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Aprendizado remoto foi insuficiente, dizem especialistas

Para o ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, o modelo remoto não substitui perfeitamente o presencial, sobretudo no ensino básico - Reprodução/Pixabay
Para o ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, o modelo remoto não substitui perfeitamente o presencial, sobretudo no ensino básico Imagem: Reprodução/Pixabay

Jessica Brasil Skroch, Ítalo Cosme e Leon Ferrari, especial para o Estadão

22/07/2021 09h07

O modelo de ensino remoto adotado às pressas em 2020 em razão da pandemia ficou aquém em aprendizado, na comparação com o presencial, avaliam especialistas. "Todas as evidências levantadas até o momento, seja no Brasil, seja no exterior, demonstram que os estudantes deixaram de aprender durante a pandemia", diz Alexandre Schneider, pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Público da FGV.

Para o ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, o modelo remoto não substitui perfeitamente o presencial, sobretudo no ensino básico. É preciso considerar o "elevado contingente de crianças e adolescentes em condições precárias, sem internet, sem dispositivos eletrônicos ou mesmo um lugar adequado para estudar". Ele alerta para a necessidade de políticas educacionais e de apoio, como recuperação de conteúdos e acolhimento.

Anna Helena Altenfelder, presidente do Cenpec Educação, diz que a situação nas redes municipais é ainda mais preocupante. "Falta coordenação nacional, que deveria ser feita pelo MEC", avalia. Ela analisa que a demora no retorno presencial às aulas se deve, principalmente, à falta de planejamento de estados e municípios e ao atraso da vacinação em todo o País.

A rede cearense, que agenda o retorno presencial para agosto, vai colocar em curso uma estratégia de avaliação diagnóstica, apontada por especialistas como essencial para identificar as principais defasagens e grupos mais prejudicados.

Parceria entre a Secretaria da Educação e a Universidade Estadual (Uece) prevê uma avaliação amostral em todas as 184 cidades cearenses, com turmas do 5º ao 9º anos do ensino fundamental e o 3º do médio.

Conforme Jorge Lira, cientista-chefe da Educação do Estado, a amostra considera, por exemplo, o nível socioeconômico do aluno, tipo e modalidade da escola, localidade, gênero dos respondentes. Secretária executiva do Ensino Médio e Profissional da pasta cearense da Educação, Jucineide Fernandes afirma que as atividades letivas dos próximos meses serão orientadas conforme o que for observado nos testes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.