Lucila Cano

Coluna da Lucila Cano

Um banco de dados para a Educação

Está no ar o site Brasil Hoje (www.brasilhoje.org.br), um banco de dados online que reúnediversos indicadores sociais e educacionais brasileiros. O aplicativo permite que os usuários estabeleçam comparações entre municípios por meio de séries históricas, monitorem a evolução de diferentes indicadores e criem seus próprios relatórios.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Fundação Itaú Social, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Patrícia Mota Guedes, especialista em gestão educacional da Fundação Itaú Social, conta que o site nasceu a partir do trabalho realizado com gestores e técnicos de secretarias de Educação, dentro do Programa Melhoria da Educação no Município. “Em 2007, criamos uma ferramenta interna para facilitar e aprimorar o diagnóstico dos gestores participantes do programa sobre a realidade social de seus municípios. Assim surgiu o CD Brasil Hoje, essencial para a construção do Plano Municipal.”

Dada a utilidade da ferramenta e o seu potencial de aplicação para um público ainda mais amplo, a Fundação Itaú Social e seus parceiros transportaram o conteúdo do CD para o formato do site lançado neste início de ano.

O Programa Melhoria da Educação no Município

Em 1999, a Fundação Itaú Social e o Unicef lançaram o Programa Melhoria da Educação no Município. Contaram com o apoio da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e com a coordenação técnica do Cenpec.

O programa tem duração de dois anos e assessora gestores municipais de educação na formulação e na gestão de políticas públicas educacionais, que assegurem o direito à educação para crianças, adolescentes e jovens de seus municípios. Desde a sua criação, já beneficiou cerca de 3.500 gestores e mais de 1.000 municípios em 17 estados.

Na conclusão do programa, os gestores devem apresentar um projeto de intervenção local, com objetivos e estratégias aplicáveis às suas realidades. É nessa etapa que os indicadores e os recursos do agora site Brasil Hoje são imprescindíveis.

O banco de dados foi organizado com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Unicef, Sistemas Integrados de Acompanhamento Financeiro (Siaf) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea/MDS). A atualização das informações está a cargo de técnicos do Cenpec.

Brasil que cresce e aparece

O país discute os rumos da Educação em diferentes níveis. A indústria reclama técnicos formados para assumir a modernização de que ela tanto precisa para competir com a concorrência internacional. Alguns representantes do meio acadêmico, entre eles os de Engenharia, questionam a predominância de conteúdos teóricos à necessária experiência prática dos futuros profissionais. Na ponta, na base da educação, qualidade de ensino e analfabetismo são os assuntos mais debatidos.

Em defesa do projeto de lei 518/2009, o senador Cristovam Buarque, que já foi ministro da Educação, propõe a criação de um Ministério da Educação de Base. Ele atribui o êxito dos demais níveis de educação no futuro à urgência de uma boa educação de base para todos. E lembra que hoje a educação de base está sujeita à falta de recursos de estados e municípios e que essa é uma questão nacional.

O investimento em Educação é o mais expressivo entre os projetos sociais do empresariado no Brasil. Por meio das fundações e institutos que os representam, grandes grupos contribuem com fundamentos de gestão, práticas inovadoras e suporte tecnológico. Essa participação ocorre, inclusive, em colaboração com o ensino público, como ocorre com o Programa Melhoria da Educação no Município.

O site Brasil Hoje qualifica ainda mais o programa e abre um leque de informações extramuros da escola.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

Lucila Cano

Colunista especialista em temas relacionados ao 3º setor; assumiu a coluna em 9/4/2010

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