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Ministro nega plágio e diz que, se houver omissões, são 'falhas técnicas'

Do UOL, em São Paulo

27/06/2020 20h32Atualizada em 29/06/2020 14h23

O novo ministro da Educação, Carlos Decotelli, disse hoje, em nota publicada pelo MEC, que não cometeu plágios em sua dissertação de mestrado na FGV (Fundação Getúlio Vargas), e afirmou que, se houver omissões, trata-se de "falhas técnicas".

"O ministro refuta as alegações de dolo, informa que o trabalho foi aprovado pela instituição de ensino e que procurou creditar todos os pesquisadores e autores que serviram de referência e cujo conhecimento contribuiu sobremaneira para enriquecer seu trabalho. O ministro destaca que, caso tenha cometido quaisquer omissões, estas se deveram a falhas técnicas ou metodológicas", disse o MEC.

Decotelli informou que revisará o trabalho "por respeito ao direito intelectual dos autores e pesquisadores citados". O ministro informou ainda que tem "muito orgulho" do curso realizado, "principalmente por ter sido custeado com seus próprios recursos financeiros e pelo fato de ter sido aceito em tão respeitada instituição de ensino no exterior unicamente em função de sua qualificação acadêmica, construída ao longo da vida com muito esforço e dedicação."

A FGV anunciou hoje que irá apurar a denúncia de plágio e que está localizando o orientador do trabalho para buscar informações.

Pelo menos quatro trechos de outras dissertações de mestrado e textos acadêmicos foram copiados por Decotelli na introdução de sua própria dissertação, apresentada em 2008 para a FGV no Rio de Janeiro. O trabalho trouxe o título "Banrisul: do Proes ao IPO com governança corporativa".

O Ministério da Educação se explicou, também, sobre suspeitas de que Decotelli não teria concluído o doutorado em Administração na Universidade de Rosário, na Argentina, entre 2007 e 2009. Segundo a pasta, ele não teve a defesa de sua tese de conclusão de curso autorizada.

"Seria necessário, então, alterar a tese e submetê-la novamente à banca. Contudo, fruto de compromissos no Brasil e, principalmente, do esgotamento dos recursos financeiros pessoais, o ministro viu-se compelido a tomar a difícil decisão de regressar ao país sem o título de Doutor em Administração", disse o MEC, em nota.

Entenda o caso

Recém-nomeado ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli da Silva é alvo de uma série de acusações que envolvem indícios de plágio e fraude em sua vida acadêmica. Decotelli foi nomeado para comandar o MEC (Ministério da Educação) na última quinta-feira (25). De lá para cá, informações de que o próprio ministro havia incluído em seu currículo lattes passaram a ser colocadas sob suspeita.

A primeira delas foi um doutorado na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, título que acabou questionado pelo próprio reitor da instituição, Franco Bartolacci. Segundo ele, Decotelli teve a tese de doutorado reprovada.

Também foram encontrados indícios de que o novo ministro copiou trechos de outros trabalhos acadêmicos em sua dissertação de mestrado, sem dar a devida citação aos autores originais — incorrendo, portanto, em plágio. O MEC ainda não se manifestou sobre estas acusações.

Leia a íntegra da nota do MEC

Nota de esclarecimento a respeito da formação acadêmica do Ministro Carlos Alberto Decotelli

O Ministério da Educação, com relação aos questionamentos levantados a respeito da formação acadêmica do Ministro Carlos Alberto Decotelli da Silva, esclarece que o ministro cursou o Doutorado em Administração na Universidade de Rosário, na Argentina, no período de 2 de outubro de 2007 a 7 de fevereiro de 2009, tendo sido aprovado em todas as disciplinas com todos os créditos, conforme atesta o certificado emitido pela Universidade.

O ministro informou ainda que tem muito orgulho do curso realizado, principalmente por ter sido custeado com seus próprios recursos financeiros e pelo fato de ter sido aceito em tão respeitada instituição de ensino no exterior unicamente em função de sua qualificação acadêmica, construída ao longo da vida com muito esforço e dedicação.

Ao final do curso, apresentou uma tese de doutorado que, após avaliação preliminar pela banca designada, não teve sua defesa autorizada. Seria necessário, então, alterar a tese e submetê-la novamente à banca. Contudo, fruto de compromissos no Brasil e, principalmente, do esgotamento dos recursos financeiros pessoais, o ministro viu-se compelido a tomar a difícil decisão de regressar ao país sem o título de Doutor em Administração.

Tendo trabalhado como professor de gestão de riscos em derivativos no agronegócio em vários cursos no Brasil, construiu um projeto de pesquisa intitulado "Sustentabilidade e Produtividade na automação de máquinas agrícolas", que foi submetido à Bergische Universitat Wuppertal, na Alemanha, tendo por base pesquisa específica que teve o apoio da empresa Krone (www.krone.de). A universidade alemã aceitou apoiar o projeto, considerando a relevância do tema, a conclusão e a aprovação em todos os créditos obtidos no curso de Doutorado em Administração na Universidade de Rosário e seus 30 anos de atuação como conceituado professor no Brasil. A pesquisa, que foi orientada pela Dra. Brigitte Edith Ursula Wolf e pelo Dr. Siegfried Maser, foi concluída e publicada em 10 de outubro de 2017. Ressalta-se que, por questões de sigilo em relação aos dados da citada empresa, o acesso ao texto integral da pesquisa está disponível apenas por meio de visita presencial ao cartório de registros acadêmicos na cidade de Koln, na Alemanha.

Em abril de 2017, recebeu documento que atesta o registro de seu trabalho. O ministro ressalta que não recebeu títulos em decorrência desta pesquisa.

De forma a dirimir quaisquer dúvidas, o ministro já efetuou os devidos ajustes em seu currículo, que, em breve, estarão refletidos nas principais plataformas de divulgação de dados profissionais.

Com relação às ilações sobre plágio na dissertação de mestrado intitulada "BANRISUL: do PROES ao IPO com governança corporativa", apresentada em 2008 à Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ministro refuta as alegações de dolo, informa que o trabalho foi aprovado pela instituição de ensino e que procurou creditar todos os pesquisadores e autores que serviram de referência e cujo conhecimento contribuiu sobremaneira para enriquecer seu trabalho. O ministro destaca que, caso tenha cometido quaisquer omissões, estas se deveram a falhas técnicas ou metodológicas. Informa também que, ainda assim, por respeito ao direito intelectual dos autores e pesquisadores citados, revisará seu trabalho e que, caso sejam identificadas omissões, procurará viabilizar junto à FGV uma solução para promover as devidas correções.

O ministro informou ainda que este trabalho teve respaldo no período de março de 2004 a dezembro de 2010, quando foi responsável pela capacitação de mais de 3.000 profissionais do BANRISUL, tendo agregado esta vivência profissional e seu conhecimento da cultura do Banco como base de referência para a construção da dissertação, agregando informações públicas disponíveis em sites públicos e privados pertinentes aos relatórios e informações de empresas S.A. de capital aberto.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Educação

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