.

Associações de instituições de ensino e de reitores defendem o adiamento do Enem, assim como parte dos alunos secundaristas. Eles alegam o risco da propagação do coronavírus causado pela aglomeração de estudantes nos dias das provas e afirmam que nem todos estão conseguindo se preparar de forma adequada para o exame.

As aulas presenciais das redes pública e privada no país estão suspensas há aproximadamente um mês. Há casos em que as aulas foram paralisadas ainda em março. Algumas escolas adotaram sistemas de aulas por meio do computador, mas nem todos os alunos de famílias de renda mais baixa, por exemplo, têm acesso à internet para estudar em casa.

Na avaliação de parlamentares, os alunos de baixa renda já estão prejudicados e, por isso, a manutenção do Enem em novembro agravaria a desigualdade social ao selecionar mais alunos que têm meios para se prepararem.

Logo após a declaração de Maia, O ministro da Educação Abraham Weintraub disse, no Twitter, que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) fará uma pesquisa para "ouvir os estudantes" sobre o possível adiamento do Enem, mas somente na última semana de junho. Até lá, o mais provável é que o Congresso Nacional já tenha deliberado sobre o assunto.

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