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Pais consideram 'inevitável' realizar Enem em plena pandemia

Alex Campos, executivo de contas, levou o filho Johnatan para treinar no Enem e considerou "inevitável" ter a prova durante a pandemia - André Porto/UOL
Alex Campos, executivo de contas, levou o filho Johnatan para treinar no Enem e considerou "inevitável" ter a prova durante a pandemia Imagem: André Porto/UOL

Arthur Stabile

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/01/2021 13h41

O segundo dia de realização no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em São Paulo contou com presença intensa de alunos na unidade Marquês de São Vicente da Unip (Universidade Paulista), na zona oeste da cidade. Pais levaram seus filhos e apoiaram a realização da prova.

Alex Campos, executivo de contas de 43 anos, levou o filho Johnatan para treinar. Com 16 anos, ele ainda não pode entrar na faculdade de web designer por não ter concluído o ensino médio.

O pai defende a realização da prova mesmo para situações como a do rapaz, exclusiva para ganhar experiência. "É inevitável", define. "A pandemia é uma fatalidade, estão corretos em fazer", acrescenta, sobre o governo federal, responsável pela aplicação da prova.

Alex acredita haver uma explicação política da pandemia. Em frente à Unip, estudantes e grupos políticos protestaram contra a aplicação da prova. Cobravam, também, vacina contra a covid-19 "para todos".

"Na minha opinião, a pandemia é fatalidade e está sendo exploração de forma política, um cenário de potencialização. Tem gente tripudiando em cima de uma situação inevitável", afirma.

Segundo ele, seu filho reclamou da proximidade das pessoas durante a aplicação da primeira etapa da prova, no dia 14. "Não estava um ambiente bom, deveria ter mais espaçamento", recomenda.

Victoria - André Porto/UOL - André Porto/UOL
A estudante Victoria Santos Dias (centro), ao lado dos pais, Wander e Edilene, que a levaram para prestar o Enem 2020
Imagem: André Porto/UOL
Edilene Ferreira dos Santos, coordenadora de qualidade de 51 anos, levou a filha Victoria Santos Dias, de 18, para segunda parte da prova. Ela também apoia a aplicação do Enem neste momento.

"Ela fez o ensino médio em 2020 e foi muito fraco por estar dentro de casa, está despreparada por causa das aulas onlines", afirma. "E, de fato, teve toda estrutura, aulas todos os dias e gente do ensino público, não".

Edilene e Victoria se surpreenderam com a falta de alunos no primeiro dia, em torno de 50% dos inscritos —a média anual do Enem é entre 25% e 30%. "Muita falta de aluno. A Victória não queria vir, apoiava o adiamento, mas insisti."

Vereadora de SP protesta

Luana Alves, vereadora eleita em São Paulo pelo PSOL, protestou contra a realização do Enem no segundo dia de prova. Ela entrou com recurso na Justiça pelo adiamento do vestibular, mas perdeu.

Luana - André Porto/UOL - André Porto/UOL
A vereadora Luana Alves, do PSOL, fez protesto ao lado do coletivo Juntos contra a realização do Enem
Imagem: André Porto/UOL
"Achávamos mais justo o adiamento porque alunos de escola pública não tiveram possibilidade de estudar", defende.

Luana se juntou com Samia Bomfim e Erica Hilton, também do PSOL, para questionar legalmente a realização em meio à pandemia do novo coronavírus. Como a prova aconteceu, decidiu protestar.

A parlamentar levou integrantes do coletivo Juntos, ligado ao partido e com manifestação feita no mesmo lugar durante o primeiro dia de prova.

"Viemos para prestar solidariedade, apoio aos estudantes e distribuir adesivos a favor da vacinação", explica. "Quase ninguém nega."

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