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Ministro: 'Se tem negro com acesso a boas escolas, não precisa de cota'

Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Imagem: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

17/11/2021 17h04Atualizada em 17/11/2021 19h09

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse hoje durante audiência na Comissão da Educação na Câmara dos Deputados que "se tem um negro que tem condição, é minoria, mas tem condição de acesso a estudar em boas escolas, ele não precisava de cota".

Quero reafirmar que não sou hostil à política de cotas, embora cota para mim teria de ser de ordem social e não racial. Preto ou branco ou alemão ou indígena, que não tem acesso social."
Milton Ribeiro, ministro da Educação

O chefe do MEC prestou esclarecimentos hoje aos deputados a respeito da crise no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Mais de 30 funcionários do órgão entregaram seus cargos na semana passada —a menos de duas semanas do Enem. Em carta enviada aos diretores, eles citaram a "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do Inep" (leia mais abaixo).

Após a fala do ministro, o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA) disse que a posição de Ribeiro demonstrava uma "negação da escravidão no Brasil". O chefe do MEC disse que se sentiu ofendido com a colocação do parlamentar.

"Não nego a escravidão. Nunca tive na minha vida esse tipo de narrativa, não tenho e por convicção nunca terei. Respeito meus irmãos brasileiros de toda raça e cor. Espero que o senhor não fale novamente isso", pediu Ribeiro.

Ele afirmou que não é contra a política de cotas e que está em seu cargo para cumprir a lei. O ministro também comentou que tem lido livros sobre escravidão e, com isso, "vai aprendendo um pouco mais".

Gratificação é justificativa de ministro e presidente para demissão em massa

Tanto o ministro, na Câmara, como o presidente do Inep, Danilo Dupas, no Senado, reduziram hoje o pedido de exoneração dos servidores a uma questão trabalhista. Segundo eles, a maior parte dos servidores teriam deixado o cargo à disposição por causa de uma situação relacionada ao pagamento da GECC (Gratificação por Concursos e Cursos).

Essa gratificação é paga para os servidores que desempenha funções diferentes de suas atribuições. "Não somos contra o pagamento da GECC, mas a favor de sua correta aplicação, buscando evitar a concentração de pagamento para poucos servidores", disse Dupas.

Segundo o ministro, há servidores que recebiam cerca de R$ 70 mil por ano, em gratificação. "Não é um valor irrisório", justifica.